Ministro diz que futuro do azeite depende de inovação
▲Portugal recebe, entre esta quinta-feira e sexta-feira, o evento Olive Oil World Congress
MANUEL DE ALMEIDA/LUSA
O ministro da Agricultura e Mar defendeu esta quinta-feira, em Lisboa, que o futuro do setor do azeite depende da inovação, mas também de investimento, pedindo que a nova Política Agrícola Comum não perca o que já está a funcionar.
“O azeite é a pedra angular dos contextos mediterrâneos, com conhecidas características em termos de saúde e valor cultural e promover isto vai ser fundamental para termos uma maior presença global. O futuro depende da nossa capacidade de inovar, ao mesmo tempo que mantemos a tradição”, afirmou o ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes, na abertura do Congresso Mundial do Azeite, em Lisboa.Para o governante, o setor precisa de continuar a inovar, mas também precisa de investimento, tecnologia, competitividade, sustentabilidade e coesão.O antigo eurodeputado sublinhou que a agricultura “também é defesa”, pois é preciso garantir que a comida chega ao prato.Contudo, avisou que não é possível fazer mais com menos e, assim, José Manuel Fernandes referiu que Portugal é um dos maiores exportadores de azeite e que o setor teve uma transformação enorme nas últimas décadas, fruto da modernização, de novas tecnologias e da especialização.
Por outro lado, destacou o legado do país em matéria de proteção das variedades de azeitona e de padrões de qualidade.O ministro da Agricultura falou também da reputação internacional do setor do azeite, “resultado de um esforço coletivo de fortalecimento do setor agroalimentar”, mas também dos grandes desafios globais, que precisam de “uma resposta coordenada”. Entre estes encontram-se as alterações climáticas, a água e a sustentabilidade.“Embora o azeite seja conhecido como um produto de alta qualidade, ainda pode ser melhorado através de investimentos e promoção. Temos a obrigação, senhores ministros, de comunicar as nossas soluções a nível global”, notou, acrescentando que as oliveiras são um símbolo de “paciência, resiliência, paz, prosperidade e de vida longa, que o mundo precisa e as pessoas querem”.Na mesma sessão, o diretor executivo do Conselho Oleícola Internacional (COI), Jaime Lillo, referiu que apesar de o azeite ter as suas “raízes históricas e profundas” nos países mediterrânicos, hoje é produzido e consumido nos cinco continentes.
Apesar de sublinhar que a produção de azeite de mesa está a atingir recordes de produção a nível mundial, Lillo ressalvou que tal acontece num contexto geopolítico muito complexo.Em particular no que diz respeito ao setor do azeite em Portugal, o diretor do COI disse que o país apresenta “os níveis mais elevados” em matéria de sustentabilidade, competitividade e gestão inteligente dos recursos hídricos.Portugal recebe, entre esta quinta-feira e sexta-feira, o Olive Oil World Congress (OOWC), o maior evento dedicado ao setor do azeite, que vai reunir investigadores, produtores e empresas de vários países.O evento, organizado pela Agrifood Comunicación, terá lugar no Centro Cultural de Belém, em Lisboa, depois de uma primeira edição realizada em Madrid, em 2024.
O programa inclui o debate de temas como o futuro do setor, incluindo a adaptação às alterações climáticas, a digitalização e a aplicação da inteligência artificial.Segundo dados avançados pelo Governo, para a campanha de 2025 e 2026 estima-se uma produção de cerca de 179.000 toneladas, um valor semelhante ao do ano anterior.









