CIÊNCIA

Jardim aconselha Montenegro a afastar-se de Passos Coelho

A maioria absoluta sonhada por Luís Montenegro não vai acontecer a não ser que o primeiro-ministro “mude o Governo”, a sua “maneira de atuar” e que “mande o Passos Coelho dar uma volta ao bilhar grande”. As palavras são de Alberto João Jardim, ex-presidente do Governo Regional da Madeira, numa entrevista publicada esta segunda-feira no jornal Público.
No entanto, o antigo líder regional, saudosista da social-democracia liderada por Sá Carneiro, admite não ter “muito interesse neste PSD” e cola Luís Montenegro a Pedro Passos Coelho, que diz ter “mudado o ADN do PSD”, tornando-o num “partido conservador, economicista e centralizador”. Segundo Jardim, os dois “são aves da mesma plumagem”.Apela a que se faça o bloco central que defende “há 30 ou 40 anos”, mas teme que só se chegue lá num “ponto tão degradante que um dia o PS e o PSD vão tomar juízo”. Justifica desta forma o seu apoio ao almirante Henrique Gouveia e Melo nas últimas eleições presidenciais.Sobre José Luís Carneiro, o ex-presidente do Governo Regional elogia-lhe a moderação. “Não lhe vejo é força para dar o salto”, admite. Sem bloco central, e mesmo que a liderança do Governo rodasse de volta ao PS, Jardim considera que o cenário de negociação alternada com o Chega se iria repetir. Para que algo mude, diz que é preciso que “Montenegro faça outra equipa” e que José Luís Carneiro “deixe de ser situacionista e tímido ante as vozes mais esquerdistas do partido”.
Já sobre a reforma laboral, entende que ela não se faz de forma tão alargada como a tentada pelo Executivo de Montenegro, mas sim “às pinguinhas”. “Mete-se uma coisa, depois outra, negoceia-se uma coisinha comum… E não se toca em coisas que as pessoas, depois dos benefícios do 25 de Abril, em que houve uns certos exageros, também não se tiram assim de um dia para o outro”, garantiu ao jornal.“Estão malucos! Para mexer na lei laboral, vai-se petit à petit, l’oiseau fait son nid [pouco a pouco, o pássaro faz o seu ninho], como dizem os franceses”, citou ainda Alberto João Jardim.

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