TECNOLOGIA

Brecha no PHP que tirou sites do ar foi descoberta há dois anos

A Fundação PHP confirmou que os primeiros sinais das vulnerabilidades que levaram à retirada preventiva de sites do ar em vários países surgiram em 2024. A correção foi interrompida e retomada diversas vezes, em meio à falta de recursos e a dificuldades nas decisões da equipe de segurança.Continua após a publicidadeAs falhas podem permitir que invasores assumam o controle de servidores sem login ou senha. Uma atualização de segurança já está disponível, enquanto órgãos públicos e empresas adotaram medidas preventivas para reduzir o risco de ataques.
A falha permite assumir o controle de servidores na web sem a necessidade de senha. – Imagem: Andrey Suslov/Shutterstock
Por que a correção demorou?O problema foi identificado durante uma auditoria externa realizada em 2024 pela Quarkslab, empresa francesa de cibersegurança. Segundo a Fundação PHP, o trabalho para corrigir as vulnerabilidades se arrastou por meses e enfrentou três obstáculos:
Falta de um método conhecido de exploração: na época, não era conhecida uma forma de usar a falha para executar comandos remotamente.

Dificuldades nas decisões: a equipe de segurança enfrentou entraves para definir como avançar com a correção.

Sobrecarga de especialistas: poucos desenvolvedores tinham conhecimento aprofundado do funcionamento interno do PHP.
A fundação também reconheceu que a segurança da linguagem depende de um grupo reduzido de desenvolvedores financiados por fundações e de colaboradores voluntários.A limitação de recursos preocupa especialmente pela presença do PHP na internet. A linguagem é utilizada em plataformas como Facebook, Wikipedia e WordPress, além do Moodle, adotado por instituições de ensino, e do Magento, voltado ao comércio eletrônico.Como a inteligência artificial entrou no casoA Fundação PHP utiliza ferramentas de inteligência artificial, como o Claude Mythos, para analisar códigos e avaliar relatos de falhas. Segundo a entidade, esses recursos ajudam a identificar problemas mais rapidamente, mas não conseguem determinar qual é a melhor forma de estruturar uma correção.A investigação também avançou fora da fundação. A empresa de segurança Calif e a OpenAI, responsável pelo ChatGPT, identificaram as vulnerabilidades de forma independente e as reportaram em agosto deste ano. Posteriormente, a Wiz, especializada em segurança na nuvem, encontrou outras formas de explorar as falhas.

Na quarta-feira (21), a Wiz classificou o caso como um dos mais graves já registrados no PHP. “Essas descobertas estão entre as vulnerabilidades mais graves descobertas no PHP e, possivelmente, na história do software”, afirmou a empresa.A companhia também declarou: “Por mais de uma década, essas vulnerabilidades críticas permaneceram sem resposta porque a descoberta e exploração de vulnerabilidades eram incrivelmente complexas [sem o uso da IA]”.Para investigar as falhas, a Wiz informou ter utilizado os modelos Gemini 4 Argon, do Google, e GPT-5.6 Sol, da OpenAI.
No Brasil, a Anatel e tribunais suspenderam o SEI preventivamente contra invasões. Imagem: rafastockbr/Shutterstock
Sites foram retirados do ar por precauçãoDesde quarta-feira (21), governos e empresas de diferentes países suspenderam temporariamente o acesso a sites para evitar invasões. No Brasil, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e tribunais suspenderam o acesso ao Sistema Eletrônico de Informações (SEI), usado na gestão de processos administrativos. Até o momento, não há relatos de grandes impactos no país.Continua após a publicidadeA dimensão da exposição ajuda a explicar a preocupação com a falha. Thiago Ayub, diretor de tecnologia da Sage Networks e especialista em telecomunicações, afirma que rankings públicos ainda apontam o PHP como a linguagem utilizada em cerca de 70% dos sites.Com a atualização de segurança disponível, a aplicação da correção nos sistemas afetados é a principal medida para reduzir o risco de invasões.

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

Ver todos os artigos →


Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Botão Voltar ao Topo

Adblock Detectado

Para continuar no site, por favor, desative o Adblock.