TECNOLOGIA

Terra ganha minilua temporária que deve partir em dezembro

A Terra ganhou uma nova minilua: o asteroide 2026 QQ8, capturado temporariamente pela gravidade do planeta. Com apenas 1 metro de diâmetro, o objeto chegou a ser confundido com lixo espacial, mas foi identificado como um corpo natural.Continua após a publicidadeDescoberto em 20 de agosto pelo astrônomo húngaro Krisztián Sárneczky, o asteroide deve permanecer nas proximidades da Terra por cerca de um mês, antes de escapar da influência gravitacional do planeta, em 13 de dezembro.
Miniluas são pequenos asteroides ou cometas capturados temporariamente pela gravidade de um planeta. Imagem: Flavia Correia via DALL-E/Olhar Digital
Na semana passada, o Minor Planet Center, da União Astronômica Internacional, confirmou que o objeto é natural. Ele se aproximou da Terra em abril, passou perto do planeta em 1º de maio e acabou capturado pela gravidade terrestre.Não há risco de colisão. A menor distância registrada foi de 537 mil quilômetros, em 18 de agosto, o equivalente a aproximadamente 1,5 vez a distância entre a Terra e a Lua. O asteroide não deve chegar mais perto durante sua passagem atual. Quando deixar a vizinhança terrestre, estará a cerca de 1,35 milhão de quilômetros do planeta.Em comunicado, o Minor Planet Center informou que os cálculos orbitais indicam que o objeto está temporariamente ligado à Terra. A instituição também afirmou que não encontrou relação com nenhum objeto artificial conhecido e recomendou novas observações e estudos sobre sua trajetória.Qual é a diferença entre miniluas e quase-luas?A Lua é o único satélite natural permanente da Terra, mas outros corpos pequenos também passam pelas proximidades do planeta. Dependendo de sua trajetória, eles podem ser classificados como miniluas ou quase-luas.As miniluas são pequenos asteroides ou cometas capturados temporariamente pela gravidade de um planeta. Podem completar uma ou mais voltas ao redor dele antes de escapar e retomar sua trajetória pelo Sistema Solar.As quase-luas seguem outra dinâmica. Embora pareçam orbitar a Terra, não estão presas gravitacionalmente ao planeta. Elas também giram ao redor do Sol, acompanhando nosso planeta ao longo de sua jornada anual. A gravidade terrestre influencia suas trajetórias, mas não as mantém em órbita.

Alguns exemplos ajudam a entender essas duas categorias:
2024 PT5: foi uma das duas miniluas temporárias da Terra em agosto de 2024. Sua composição química era igual à da Lua, o que levanta a possibilidade de ter se originado do próprio satélite.

2022 NX1: já foi capturado pela gravidade terrestre em duas ocasiões, em 1981 e 2022.

469219 Kamoʻoalewa e Cardea: estão entre as oito quase-luas conhecidas da Terra.

O estudo de miniluas ajuda astrônomos a caracterizar asteroides próximos da Terra e investigar a formação do Sistema Solar. – Imagem: NASA
Por que os astrônomos estudam esses objetos?As miniluas oferecem uma oportunidade de estudar asteroides próximos da Terra a distâncias relativamente pequenas. Com essas observações, os pesquisadores podem caracterizar melhor esses corpos celestes e investigar suas características. Os estudos também ajudam a compreender a formação do Sistema Solar.Continua após a publicidadeEsse conhecimento tem outra aplicação: a defesa planetária. A observação de asteroides que passam perto da Terra pode contribuir para pesquisas sobre objetos que eventualmente se aproximem demais do planeta.O histórico do 2026 QQ8 também chama a atenção. Segundo o site EarthSky, os astrônomos conseguiram reconstruir parte de suas aproximações anteriores, que parecem ocorrer a cada dez anos.Em 1965, o asteroide chegou perto da Terra, mas não o suficiente para ser capturado. A previsão é que volte a se aproximar em 2058, novamente sem alcançar a distância necessária para se tornar uma minilua.

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

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