CIÊNCIA

Japão instala câmaras nas montanhas perante ataques de ursos

O Governo japonês começou a instalar mais de 800 câmaras de vigilância em zonas montanhosas no norte do país para recensear as populações de ursos, disse esta quinta-feira o Ministério do Ambiente japonês.
Desde 1 de abril, pelo menos cinco pessoas foram mortas por ursos na região de Tohoku (norte), após um número recorde de 13 ataques mortais em 2025, disse a mesma fonte, citada pela agência de notícias France-Presse.Está em curso uma investigação sobre uma sexta morte.Os habitantes daquela região vivem num medo constante, com os meios de comunicação nacionais a divulgarem diariamente relatos de ursos em galerias comerciais, parques ou mesmo nas proximidades de escolas.
Numa primeira fase, o objetivo é concentrar-se nas seis principais populações de ursos em Tohoku, antes de alargar a operação a todo o país ao longo dos próximos quatro anos, disse Yu Takahashi, responsável do ministério.Até aqui, as autarquias locais faziam o recenseamento dos ursos em cada território, cada uma em períodos diferentes e de acordo com métodos próprios”, acrescentou.O objetivo agora é obter um recenseamento mais preciso, concentrado nas diferentes populações de ursos, referiu.Com estes novos dados, as autarquias podem elaborar planos mais eficazes para gerir as populações de ursos.No âmbito desta operação, são colocados potes com uma mistura de mel e vinho à altura da cabeça de um homem.Em seguida, as câmaras fotografam as marcas brancas características que os ursos apresentam no peito quando se erguem nas patas traseiras para alcançar esta isca doce.
Nos últimos meses, os avistamentos de ursos têm-se multiplicado com o fim da hibernação, com os animais a aventurarem-se cada vez mais em zonas urbanas.De acordo com as estatísticas mantidas pelo Ministério do Ambiente japonês desde 2018, esta é a primeira vez que se registam mais de duas mortes no período de abril a junho.Os cientistas atribuíram o forte aumento dos incidentes ao crescimento da população de ursos e à diminuição do número de habitantes nas zonas rurais.As autoridades recomendaram que não se vá sozinho às montanhas, que cobrem cerca de 80% do território japonês. Nas deslocações, deve prender-se um sininho à mochila e levar ‘sprays’ anti-urso.

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