Chapo: xenofobia na África do Sul "está a piorar"
▲Nove moçambicanos já foram mortos e 738 repatriados devido aos ataques
HARUNA FURUHASHI / POOL/EPA
O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, reconheceu esta quarta-feira o agravamento da xenofobia na África do Sul, na sequência de incidentes violentos envolvendo cidadãos moçambicanos, e garantiu existirem condições logísticas para o repatriamento e acolhimento das vítimas.
“Recebemos, portanto, os nossos compatriotas, já temos machimbombos [autocarro de passageiros] alugados para poderem carregar os moçambicanos”, garantiu o chefe de Estado moçambicano, durante um balanço sobre a sua visita à província de Cabo Delgado, norte de Moçambique.Segundo Daniel Chapo, a situação na África do Sul, marcada por recorrentes episódios de xenofobia, “está a piorar”, levando o Governo a reforçar a assistência aos moçambicanos que regressam ao país, através da disponibilização não só de transporte, mas também de alimentação.“Chegam na fronteira de Ressano Garcia, logo a primeira recebem assistência alimentar, portanto, uma comida quente e a partir daí faz-se a triagem”, disse o Presidente.
Daniel Chapo apontou ainda o caso de 194 moçambicanos, entre homens, mulheres e crianças, que perderam as suas habitações na região de Mamelodi, em Pretória, após ataques de manifestantes anti-imigração, ocorridos num contexto de crescente pressão contra estrangeiros.“A polícia levou este grupo de moçambicanos para o Alto Comissariado de Moçambique, em Pretória (…), que os acolheu e lhes proporcionou as condições básicas de alimentação”, avançou, indicando que os mesmos regressaram ao país nas primeiras horas desta quarta-feira.Pelo menos 283 moçambicanos foram agredidos, viram as suas casas incendiadas e bens vandalizados na última vaga de ataques xenófobos na vizinha África do Sul, avançou esta quarta-feira o Governo de Moçambique, que tenta assegurar assistência e o repatriamento.“Um total de 283 cidadãos moçambicanos foi afetado pelos atos de violência e intimidação registados durante as manifestações anti-imigrantes ocorridas esta terça-feira, 30 de junho, em diferentes províncias da República da África do Sul”, lê-se num comunicado do Gabinete de Informação de Moçambique (Gabinfo).
Segundo este órgão, do total, 194 moçambicanos na região de Mamelodi perderam as suas residências, que foram incendiadas por manifestantes, já na província de KwaZulu-Natal, outros 38 moçambicanos foram agredidos e forçados a abandonar as suas residências, estando agora sob proteção policial local enquanto se avança igualmente com o processo de repatriamento.“Na província de Limpopo, 51 cidadãos moçambicanos procuraram abrigo num centro comunitário de desastres, na sequência de ataques e atos de intimidação, estando igualmente a ser acompanhados para efeitos de assistência e regresso ao país”, lê-se no documento.De acordo com o Gabinfo, as missões diplomáticas e consulares de Moçambique na África do Sul acompanham a situação e continuam a prestar assistência e proteção consular aos cidadãos nacionais afetados pelos ataques xenófobos naquele país.Manifestantes anti-imigração sul-africanos deram ultimato até 30 de junho, terça-feira, para todos os estrangeiros abandonarem o país e o Governo da África do Sul anunciou nos últimos dias restrições às políticas migratórias e o reforço da segurança.
Antes, o Governo moçambicano admitiu desafios relativos ao repatriamento e reintegração de cidadãos nacionais vítimas de xenofobia na vizinha África do Sul, quando nove moçambicanos já foram mortos e 738 repatriados devido aos ataques.Moçambique tem cerca de 300.000 cidadãos residentes na África do Sul. A Presidência indicou, em comunicado, que “milhares” já regressaram ao país face à violência.










