CIÊNCIA

Primatas conseguem emitir risos semelhantes aos humanos

Os risos de grandes primatas como chimpanzés e bonobos podem ter ritmos semelhantes aos dos humanos. Esta é a conclusão de um estudo publicado na revista científica Communications Biology, na quinta-feira.
“O riso é uma forma importante e universal de expressão vocal não linguística humana e, por ser compartilhado por todos os grandes símios existentes, oferece um valioso indicador para rastrear a evolução do controlo vocal que, em última análise, possibilitou o desenvolvimento da linguagem. No entanto, surpreendentemente, pouco se sabe sobre a evolução da sua característica definidora: o ritmo”, refere o resumo do estudo.As principais diferenças entre o riso humano e o de primatas são a rapidez, variação e sensibilidade do riso humano, afirmou à Reuters a investigadora Chiara De Gregorio, uma das autoras do estudo, algo que evoluiu ao longo dos últimos 15 milhões de anos e diferenciou as duas espécies.“Chimpanzés e bonobos são, de facto, os nossos parentes mais próximos e o seu riso é geralmente mais semelhante ao nosso do que o de gorilas e orangotangos”, refere De Gregorio, que também destaca o “grau de complexidade rítmica e flexibilidade” do riso humano.
Os investigadores analisaram gravações do riso de 13 primatas (quatro chimpanzés, quatro orangotangos, três bonobos e dois gorilas), e de quatro crianças, entre os seis meses e os sete anos. Foram medidas as durações de cada riso e a sua variabilidade, assim como o controlo motor vocal e a regularidade.As gravações das crianças foram feitas nas suas respetivas casas, quando brincavam com as suas mães, e as dos primatas foram realizadas entre 2004 e 2006, em sete jardins zoológicos diferentes, enquanto os animais recebiam cócegas de tratadores ou brincavam, refere o estudo.“Uma diferença marcante é que os humanos parecem ser capazes de modificar a estrutura temporal do riso de acordo com o contexto. No nosso estudo, encontrámos poucas evidências de que os grandes símios alterem a estrutura rítmica do riso em diferentes situações da mesma forma que os humanos, embora pesquisas futuras possam revelar formas mais subtis de variação”, explica De Gregorio, à Reuters.Os resultados deste estudo, segundo a investigadora, podem ser importantes para definir a origem da linguagem humana, assim como os “fundamentos sociais e emocionais” da criação humana, pois os ancestrais do Homo sapiens “já possuíam um controlo vocal mais sofisticado do que os macacos modernos, representando um importante passo em direção à fala e à linguagem”.
“Ainda não sabemos exatamente como os nossos ancestrais se comunicavam, mas agora temos uma ideia muito mais clara de como eles podem ter rido”, assinala De Gregorio, que acredita que o riso “tenha evoluído como um sinal social que ajuda a manter interações positivas e fortalecer laços sociais”.

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