Pépé só quer mais do que cinco minutos para fazer o que sabe
▲O avançado do Villarreal marcou os dois golos dos costa-marfinenses
Getty Images
O sonho de Curaçau não está propriamente a ser igual ao sonho de Cabo Verde, que ainda nem sequer perdeu no Mundial 2026 e tem chances válidas e concretas de chegar aos 16 avos de final, mas a verdade é que é impossível passar ao lado das boas indicações que os caribenhos estão a dar no Campeonato do Mundo — desde o golo marcado à Alemanha, independentemente da goleada sofrida, até ao empate imposto ao Equador, alcançando o primeiro ponto do país na competição à boleia de uma exibição brutal de Eloy Room.
Ora, e ao que parece, na verdade, pode existir um segredo. Ou, pelo menos, uma motivação não muito comum nos meandros do Campeonato do Mundo. Ao contrário do que acontece com todas as outras seleções que estão na competição, os jogadores de Curaçau foram autorizados a partilhar o quarto de hotel de Boca Raton, na Flórida, com as mulheres ou namoradas. A revelação foi feita por Suzanne Huurman, a única mulher a chefiar um departamento médico no Mundial 2026.
???????????? Curaçao are doing things differently at the World Cup.
While most national teams keep players isolated throughout the tournament, Curaçao have made family a priority. They are the ONLY team allowing players to share rooms with their partners and spend every day with their… pic.twitter.com/LnT7Zwi63n
— Football Tweet ⚽ (@Footballtweet) June 25, 2026“Os jogadores podem ficar hospedados com as companheiras no mesmo quarto e, quando há filhos, a família recebe um quarto adicional. É algo bastante único no futebol de seleções. Curaçau é um país pequeno, com um povo muito alegre, caloroso e voltado para a família. A presença familiar ajuda, mais pelo lado emocional do que pelo efeito fisiológico direto. Num torneio tão longo, ter a família por perto reduz um pouco as saudades de casa e traz tranquilidade”, explicou a médica brasileira ao Globoesporte, acrescentando ainda que a Federação tomou a decisão também para garantir que os jogadores não tivessem as famílias por perto por motivos financeiros, lembrando que “muitos não atuam nos níveis mais altos do futebol mundial”.
Assim, esta quinta-feira e em Filadélfia, Curaçau disputava o último jogo da fase de grupos do Mundial 2026. Contra a Costa do Marfim, os caribenhos precisavam de ganhar e esperar que os equatorianos não vencessem a Alemanha à mesma hora para sonharem com o apuramento imediato para os 16 avos de final, enquanto que os costa-marfinenses só precisavam mesmo de vencer para ficar no segundo lugar de um Grupo E que já estava entregue aos alemães. Ainda assim e mais do que tudo, no coração da esperança de Curaçau residia o terceiro lugar que podia garantir o passaporte para a próxima ronda.Nos EUA, Dick Advocaat tinha naturalmente Tahith Chong como elemento fulcral do meio-campo, o médio formado no Manchester United que está atualmente no Sheffield United e que chegou a ser internacional Sub-21 pelos Países Baixos. Já Emerse Faé lançava Ousmane Diomande no eixo defensivo, com o central do Sporting a cumprir os minutos primeiros minutos no Campeonato do Mundo, e tinha Amad Diallo e Yan Diomande nas alas, com Seko Fofana, médio do FC Porto, a começar no banco.
Pépé encostou para a vantagem da Costa do Marfim ao intervalo ????????#sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #Curaçao #CostadoMarfim #betano pic.twitter.com/G2NybMF2iu
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Nicolás Pepe ⚽️⚽️ pic.twitter.com/sCNQsKVm57
— Esports Vila amb Javi Mata (@EsportsVila) June 25, 2026Curaçau até criou o primeiro lance de perigo, com Tahith Chong a rematar forte para a primeira defesa de Yahia Fofana (3′), mas a Costa do Marfim não demorou a pegar no jogo e abriu o marcador ainda no dez minutos iniciais: os caribenhos perderam a bola numa zona proibida, Yan Diomande aproveitou para ganhar e cruzou atrasado para a área, onde Nicolas Pépé apareceu a desviar (7′).
Os costa-marfinenses foram superiores durante a larga maioria do tempo e poderiam ter aumentado a vantagem em diversas ocasiões, incluindo um lance em que Amad Diallo rematou ao lado (10′), mas os caribenhos procuravam sempre o contra-ataque através de incursões individuais e até somaram aproximações perigosas, com Juriën Gaari a atirar ao lado (15′), Tahith Chong a falhar também o alvo (40′) e Leandro Bacuna a rematar à malha lateral (45′). Ao intervalo, muito graças à eficácia envolvida, a Costa do Marfim estava a vencer Curaçau. A segunda parte começou com a mesma lógica: os costa-marfinenses tinham mais bola e até criavam perigo, com Frank Kessié a rematar ao lado de fora de área (53′), mas os caribenhos não viravam a cara à luta e olhavam para a baliza sempre que tinham espaço, com Sherel Floranus a atirar por cima de muito longe (56′). A eficácia, contudo, voltou a fazer a diferença. Já depois da hora de jogo, Ibrahim Sangaré descobriu Pépé com um belo passe vertical e o avançado do Villarreal, com um remate cruzado na área, bisou (64′). Nada mudou até ao fim e a Costa do Marfim venceu Curaçau, seguindo em frente para os 16 avos de final do Mundial 2026 e eliminando os caribenhos.
O dia em que um dos nomes mais conhecidos de um país decidiu justificar isso mesmo. Depois de jogar apenas cinco minutos contra a Alemanha, numa decisão de Emerse Faé que causou alguma polémica, Nicolas Pépé voltou a ser titular contra Curaçau tal como tinha sido na jornada inicial contra o Equador. Abriu o marcador na primeira, fechou o marcador na segunda e deixou bem claro que, apesar da juventude mais sexy de Yan Diomande ou Amad Diallo, continua a ser uma das principais figuras da Costa do Marfim.
Nada foi uma surpresa para todos aqueles que acompanharam com atenção o Nottingham Forest que começou por ser de Nuno Espírito Santo e acabou a ser de Vítor Pereira com Ange Postecoglou e Sean Dyche pelo meio — mas o facto continua a merecer destaque. Para além da assistência que fez para o segundo golo de Nicolas Pépé, Ibrahim Sangaré foi o verdadeiro equilíbrio da Costa do Marfim, assinando uma exibição que foi claramente das melhores da equipa de Emerse Faé.
Com este resultado, a Costa do Marfim está apurada para os 16 avos de final do Mundial 2026 através do segundo lugar do Grupo E e com seis pontos, os mesmos que a Alemanha, sendo que têm desvantagem no confronto direto face aos alemães. Esta é mesmo a primeira vez que os costa-marfinenses ultrapassam uma fase de grupos do Campeonato do Mundo: tinham sido eliminados logo na ronda inicial nas outras três aparições, em 2006, 2010 e 2014. Os africanos vão agora defrontar o segundo classificado do Grupo I, que será França ou Noruega.
Curaçau não foi ao Campeonato do Mundo passar férias. Apesar de eliminados através do último lugar do Grupo E, os caribenhos saem do Mundial 2026 com um ponto, conquistado graças a um empate contra o Equador, e um golo marcado. E, na verdade, só facilitaram a vida à Costa do Marfim no que toca à eficácia, já que tiveram oportunidades mais do que suficientes para ferir os costa-marfinenses e vender ainda mais cara a derrota em Filadélfia.






