Diogo segurou tudo e mais alguma coisa. Mas para quê?
Siga aqui tudo sobre o Mundial-2026 no Observador
É quase como uma “ressaca” que permite voltar a olhar para a floresta e não apenas para a árvore um par de dias depois. E existe em versão dupla, para o bom e para o mau. Após o empate frente à RD Congo, pior era impossível. A exibição ficou aquém, Portugal falhou em tudo, as hipóteses do tal “fazer aquilo que nunca foi feito” não passava de uma quimera sem sentido. Uns dias depois, com tudo mais sereno, foi voltando essa “normalidade”: todos perceberam o que falhou, o grupo blindou-se a todo o ruído da imprensa às próprias redes sociais, a Seleção continuava a depender apenas de si para qualquer objetivo. Depois, na sequência da goleada ao Uzbequistão, o mesmo fenómeno ao contrário. A exibição foi de topo, Portugal não deu qualquer margem ao adversário, Ronaldo bisou, a esperança do título fazia sentido. Uns dias depois, o ambiente foi serenando, colocando-se em equação a fragilidade do adversário e o atual segundo lugar do grupo.Nem tudo era mau depois da RD Congo, nem tudo é perfeito após o Uzbequistão. Assim, simples. Era quase como se Portugal fizesse um reset a tudo na antecâmara daquele que era o fecho do primeiro grande foco que foi assumido por tudo e todos – a fase de grupos. Contas feitas, só havia um handicap imprevisto entre os dez dias que mediaram a estreia e a última jornada: o facto de, por ter quatro e não seis pontos, a Seleção precisar de uma vitória para fechar na primeira posição à frente da Colômbia, que “cumpriu” a missão nos dois jogos iniciais realizados no México. Mas sobrava uma questão: era assim tão importante Portugal fechar no topo do grupo K ou terminar na segunda posição funcionava da mesma maneira dentro do plano traçado?“Acho que num torneio como o Mundial não há um caminho ou posição certa. O que interessa é atingirmos o nosso melhor nível e só consegues isso com vitórias. Amanhã [Domingo] teremos de respeitar a Colômbia mas queremos continuar o que fizemos no segundo jogo, continuar a melhorar os aspetos que temos a melhorar nestes três jogos para começar a preparar o segundo Mundial”, frisou Roberto Martínez a esse propósito na conferência de imprensa de antevisão, passando ao lado da pergunta por uma questão de “controlo de pressão” ou por mera convicção de que, qualquer que fosse o adversário, era para passar. Todos os jogadores que foram falando durante a semana apontavam para a vitória como um objetivo, o treinador nacional colocava o foco no triunfo como uma consequência. Caminhos diferentes, a mesma meta final.
“A Colômbia acredita muito no que fazem. O trabalho do treinador já tem continuidade e clareza de ideias. Não é sobre o jogador que joga mas sim a ideia de jogo que a equipa tem. Tem jogadores como o Quintero, James Rodríguez, pelo meio, mas também jogadores importantes na transição como o Luis Díaz, o Luis Suárez. A equipa está apurada, acho que num torneio como este é importante gerir o balneário e também os jogadores. Mas o facto de não haver um jogador que já tenha jogado nos dois primeiros jogos no 11 da Colômbia não vai mudar em nada a ideia da Colômbia. A seleção colombiana é um desafio muito completo para nós. Tem jogadores muito bons nas entrelinhas, não precisa de ter bola para fazer algum dano. Tem jogadores como Suárez e Díaz, dois dos laterais mais ofensivos do torneio. Tudo isso mostra que o selecionador trabalha este grupo como se fosse um clube. São um grande exemplo”, elogiara o selecionador.“Acho que o grupo está num equilíbrio muito bom. O desempenho durante o segundo jogo deu muita confiança e força em acreditar em tudo o que fazemos. A atitude que tivemos nos dois jogos continua, não perdemos isso. A equipa está a acrescentar. Não somos uma equipa de perder pontos fortes mas sim de acrescentar. Temos de mostrar a nossa qualidade, sermos novamente Portugal. Não há o perigo de perder tudo o que de bom fizemos durante os dois primeiros jogos”, destacara Martínez, entre elogios à maturidade do grupo nacional na forma como analisa os jogos e relativizando o previsível maior apoio à equipa da Colômbia em Miami: “O aspeto psicológico de gerir um jogo no Mundial é muito importante e nesse segundo jogo conseguimos fazê-lo muito bem. Será o primeiro jogo que jogaremos fora, até porque aqui em Miami há muitos adeptos colombianos. Então também será um bom teste nesse sentido”.Esse era apenas um dos obstáculos de Portugal naquele que foi o encontro mais procurado de toda a primeira fase, entre a forte comunidade colombiana radicada em Miami e em toda a Flórida e o interesse que Cristiano Ronaldo continua a levar a todos os cantos do mundo (incluindo ao que “acolhe” nesta fase o “rival” Lionel Messi), com bilhetes a serem vendidos a partir dos 2.000 euros nas últimas semanas. Pelo jogo, valeu a pena. Mesmo sem golos, um encontro pode ter qualidade. Aliás, este teve tudo menos isso, entre mais de 35 remates, várias oportunidades e muitas defesas dos guarda-redes. Aí, Diogo Costa resgatou para si o papel de herói, travando tudo e mais alguma coisa que existisse para esconder as fragilidades defensivas que Portugal revelou na transição e nos movimentos de rutura. A Seleção foi curta, podia ter aproveitado de uma outra forma o que o jogo lhe foi dando mas, sabendo que empatar ou perder era a mesma coisa, fez pouco ou nada no final para ganhar – até com Bruno Fernandes a pedir mais calma e um ritmo mais baixo para parar uma fase mais partida. Para quê? Ninguém sabe ao certo. Mas ficar em segundo não trouxe nada de bom…Os avisos demoraram pouco mais de um minuto a chegar em Miami. Numa fase em que se tentava perceber o posicionamento de Rúben Neves no meio-campo, mais descaído sobre a direita para conseguir outro tipo de equilíbrios sem bola, Luis Díaz conseguiu beneficiar de espaço suficiente para jogar 1×1 com João Canecelo, criou o desequilíbrio mas o desvio de cabeça de Jhon Córdoba, que rendia Luis Suárez na frente de ataque, saiu a rasar a trave da baliza de Diogo Costa (2′). A intensidade que a Colômbia colocava em campo deixava mossa sobretudo nas transições. Portugal tinha dificuldades em criar, com João Félix a fazer um cruzamento com muita força depois de um remate despropositado de Rúben Neves ao lado a tentar o efeito surpresa, mas sentia ainda mais problemas quando os cafeteros conseguiam sair rápido, com as constantes movimentações de James Rodríguez a levarem o canhoto para a esquerda para novo remate mas ao lado (8′).
20m [ ???????? Colômbia 0-0 Portugal ???????? ]
6-1 em remates para os “cafeteros”, que já criaram 0.6 xG#COLPOR #FIFAWorldCup pic.twitter.com/tAJmHzpnrt
— GoalPoint (@_Goalpoint) June 27, 2026Ia ser um jogo de paciência, de perceber momentos, de saber quando e como baixar ou subir linhas perante aquilo que o encontro fosse pedindo. Portugal tentava ler isso, a Colômbia fazia o mesmo, com os todos os ataques organizados a serem defendidos com blocos baixos que retiravam espaço a ações individuais, todos os movimentos de rutura ou jogo entre linhas. O que fazia a diferença era mesmo conseguir ou não sair em transições rápidas, com os sul-americanos a aproveitarem mais uma má abordagem no início da jogada para lançarem Jhon Córdoba pela direita para um remate cruzado que obrigou Diogo Costa a uma intervenção a uma só mão que evitou o golo (17′) antes de nova tentativa de Jhon Arias no canto para nova defesa (18′). A estratégia não estava a resultava, com Vitinha fora do jogo, os colombianos sempre a ganhar em velocidade como voltou a acontecer num remate de Jhon Arias cortada por Rúben Neves perto da linha (22′) e o ataque a ter pouca margem para brilhar. Só na bola parada houve um remate enquadrado, num livre de Ronaldo.
MURALHA DIOGO COSTA ????#sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #Colombia #Portugal pic.twitter.com/pM5MhFfzXv
— sport tv (@sporttvportugal) June 27, 2026
25m [ ???????? Colômbia 0-0 Portugal ???????? ]
Portugal ainda não conseguiu meter/receber qualquer passe ou cruzamento (4 tentados) na área#COLPOR #FIFAWorldCup pic.twitter.com/QQfr6vROtx
— GoalPoint (@_Goalpoint) June 27, 2026Nem mesmo a paragem para hidratação mudou aquilo que estava a ser a linha de jogo na primeira parte, com os sacos e coletes de gelo por causa do calor e da humidade a não serem suficientes para refrescar ideias. Era a mobilidade da Colômbia, sobretudo no jogo pelos corredores laterais, que surgia como único fator capaz de ser diferenciador no encaixe das equipas até ao minuto 35. A partir daí, e de forma paulatina, Portugal foi assumindo mais a partida, conseguiu encontrar os espaços que lhe faltavam pelas alas e criou três grandes oportunidades para marcar até ao intervalo: Bruno Fernandes rematou sozinho na área após assistência de João Cancelo para uma defesa fabulosa de Camilo Vargas (38′), Rúben Neves testou a meia distância que saiu a rasar o poste da baliza contrária (39′) e João Félix, na sequência de um lançamento lateral longo de Nuno Mendes, conseguiu fazer bem a finta mas atirou por cima da trave (42′). Puerta ainda teve um tiro rasteiro à figura (45′), James Rodríguez voltou a tentar de fora (45+2′) mas o intervalo chegaria sem golos.
João Félix tão perto ????#sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #Colombia #Portugal pic.twitter.com/C3HBS10p3d
— sport tv (@sporttvportugal) June 28, 2026
MVP AO INTERVALO ⏱️[ ???????? Colômbia 0-0 Portugal ???????? ]
Renato Veiga ???????? somou 11 acções defensivas no 1º tempo, um verdadeiro bombeiro nos (várias) apertos na área
???? Aposta e vê todos os jogos do Mundial na Betano#COLPOR #FIFAWorldCup #FIFAWorldCup #RatersGonnaRate pic.twitter.com/BSt59gSQrL
— GoalPoint (@_Goalpoint) June 28, 2026
INTERVALO ⏱️[ ???????? Colômbia 0-0 Portugal ???????? ]
???? 1ª parte muito animada, para nervos “neutrais” :)???? Colômbia abriu e fechou por cima mas Portugal teve as suas ocasiões???? Renato Veiga ???????? foi o MVP do 1º tempo, à custa do muito serviço defensivo eficaz nos momentos de maior… pic.twitter.com/ih3dPjewrm
— GoalPoint (@_Goalpoint) June 28, 2026Era necessário mexer para melhorar, Roberto Martínez não demorou e fez logo uma dupla alteração durante o intervalo, com as saídas de João Cancelo e Rúben Neves para as entradas de Diogo Dalot e João Neves. O efeito não foi imediato mas notou-se: Portugal ganhou outra estabilidade em todas as ações, deixou de ficar exposto às transições e conseguiu criar situações com mais jogadores em zonas de finalização, como se viu num bom cruzamento de Diogo Dalot da direita para o desvio de João Félix de cabeça ao lado (51′). Ainda houve dois tiros de meia distância de Jefferson Lerma (51′) e Jhon Arias (55′) para defesa de Diogo Costa mas as características do encontro tinham mudado, com Portugal a ter períodos de posse muito maiores para ir controlando os ritmos e momentos e evitar um jogo mais partido como no final da primeira parte. Néstor Lorenzo respondeu quase de imediato, com as entradas de Richard Ríos e Luis Suárez em campo.
60m [ ???????? Colômbia 0-0 Portugal ???????? ]
Cristiano Ronaldo soma o 2º fora-de-jogo (ambos em jogadas de perigo), tantos quanto todos os outros jogadores em campo somados#COLPOR #FIFAWorldCup pic.twitter.com/xPJPYNmU9o
— GoalPoint (@_Goalpoint) June 28, 2026Na primeira vez que tocou na bola, o médio do Benfica quase marcou: grande passe de James Rodríguez nas costas de Nuno Mendes para a entrada de Santiago Araias, cruzamento atrasado para a entrada de Richard Ríos e remate de primeira a sair perto do poste da baliza de Diogo Costa (62′). A Colômbia, coincidência ou não, mexeu e melhorou muito, tendo várias ações com perigo entre um tiro de Suárez desviado em Renato Veiga (64′), uma grande defesa de Diogo Costa a remate de Jhon Arias (66′) e uma meia distância de Puerta que voltou a passar muito perto do alvo (67′). Aproveitando a paragem para hidratação, Martínez voltava a mexer no conjunto nacional, com as entradas de Samu Costa e Rafael Leão por Vitinha e João Félix.
65m [ ???????? Colômbia 0-0 Portugal ???????? ]
As 6 defesas de Diogo Costa já valem 1 golo evitado (0.6 vs xSaves), com o guardião a disputar o MVP com Renato Veiga#COLPOR #FIFAWorldCup pic.twitter.com/r20n2aH09J
— GoalPoint (@_Goalpoint) June 28, 2026
75m [ ???????? Colômbia 0-0 Portugal ???????? ]
Os “cafeteros” já levam 2⃣1⃣ remates, quase o dobro de Portugal (11)#COLPOR #FIFAWorldCup pic.twitter.com/JWRbvG3esR
— GoalPoint (@_Goalpoint) June 28, 2026O encontro ia caminhando para a sua fase decisiva, com a Colômbia a levar quase o dobro dos remates de Portugal no jogo e a não perder nenhuma oportunidade para sair em transições rápidas que não tiveram a melhor definição no penúltimo e antepenúltimo toques, ao passo que a Seleção, apesar do nulo que deixava a equipa na segunda posição do grupo, também tentava jogar por um seguro que já não se conseguia perceber, tendo em conta que o segundo lugar estava seguro – ou seja, empatar ou perder significava o mesmo para a classificação. Aliás, foi quem não precisava de ganhar, a Colômbia, que beneficiava de mais chances de golo, com Rúben Dias a ter um corte providencial perto da linha, Diogo Costa a fazer um corte in extremis com os pés após cruzamento de Quintero e Luis Suárez a atirar na recarga por cima (88′) e Davinson Sánchez a conseguir mesmo marcar num lance que acabou por ser anulado por pouquíssimos centímetros (90′). O nulo acabou por ser o final possível para quem também não quis acelerar para procurar algo mais…









