CIÊNCIA

O "Fight Club" estava na bancada, mas o KO apareceu em campo

“Why not U.S?“. A pergunta, que usa a palavra us, nós, como uma brincadeira com a sigla de United States, US, tem sido o mote dos EUA no Mundial 2026. Com duas vitórias em duas jornadas, o primeiro lugar do grupo e o consequente apuramento para os 16 avos de final já garantido e uma motivação adicional por estar a jogar inteiramente em casa e diante dos próprios adeptos, os norte-americanos parecem estar a voar nas últimas semanas. E a verdade é que grande parte disso é responsabilidade de Mauricio Pochettino. 
Foi o treinador argentino, na verdade, que escolheu “why not U.S?” como mote. Repete a frase quase diariamente, colocou os jogadores a repetir a frase diariamente e até colou a frase nas paredes do balneário. E tudo começou em novembro, no que parecia apenas mais uma reunião durante mais uma pausa FIFA sem qualquer tipo de carga adicional — Pochettino pegou num momento vazio e tornou-o no dia que norteia uma equipa inteira.Há dinheiro, há infraestruturas e há vontade. Por que é que o futebol dos EUA continua estagnado?
“Nunca preparo as reuniões. Claro que as preparo mentalmente, mas no fim acaba por ser uma coisa de intuição, de sentimentos, de emoções. Naquele momento disse-lhes: ‘Vá lá, rapazes! Estão a ouvir-me, precisamos de acreditar. Por que não nós? Por que não? Podemos vencer todos aqueles tipos que estão ali, mesmo que ninguém acredite’. E disse-lhes porque era verdade. É verdade”, explicou o selecionador norte-americano, que tem sublinhado a importância de criar “um legado” em conjunto com os adeptos.Era neste contexto que os EUA defrontavam a Turquia em Los Angeles com muitas mudanças no onze inicial — sabendo desde já que estavam apurados, que iriam ficar no primeiro lugar do Grupo D e até que irão defrontar a Bósnia nos 16 avos de final. Do outro lado, ainda por cima, estava uma Turquia com zero pontos e já eliminada. Uma mistura de autêntica festa que fez com que o SoFi Stadium recebesse Ashton Kutcher, Leonardo DiCaprio ou Scottie Pippen, para além da dupla formada por Brad Pitt e Edward Norton que obriga a recordar “Fight Club” e Paris Hilton a ser até a responsável por levar a bola para o relvado antes do apito inicial.Os norte-americanos começaram melhor e abriram o marcador logo nos instantes iniciais, com Auston Trusty a finalizar um canto cobrado para o poste mais distante (3′). Pouco depois, porém, os turcos responderam por intermédio de Arda Guler, que marcou o primeiro golo do país no Mundial 2026 na sequência de uma combinação com Baris Alper Yilmaz (10′). A pausa para hidratação foi bem aproveitada por Vincenzo Montella e os turcos carimbaram a reviravolta logo a seguir, com Orkun Kökçü a desviar após cruzamento atrasado de Eren Elmalı (31′). Ao intervalo, a Turquia estava a vencer os EUA em Los Angeles.
LA, here we go! ????️ #FIFAWorldCup
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Edward Norton talking to himself at the USA-Türkiye game ???? pic.twitter.com/7LKIwpWsMh
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Türkiye – ABD maçını tribünden takip eden ünlü isimler:
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— Sağcı Gazete (@sagcigazete) June 26, 2026Tal como tinha acontecido na primeira, a segunda parte começou praticamente com um golo: canto na esquerda do ataque norte-americano, a defesa turca aliviou mal e Sebastian Berhalter, com um remate seco de fora de área, recuperou o empate (49′). Christian Pulisic, que saiu lesionado ao intervalo da jornada inaugural, regressou aos relvados e entrou com mais de meia-hora por disputar. Já bem dentro do período de descontos, um lance de brutal insistência de Arda Guler, Kaan Ayhan conseguiu mesmo marcar (90+8′) e resgatar três pontos para a Turquia, que acabou por vencer os EUA em Los Angeles e levar os norte-americanos a falhar o objetivo das três vitórias em três jornadas.

Depois das derrotas com o Paraguai e a Austrália e a certeza absoluta de que disputava a última jornada apenas para cumprir calendário, a Turquia poderia perfeitamente ter entrado para o jogo contra os EUA de braços caídos. Arda Guler, porém, nunca o permitiria: o jovem avançado do Real Madrid marcou o primeiro golo dos turcos no Mundial 2026, criou o decisivo e terceiro golo da vitória, deu um pontapé na depressão e deixou bem claro que a nova geração do país começa nele próprio, mas tem sítios para onde ir.

Durante algum tempo, foi o filho do professor. Sebastian Berhalter, que até nasceu em Londres enquanto o pai jogava no Crystal Palace, é filho de Gregg Berhalter, norte-americano que foi o selecionador dos EUA de 2018 a 2024 e estava no Mundial do Qatar. Atualmente com 25 anos, o agora médio dos Vancouver Whitecaps do Canadá foi claramente o melhor jogador em campo, somando uma assistência para Auston Trusty e assinando o segundo golo, conquistando um espaço mais vasto dentro das opções de Mauricio Pochettino.

Com este resultado, os EUA falharam o objetivo de igualar o México com três vitórias em três jornadas, mas não perderam o primeiro lugar do Grupo D e já sabem que vão encontrar a Bósnia nos 16 avos de final do Mundial 2026. Os norte-americanos ultrapassam a fase de grupos pela terceira participação consecutiva e depois de 2010, 2014 e 2022, já que não conseguiram sequer qualificar-se para 2018. A melhor prestação dos EUA num Campeonato do Mundo, é preciso recordar, ainda remonta aos quartos de final do Coreia-Japão de 2002.

A Turquia não é das piores — muito menos a pior — equipas do Mundial 2026. Apesar da prestação globalmente negativa no Campeonato do Mundo, com uma eliminação surpreendente e três pontos conquistados entre duas derrotas e uma vitória, os turcos provaram contra os EUA que eram capazes de muito mais do que aquilo que acabaram por alcançar. Faltou a eficácia, essencialmente, já que a qualidade coletiva e individual esteve praticamente sempre em evidêcia.

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