TECNOLOGIA

Previsão do tempo: supercomputador coloca o Brasil em novo patamar

O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) começou a rodar o Monan, seu novo modelo próprio de previsão do tempo. A ferramenta opera no supercomputador Jaci, instalado no centro de dados do órgão em Cachoeira Paulista (SP).Continua após a publicidadeO sistema projeta cenários com até 11 dias de antecedência. Segundo o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), a precisão das previsões brasileiras passa a estar no mesmo patamar de centros de referência nos Estados Unidos e na Europa.
Prever tempestades, frentes frias e secas severas com antecedência é uma das aplicações previstas para o Monan. – Imagem: Brian A Jackson / ShutterstockTecnologia própria para prever o climaDesenvolvido ao longo de três anos, o Monan é um programa que simula o comportamento da atmosfera. Para isso, utiliza equações físicas e informações coletadas por satélites, radares e estações meteorológicas.

O modelo trabalha com cobertura global e resolução de dez quilômetros, recebendo duas atualizações por dia. Segundo o MCTI, a ferramenta produz previsões confiáveis com até 11 dias de antecedência, explica a Agência Brasil.Impacto no campo e nas cidadesO novo modelo deve reforçar o monitoramento de eventos meteorológicos e ajudar na preparação para situações de maior risco. Entre as aplicações previstas estão:
Alertas antecipados para tempestades, frentes frias e secas severas.

Apoio ao planejamento de plantios e colheitas.

Redução de prejuízos provocados pelas oscilações do clima tropical.

Estimativas mais detalhadas do volume de chuvas nas bacias hidrográficas.

Com atualizações diárias e resolução de dez quilômetros, a nova ferramenta gera estimativas precisas com até 11 dias de antecedência. – Imagem: Christian PetersSoberania sobre dados tropicaisA tecnologia foi concebida para considerar as especificidades tropicais da América do Sul. Para a ministra da Ciência, Tecnologia e Inovação, Luciana Santos, o projeto também representa um avanço na soberania brasileira sobre os dados climáticos.Continua após a publicidadeLeia mais:“Não estamos apenas trocando computadores ou atualizando softwares. Estamos garantindo que o Brasil tenha soberania sobre os seus próprios dados climáticos, utilizando um modelo concebido para as especificidades tropicais da América do Sul. Isso se traduz em decisões públicas mais rápidas, proteção de vidas e apoio direto ao desenvolvimento econômico.”As próximas etapas do projeto incluem a criação de um modelo regional para a América do Sul, com resolução de cinco quilômetros. A versão deverá permitir previsões mais detalhadas em recortes menores.O Inpe também prevê ferramentas de nowcasting, voltadas para previsões de curtíssimo prazo, com alcance de até seis horas. A proposta amplia as possibilidades de acompanhamento das condições meteorológicas em escalas de tempo menores.

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

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