Polícia investiga anúncios na Vinted por suspeita de tráfico
▲Não se sabe, para já, se a Vinted não está a ser objeto de mais uma teoria da conspiração ou se existirão provas de alguma ligação concreta a esquemas de tráfico humano
BELGA MAG/AFP via Getty Images
Um urso de peluche para venda, cuja descrição parece incluir a idade, a altura e o tamanho de roupa de uma criança. Um pequeno brinquedo à venda por 25 mil euros. A estranha série de anúncios na plataforma para venda de objetos em segunda mão Vinted, que incluem fotografias de brinquedos cujas descrições parecem não bater certo, começou por levantar suspeitas sobre um possível esquema de tráfico de crianças entre internautas, chegando a comentar-se que esta seria a mais recente “teoria da conspiração” das redes sociais. Mas o assunto ganhou novas proporções e está agora a ser investigado pela polícia francesa.
Há dezenas de fotografias e vídeos nas redes sociais que estão a circular nas redes sociais — vários deles já se tornaram virais — e que parecem mostrar o mesmo padrão: um produto aparentemente aleatório, normalmente infantil, com descrições que parecem descrever as dimensões de uma criança, ou a preços exorbitantes. Outros, escreve o El Mundo, descrevem o brinquedo como “pequeno e saudável”. Foi daqui que partiu a suspeita de que a referência poderia ser não ao produto que está supostamente à venda, mas a uma criança que pode estar em risco de ser traficada.
Se a estranheza destas vendas online começou por ser comentada e disseminada por utilizadores de redes sociais, a rádio Europe 1 já confirmou que a polícia francesa está mesmo a investigar o caso e que as autoridades partilharam a informação com o PHAROS — o centro nacional francês que investiga conteúdos ilegais na internet.
O Europe 1 explica que as autoridades francesas suspeitam de que tenha sido montado, através destes anúncios, um “sistema de comunicação em código” usado para “pesquisas sobre pedofilia”.Já houve suspeitas do mesmo género sobre outras plataformas e sites, embora as investigações não tenham chegado a conclusões concretas. Em 2020, como recorda o El Mundo, a Wayfair foi alvo de várias investigações por causa de anúncios de móveis que incluíam nomes próprios de mulheres, mas ficou provado que as investigações não tinham fundamento. No site Etsy, as suspeitas começaram graças a fotografias de pizzas vendidas a preços exorbitantes, mas uma investigação interna não descobriu nenhum crime — ainda assim, os anúncios foram retirados.Também sobre a Vinted não se sabe, para já, se tudo não passa de mais uma teoria da conspiração ou se existirão provas de alguma ligação concreta a esquemas de tráfico humano, usando os anúncios para descrever crianças reais ou pelo menos começar contactos com esse fim.










