CIÊNCIA

São Vicente contra centro de pernoita para sem-abrigo

Moradores na freguesia lisboeta de São Vicente manifestam-se, na terça-feira, contra a decisão da Câmara de instalar um centro de pernoita para pessoas em situação de sem-abrigo num local que consideram não ter condições para o efeito.
Com este protesto, os moradores da Rua Álvares Fagundes, Rua General Justiniano Padrel e envolvente querem “dar visibilidade pública a um processo conduzido sem informação, sem participação e sem respeito institucional”, e exigir que a Câmara Municipal de Lisboa (CML) “explique os critérios que levaram à escolha das antigas garagens de dois prédios municipais geridos pela Gebalis como localização do centro”, que consideram uma decisão “tecnicamente inadequada e socialmente insensível”, informaram hoje, em comunicado.Os moradores salientaram que o centro de pernoita foi instalado numa rua sem saída, com acesso único pela Rua Álvares Fagundes, “concentrando entradas, saídas, evacuação, circulação de meios de socorro e resposta a ocorrências num espaço já marcado por problemas acumulados de mobilidade, estacionamento, circulação de emergência, iluminação pública, limpeza urbana e ordenamento do espaço público”.Adicionalmente, realçaram, o centro foi instalado ao lado de um parque infantil que precisa de ser requalificado, “aumentando a preocupação das famílias e reforçando a perceção de que a decisão municipal não teve em conta a realidade do território nem a presença diária de crianças, idosos e residentes vulneráveis”.
Reconhecendo a importância de respostas sociais para pessoas em situação de sem-abrigo, os moradores defenderam que “trazer mais problemas a um local onde já existem problemas não é solução — é negligência”.A manifestação está marcada para as 18:00 da próxima terça-feira, 30 de junho, junto ao centro de pernoita, e pretende exigir à CML que reveja a decisão tomada “apesar da oposição expressa da comunidade”.Os moradores lançaram também uma petição pública dirigida ao presidente da Assembleia Municipal de Lisboa, André Moz Caldas, pedindo que seja recomendado à CML que não proceda à abertura do equipamento enquanto não forem prestados esclarecimentos essenciais e concluída a reavaliação da decisão.Contactado pela Lusa, o presidente da Junta de Freguesia de São Vicente, André Biveti (PS), disse estar “solidário” com a população que “sente que não foi ouvida neste processo”.
“Evidentemente estamos também solidários com a Câmara, no sentido de se procurarem respostas sociais e deste género que sejam dadas à comunidade em situação de vulnerabilidade, mas estamos a colocar mais uma camada de vulnerabilidade num sítio em específico que não tem condições”, sublinhou o autarca.Para André Biveti, a instalação do centro de pernoita naquele local vai contribuir para a “degradação daquilo que já é um sítio populacional com algumas vulnerabilidades”.A Junta de Freguesia pediu à CML o plano funcional do projeto, para perceber melhor como seria esta resposta, quantas pessoas abrange, ou como iriam dormir, mas essa informação não lhes foi facultada até ao momento.“Eu sou um otimista antropológico, portanto eu acredito que há sempre possibilidade de se reverter processos que parece que estão inquinados à partida e acredito que a Câmara, eventualmente, depois desta demonstração de descontentamento da população, terá vontade, pelo menos, de tentar articular isto com a comunidade”, afirmou André Biveti.

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