Três imagens num minuto que explicam o que é um candidato
▲Kylian Mbappé marcou o primeiro golo em cima do intervalo e foi dedicar o momento ao técnico Didier Deschamps, que perdeu a mãe na semana passada
TIMOTHY A. CLARY
Siga aqui tudo sobre o Mundial-2026 no Observador
Era uma fórmula quase típica de Football Manager, aquele jogo virtual que nos faz a todos achar que somos os melhores treinadores do mundo porque vemos aquilo que mais ninguém vê: troca-se um central, mexe-se no lateral esquerdo, roda-se um dos médios centrais, opta-se por um ou outro avançado para andar mais pela esquerda. Ao contrário da Argentina, campeã mundial em título que constrói tudo em torno de Lionel Messi, a França tem uma profundidade de opções que lhe permite gerir como quiser e quando quiser qualquer compromisso neste Mundial de 2026 sem perder qualidade ou objetividade. Agora, e mais uma vez, não seria diferente. Aliás, a única diferença depois da goleada frente à Noruega, que teve Ousmane Dembélé como principal protagonista com um hat-trick em 32 minutos, foi mesmo o regresso de Didier Deschamps.
A França marcou sempre 3 ou mais golos nos 4 jogos disputados nesta edição do Campeonato do Mundo ????⚽
???? É a primeira vez que a seleção gaulesa consegue este feito:
3-1 vs Senegal3-0 vs Iraque4-1 vs Noruega3-0 vs Suécia pic.twitter.com/thJv4LO7QY
— Playmaker (@playmaker_PT) June 30, 2026Depois da morte da mãe, o selecionador francês deslocou-se ao funeral e deixou a equipa (bem) entregue ao seu adjunto de sempre, Guy Stéphan. Agora, de volta ao banco, a fórmula foi a mesma: Lucas Digne entrou no lugar de Théo Hernández (o mais “discreto” na última partida), Saliba voltou ao eixo central por troca com Lacroix, Rabiot voltou ao meio-campo para a vaga de um Koné que não merecia sair pelas boas exibições que teve, Barcola rendeu mais uma vez Doué na frente de ataque com as outras três posições cativas. “A Suécia é uma equipa sólida, que tem muito o foco nos três avançados. Os clubes investiram muito dinheiro para terem esses jogadores porque são muito bons, rápidos e fortes principalmente nos contra-ataques”, advertia Deschamps, recordando os muitos milhões investidos em Alexander Isak, Gyökeres e Elanga.
Again and again ????#FIFAWorldCup pic.twitter.com/McMG3YjW8h
— FIFA World Cup (@FIFAWorldCup) June 30, 2026Do lado contrário, Graham Potter sabia que tinha um problema – até mesmo as principais referências não tinham feito os melhores jogos em termos coletivos no Mundial. Não é fácil montar uma equipa que consiga ser coesa e competitiva tendo três jogadores com aquelas características na frente mas essas dificuldades são também um espelho de uma Suécia que está longe de tempos áureos num passado recente (Ibrahimovic, por exemplo, tinha mais equipa do que se vê no cenário ideal). Era por isso que, depois das experiências a atuar apenas de acordo com a sua ideia de jogo (que correu muito bem com a Tunísia, que correu muito mal com os Países Baixos), o duelo com o Japão mostrara uma formação sueca a tentar encaixar no adversário para a partir daí tentar potenciar os seus pontos fortes. Na teoria, era o plano. Na prática, foi apenas um plano. E aquele “Finals Day” que surgia nas redes sociais antes do jogo começava a soar já a um… “Final Day”.
Slutspelsdags ????#FIFAWorldCup pic.twitter.com/wawlWcxkw1
— Svensk Fotboll (@svenskfotboll) June 30, 2026O encontro até começou com um remate fraco e à figura de Isak para defesa de Mike Maignan (3′) mas, aos poucos, a França foi assumindo o comando da partida com Jacob Widell Zetterstrom a assumir-se como a principal figura dos escandinavos, travando as tentativas de Lucas Digne (15′) e Kylian Mbappé, que ainda marcou isolado após um erro na primeira fase de construção sueca mas estava em posição irregular. Mais uma vez, e à semelhança do que tem acontecido em muitos encontros, a paragem para hidratação acabou por ser também uma mudança daquilo que estava a ser a história do jogo. É certo que, em quase 80% dos casos, quem está por baixo consegue equilibrar a partida e quem está a ser claramente superior passa a ter outra oposição do adversário. Aqui, no entanto, foram os gauleses que ligaram a sério o “rolo compressor”.
Rabiot ainda teve um remate cruzado na área após assistência de Mbappé que voltou a ser travado com o pé por Zetterstrom mas era hora do tiro aos ferros, com uma jogada trabalhada na direita por Dembélé e Jules Koundé a terminar com um passe ao segundo poste para o remate ao poste de Kylian Mbappé (32′) e uma tentativa de pontapé de moinho todo no ar de pé esquerdo de Michael Olise que bateu no poste (42′). As oportunidades eram mais do que muitas, com Zetterstrom a adiar ainda o golo que Olise tanto mereceu com mais uma grande intervenção com a ponta dos dedos a desviar para canto, e o golo lá acabou por surgir em cima do intervalo, com Olise e Dembélé a trabalharem um canto na esquerda, o passe a entrar em Mbappé e o remate ao poste contrário a não dar hipóteses (45′). Aí, três imagens resumiram o que é esta França: aquela corrida do capitão e dos restantes jogadores para dedicarem o momento a Didier Deschamps, a forma como Dembélé agarrou Mbappé depois do remate quando podia ter feito a assistência e a maneira como Mbappé e Olise pressionaram sem bola na frente na jogada seguinte. Este é o segredo – eles são uma equipa.
Mais uma no poste sueco ????
Olise ficou a centímetros de um golaço ????#sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #França #Suécia pic.twitter.com/vyaWO5eolc
— sport tv (@sporttvportugal) June 30, 2026
Mbappé adiantou a França em cima do intervalo ????????#sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #França #Suécia #betano pic.twitter.com/ZPcIq1ZCFA
— sport tv (@sporttvportugal) June 30, 2026
INTERVALO ⏱️[ ???????? França 1-0 Suécia ???????? ]
???? A França continua a esmagar na produção ofensiva, mesmo quando desperdiça: duas bolas aos ferros, defesas de Zetterstrom, mas Mbappé acabou por aparecer ainda antes do descanso, a dar uma vantagem justificada aos gauleses
???? Ratings… pic.twitter.com/pZerGMEA8g
— GoalPoint (@_Goalpoint) June 30, 2026A Suécia via a barreira defensiva cair em cima do descanso, num dos muitos momentos em que se perdeu na orientação das linhas em zona de pressão e deixou demasiado espaço para quem não pode ter sequer uma “nesga”. Aconteceu uma vez, duas vezes, variadas vezes. E, quando voltou a acontecer no arranque do jogo após o intervalo, acabou por sentenciar a partida: Tchouaméni recuperou e deu em Olise, o ala do Bayern, que voltou a jogar mais no meio, teve todo o espaço para receber, rodar e pensar o jogo de frente e voltou a ter uma assistência sublime para isolar Barcola para o 2-0 (53′). Até ao final, o encontro teve ainda mais sentido único, com Olise a ver por mais duas ocasiões o golo a ser negado pelo gigante Zetterstrom antes de fazer mais uma assistência só ao alcance dos melhores para Mbappé bisar para o 3-0 (74′). Viktor Gyökeres ainda obrigou Mike Maignan a uma defesa mais apertada mas a história do jogo estava contada.
Olise descobriu Barcola para o segundo dos Bleus ????#sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #França #Suécia #betano pic.twitter.com/gLXP44Z6E0
— sport tv (@sporttvportugal) June 30, 2026
Pura fantasia do ataque francês ????????????
Mais uma bola com olhos de Olise para mais um golo de Mbappé ????♂️#sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #França #Suécia #betano pic.twitter.com/t9rCkbHAxr
— sport tv (@sporttvportugal) June 30, 2026
???????? France 3-0 Sweden ????????
Just getting started it seems with Mbappé and Olise looking like an all-time great combo. pic.twitter.com/tMFiHOom52
— Opta Analyst (@OptaAnalyst) June 30, 2026
Kylian Mbappé voltou a bisar e a mostrar-se como grande referência ofensiva da França mas há um jogador que, neste Mundial-2026, continua a jogar muito mais do que os números e as estatísticas estão a mostrar: Michael Olise. O esquerdino do Bayern, que mais uma vez deixou a ala direita para pisar terrenos mais centrais, fez assistências para os golos de Barcola e Mbappé, teve um pontapé de moinho que bateu no poste quando seguia direitinho para o top 3 dos melhores golos da competição e ainda viu por quatro ocasiões o gigante Zetterstrom negar-lhe o único momento que faltou numa grande exibição.
“Bonsoir, Puis-je entrer?” ????
KYLIAN MBAPPÉ ???????? segue imparável e entra para o “clube dos 10” deste Mundial, agora com 4 nomes:
???????? Kylian Mbappé ⭐️???????????? Eloy ROOM⭐️???????? Leo MESSI ⭐️???????? Pape GUEYE ⭐️
????Recebe os StatsCards d no WhatsApp!???? pic.twitter.com/5JhoLvpA5U
— GoalPoint (@_Goalpoint) June 30, 2026
Make it five for the most by a player at a single World Cup since Thomas Häßler for Germany in 1994, and it seems like this France team will give him a few more matches to improve on it. pic.twitter.com/OFT7ol6QbZ
— Opta Analyst (@OptaAnalyst) June 30, 2026
A Suécia pode deixar este Mundial-2026 com uma imagem que nada teve a ver com aquela que deixou na primeira parte com a Tunísia. Mais: as principais estrelas, Isak e Gyökeres, estiveram a anos-luz do que conseguem fazer, num prolongamento de um conjunto sueco que teve uns fogachos de Elanga e Ayari e pouco mais. No entanto, houve um nome, e só um, que ganhou créditos nesta fase final para dar o salto para outros palcos: Zetterstrom, guarda-redes de 27 anos dos ingleses do Derby County, teve mais uma exibição fantástica, evitou que a Suécia fosse goleada e mostrou arcaboiço para outras ligas.
Resultado real: 3-0Resultado sem os ferros + Zetterstrom: 6⃣-0#FRASWE #RatersGonnaRate pic.twitter.com/1NVlmLdmNb
— GoalPoint (@_Goalpoint) June 30, 2026
Com este triunfo, naquele que foi o jogo dos 16 avos com menos “história” (não foi decidido nos últimos minutos, não passou por prolongamento nem caiu para os penáltis como os primeiros cinco desta fase), a França carimbou de forma natural a passagem aos oitavos de final, onde vai ter agora pela frente o Paraguai, que eliminou de forma surpreendente no desempate por grandes penalidades a Alemanha. Já em relação à Suécia, foi uma despedida esperada de um Mundial-2026 onde conseguiu apenas uma vitória e um empate entre duas derrotas, sofrendo dez golos em quatro jogos. Graham Potter tentou ser uma solução para ter resultados imediatos mas agora tudo deverá ser motivo para uma longa reflexão.
Six spots filled ✅10 more to go ????#FIFAWorldCup #Qualified @mcdonalds pic.twitter.com/JC9nTqyWnY
— FIFA World Cup (@FIFAWorldCup) June 30, 2026
É um chavão que agora parece ter tomado conta do futebol. Uns dizem que é muito complicado criar oportunidades e marcar golos a equipas que jogam com blocos muito baixos, outros lamentam quando a sua equipa é pressionada com zonas mais altas para condicionarem a primeira fase de construção. Para um e outro “problema”, a França encontra sempre soluções, como se voltou a ver diante da Suécia. E porquê? Porque quando não existem espaços, é preciso criá-los. É esse o grande mérito dos gauleses, que juntam quatro dos melhores avançados do mundo a jogar de uma forma móvel que tira referências aos adversários sem perder a consistência defensiva com dois médios todo-o-terreno e uma linha recuada que joga uns metros à frente mas não se importa em dar profundidade ao adversário.
Six for the tournament to draw even with Messi, 18 for his career to get within one of Messi.
Paraguay next up to share any ideas on how to stop this. pic.twitter.com/xuM8i35azD
— Opta Analyst (@OptaAnalyst) June 30, 2026









