TSMC busca motores sem terras raras para proteger chips avançados
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A TSMC, maior fabricante de chips por encomenda do mundo, consulta fornecedores sobre motores que dispensem terras raras em equipamentos industriais. A iniciativa busca reduzir o risco de que restrições chinesas ao fornecimento desses materiais prejudiquem a operação de suas fábricas.Continua após a publicidadeAs discussões ainda estão em estágio inicial, mas o tema preocupa a indústria de tecnologia. Uma eventual escassez desses componentes poderia interromper a produção de semicondutores usados em diversos setores, incluindo inteligência artificial e defesa.
As discussões da TSMC com fornecedores estão no início e buscam evitar gargalos no mercado global. – Imagem: Fiers/Shutterstock
Como as terras raras afetam a fabricação de chipsAs terras raras são usadas em ímãs que integram motores industriais responsáveis por movimentar partes de máquinas automatizadas. Esses equipamentos estão presentes em fábricas como as da TSMC, que produz semicondutores avançados para clientes do mundo todo.O risco de interrupção ganhou força depois que a China passou a exigir licenças de exportação para determinados materiais de terras raras, ímãs e tecnologias relacionadas ao processamento desses elementos. Como o país domina esse mercado, eventuais restrições podem comprometer o fornecimento de componentes especializados.A falta dessas peças não afetaria necessariamente a composição dos chips, mas poderia prejudicar o funcionamento das máquinas usadas na fabricação. É esse risco que levou a TSMC a conversar com fornecedores sobre motores que não dependam desses materiais.
Terras raras integram os ímãs de motores de alta precisão que movimentam linhas de montagem, mas a dependência de matérias-primas chinesas expõe a fragilidade da produção de tecnologia avançada. – CIT Senai ITR
Taiwan e Estados Unidos buscam alternativasA iniciativa da fabricante ocorre em meio a esforços mais amplos de Taiwan e dos Estados Unidos para diminuir a dependência das cadeias de fornecimento chinesas de terras raras e outros minerais críticos.Em junho, Raymond F. Greene, diretor do American Institute em Taiwan, afirmou que os Estados Unidos trabalham com a ilha e outros parceiros para desenvolver fontes alternativas de abastecimento, ampliar a capacidade de processamento e tornar as cadeias de suprimento mais resilientes.
Taiwan também pretende ampliar sua capacidade tecnológica nessa área. Em fevereiro, o ministro da Economia, Kung Ming-hsin, anunciou apoio ao Instituto de Pesquisa em Tecnologia Industrial (ITRI) para desenvolver tecnologias relacionadas às terras raras. O plano prevê estabelecer, em até três anos, uma linha-piloto de produção capaz de atender a cerca de 50% da demanda doméstica da ilha.Autoridades norte-americanas mantêm conversas com o instituto sobre a diversificação do fornecimento de minerais críticos. O ITRI confirmou que trabalha com o Departamento de Tecnologia Industrial do Ministério da Economia de Taiwan no planejamento de um projeto sobre terras raras, mas não divulgou detalhes.A dependência desses materiais expõe diferentes setores a possíveis problemas de abastecimento:
Eletrônicos de consumo: podem sofrer impactos caso a falta de componentes interrompa a fabricação de semicondutores.
Infraestrutura de inteligência artificial: depende de chips avançados usados em sistemas computacionais e centros de dados.
Defesa: utiliza semicondutores em equipamentos e sistemas eletrônicos.
Continua após a publicidadePara a TSMC, encontrar alternativas aos motores que utilizam terras raras é uma forma de reduzir essa vulnerabilidade. Por enquanto, porém, a empresa ainda avalia as possibilidades, sem adoção ampla de equipamentos substitutos.
Valdir Antonelli
Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.
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