Comerciantes temem demolição de El Junquito após sismos
Ronald Pena R/EPA
Comerciantes e residentes em El Junquito, nas montanhas que unem Caracas com o Estado de La Guaira, disseram à Lusa estar preocupados com alegados planos de demolir todos os prédios do centro da povoação.
Os comerciantes, entre eles vários portugueses, explicaram no sábado que temem que a demolição se concretize, apesar de algumas propriedades não terem sofrido danos materiais, confirmando, no entanto, que alguns edifícios pequenos, casas e lojas foram parcialmente afetados, e que inclusive uma padaria de portugueses ruiu na totalidade.“Fazemos um papelo aos engenheiros e a quem nos possa ajudar porque querem demolir toda a povoação e há edificações que são seguras, que não sofreram danos materiais. Queremos que alguém entendido nesta matéria nos dê a certeza se há que demolir ou não”, explicou uma lusodescendente.Deisy Abreu precisou que não se trata penas de lojas, também de casas e lares, sublinhando que é muito desagradável que prédios que estão em boas condições, que não estão afetados, também tenham que ser desocupados simplesmente porque querem demolir.
No entanto a lusodescendente admitiu que para os proprietários “é legítimo aceitar que alguém, com documentos em mãos, prove que tudo terá deve ser demolido porque se trata de um barranco que causará problemas em uns anos”, sublinhando, no entanto, que nesse caso é preciso apoiar as famílias que vão ficar sem casa.Deisy Abreu explicou que, junto da padaria de portugueses que ruiu, está a entrada do bairro La Toma, que deverá ser demolido e onde vivem mais de 30 famílias, que não querem deixar os lares porque foi onde viveram toda a vida.“Esse lado é o que ficou mais afetado e é preciso ajudar essas pessoas, dar-lhes a segurança de um teto, que podem sair que não lhes faltará nada”, disse.Por outro lado, disse que, dada a gravidade dos sismos que afetaram a Venezuela, “todos estão necessitados” e que veria com bons olhos qualquer ajuda da parte de Portugal.
“Sou filha de um português, o meu pai e os meus avós são da Madeira”, frisou.A lusodescendente agradece a ajuda, em bens materiais, recebida nos últimos dias, mas mostrou-se preocupada sobre o que poderá acontecer em breve.“Muita gente trouxe ajuda, mas o nosso medo é que essas ajudas terminem. Espero que no dia de amanhã quando as pessoas tiverem fome e não saibam o que fazer, que não se esqueçam de nós”, disse.Por outro lado, Maria Esperanza González, explicou à Lusa que viveu toda a sua vida em El Junquito, onde já os seus pais tinham propriedades, que acredita não precisarem de ser demolidas.
“Estamos verdadeiramente preocupados e fazemos um apelo urgente, aos organismos governamentais, aos engenheiros, a que nos ajudem, que façam um estudo dos solos de cada um dos estabelecimentos, para que não haja atuações arbitrárias. Que com provas em mãos nos digam o que há ou não que demolir e como vamos resolver a questão dos estabelecimentos comerciais”, disse.Explicou ainda que são fundadores da povoação turística e que, além das lojas, há também casas que não foram afetadas e pediu que se divulguem vídeos dos prédios que estão intactos.“A situação mais complicada, do centro da população, é a padaria que ruiu por completo, num momento em que se encontravam pessoas na parte de cima, nas habitações e que teriam perdido a vida”, disse.Segundo Maria Esperanza González, alguns comerciantes estão a abandonar as lojas, por temer sejam demolidas, ficando expostos à insegurança.A comerciante Ana Pérez explicou à Lusa que há 20 anos que trabalha em El Junquito, sublinhando que tem dois estabelecimentos comerciais e mais de 25 empregados.
“Queremos manter as nossas lojas porque vivemos delas e dos turistas, e temos muitos empregados por nossa conta. Precisamos que nos deixem continuar a trabalhar”, disse.Ana Pérez desabafou ainda que, três dias após os fortes sismos, El Junquito continua às escuras, sem abastecimento de eletricidade, pelo que em qualquer momento os produtos que as pessoas guardam no frigorífico vão-se estragar.










