CIÊNCIA

Ajuda secreta russa torna ataques iranianos mais precisos

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Para prolongar o conflito no Médio Oriente e manter o aliado iraniano de pé, a Rússia tem intensificado a cooperação militar e a troca de informações com Teerão. Moscovo está a  fornecer imagens de satélite e tecnologia avançada de drones para ajudar o Irão a atingir forças norte-americanas na região, avançou o The Wall Street Journal, citando fontes próximas do assunto, entre elas um alto funcionário dos serviços de informação europeus.A colaboração não se limita à entrega de equipamento. A Rússia tem transferido conhecimento acumulado na guerra da Ucrânia que permite ao Irão aperfeiçoar o uso operacional de drones: desde o número ideal a mobilizar em cada ataque até à seleção de alvos e à avaliação de danos após os impactos. Os drones Shahed iranianos, que os russos têm utilizado em território ucraniano, terão sido alvo de melhorias técnicas, sobretudo ao nível da comunicação, navegação e precisão.E o apoio já estará a ter efeitos no terreno. Segundo analistas citados pelo jornal norte-americano, o Irão tem conseguido atingir com maior eficácia alvos militares dos Estados Unidos da América (EUA) e de países do Golfo, recorrendo a táticas que replicam o padrão russo na Ucrânia — nomeadamente o uso de drones para saturar sistemas de defesa aérea antes de ataques com mísseis. “Os pacotes de ataques do Irão passaram a assemelhar-se muito aos da Rússia”, explica Nicole Grajewski, professora da reputada Sciences Po, o Instituto de Estudos Políticos de Paris.
Fontes citadas pelo jornal indicam ainda que esse apoio poderá ter estado na base de ataques recentes a infraestruturas militares norte-americanas na região, incluindo sistemas de radar ligados ao sistema antimíssil THAAD na Jordânia, bem como alvos no Bahrein, Kuwait e Omã. Para alguns analistas, a assistência russa ao Irão aproxima-se do tipo de apoio de informações que os Estados Unidos e aliados europeus têm fornecido à Ucrânia. “É uma oportunidade para provarmos do nosso próprio veneno em termos do apoio de informações que os EUA fornecem à Ucrânia”, disse uma das fontes.Apesar de Donald Trump já ter admitido que Moscovo poderá estar a ajudar “um pouco” Teerão, Washington procura minimizar o alcance dessa colaboração. “Nada do que qualquer outro país fornece ao Irão está a afetar o nosso sucesso operacional”, afirmou a porta-voz da Casa Branca, Olivia Wales. “As Forças Armadas dos Estados Unidos atingiram mais de 7.000 alvos e destruíram mais de 100 navios de guerra iranianos, o que levou a uma redução de 90% nos ataques com mísseis e de 95% nos ataques com drones.”

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