CIÊNCIA

Crimeia. Como a Ucrânia isola a "joia da coroa" de Putin


O principal foco é também o turismo — a grande fonte de receitas na Crimeia, principalmente nesta altura, que marca o início da época balnear. À CNN Internacional, o dono de uma pousada na cidade costeira de Noviy Svet descreveu o ambiente como “cauteloso, mas longe de haver pânico”. “Falando sobre nós pessoalmente, não vejo qualquer impacto crítico no trabalho da pousada neste momento. Os hóspedes continuam a vir; as praias, os cafés e as infraestruturas turísticas estão a funcionar. Mas existe incerteza e as pessoas estão mais atentas às notícias”, conta.
Em todo o caso, as autoridades pró-russas da Crimeia declararam o estado de emergência na região. Numa mensagem no Telegram publicada na passada sexta-feira, o governador Sergei Aksyonov justificou a decisão com a escassez energética. “O quadro legal do estado de emergência permite a rápida resolução de questões relacionadas com a manutenção do funcionamento de todos os setores essenciais”, afirmou.Ao mesmo tempo, Sergei Aksyonov admitia que não sabia “quanto tempo ia vigorar” este estado de emergência. “Não posso divulgar um plano específico de ação, mas estamos a agir”, garantiu, concedendo que “infelizmente” os sistemas de defesa aéreos da Crimeia “não estão a ser perfeitos em termos de segurança e eficácia”. Para já, o governador assegurou que não havia “quaisquer restrições na liberdade de circulação” e não existe qualquer recolher obrigatório.Por causa da situação, milhares de pessoas abandonaram a Crimeia nos últimos dias. Perante condições cada vez mais precárias, muitos turistas e habitantes da península decidiram regressar à Rússia. Têm sido registadas longas filas na ponte de Kerch, uma infraestrutura que se encontra, contudo, frequentemente encerrada devido aos ataques ucranianos.
Thousands queue to escape Crimea.
Footage shows a massive queue of cars trying to cross the Kerch bridge out of Crimea as people attempt to leave the occupied peninsula. Russian-installed authorities have just declared a state of emergency after days of intensive Ukrainian… pic.twitter.com/dagOxih4xX
— The Telegraph (@Telegraph) June 26, 2026O Presidente ucraniano revelou a estratégia publicamente. “A nossa operação, incluindo a que diz respeito à Crimeia, está a ser calculada cuidadosamente. A forma como a operação se está a desenrolar prova-o totalmente: se a Ucrânia receber exatamente o que precisa dos parceiros do G7, vamos criar as condições que vão forçar a Rússia a escolher a paz“, anunciou Volodymyr Zelensky, no discurso noturno da passada quarta-feira. Esta iniciativa faz parte de um plano de 40 dias para obrigar a Rússia a sentar-se à mesa das negociações.O isolamento da Crimeia visa precisamente isso: obrigar a Rússia a negociar e a recuar nas suas exigências maximalistas. Como analisa o especialista em política russa Mark Galeotti num artigo no The Times, o objetivo não é tomar a península pela força, pelo menos para já. “Algumas vozes mais ambiciosas em Kiev pedem uma tentativa de tomar a península pela força, mas o consenso geral é que seria muito difícil. Está muito bem defendida.”
Na realidade, escreve Mark Galeotti, a Ucrânia quer pressionar Vladimir Putin com a hipótese real de perder a Crimeia, a “joia da coroa” e aquela que vê como a sua “conquista mais valiosa”. Kiev pretende que o Presidente russo aceite “sentar-se à mesa das negociações e que aceite a exigência da Ucrânia para um cessar-fogo imediato”. Paralelamente, ao trazer a guerra para território que a população russa vê como sua, os ucranianos esperam que a sociedade civil reaja.

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