Estudo deteta metais pesados em esqueletos das Lajes
ANTÓNIO ARAÚJO/LUSA
Uma tese de doutoramento em antropologia forense que analisou esqueletos na ilha Terceira detetou concentrações de chumbo e outros metais pesados muito superiores em amostras de habitantes da Praia da Vitória, onde fica a base das Lajes, em comparação às ossadas de residentes de Angra do Heroísmo, que fica a 23 quilómetros do local. O resultado do estudo, divulgado pelo semanário Expresso, retoma a hipótese de que os derrames de combustíveis realizados ao longo de décadas pelos militares norte-americanos na região estejam ligados a uma potencial contaminação, que já vem sendo noticiada há quase uma década.
Os metais mais relevantes detetados foram o cádmio, o crómio e o molibdénio, além do chumbo. “As concentrações de chumbo nos esqueletos variam entre 4 e 67 ppm (partes por milhão) e os testes estatísticos indicam que, no grupo da Praia da Vitória, são significativamente superiores: em média são de 12 ppm em Angra e de 18 em Praia da Vitória”, disse ao Expresso o responsável pela tese, Félix Rodrigues, de 32 anos, natural da Terceira.Ainda assim, o investigador considera os resultados “provisórios”, afirmando que ainda é necessário perceber se o nível de concentração e exposição aos metais pesados pode estar ligado ao desenvolvimento de doenças como o cancro. “Se a presença dos metais pesados vem da contaminação, é uma discussão profunda que se tem de fazer a longo prazo. Mesmo que os corpos dos falecidos nos possam dar algumas informações, eles não falam. Mas as pessoas vivas falam. Essa era uma investigação que poderia ser feita”.A tese de Félix Rodrigues está a ser financiada pelo Governo Regional dos Açores e será defendida este verão, no âmbito do programa de Antropologia Forense da Universidade de Coimbra.










