CIÊNCIA

Incêndio. A noite sem dormir em Castanheira do Vouga


Segundo o presidente da Câmara de Vouzela, ao início de sábado as frentes de incêndio mais preocupantes eram as de Cercosa e em São João do Monte. “Nós aqui continuamos com muitos pontos quentes, que nos obrigam a dispersar os meios por esses locais, continuamos com a temperatura elevadíssima, não baixou quase nada durante a noite e o vento com alguma intensidade”, relatou à agência Lusa.
Entre as conversas dos moradores com os bombeiros, a possibilidade de o incêndio ter tido origem em fogo posto é quase dada como adquirida. “Deviam era filmar quem vem atear o fogo, não é quem vem apagar”, comenta um operacional, de mangueira na mão. “Quem pega fogo à floresta devia ser mais castigado”, reclama outra moradora.O facto de o incêndio ter começado durante a madrugada leva, além dos moradores, o próprio ministro da Administração Interna a reconhecer indícios de origem criminosa na ignição. “Não é de noite que há condições para o surgimento de ignições e logo duas ignições por volta das 2h, 3h da manhã”, afirmou. “Tudo indicia que houve, de facto, um comportamento de mão humana, um comportamento criminoso”.Em declarações aos jornalistas em Torres Novas na sexta-feira, Luís Neves assumiu que o incêndio que deflagrou em Vouzela continuava a concentrar mais atenções dos operacionais. “Estamos muito concentrados neste grande incêndio que já atinge vários concelhos. (…) [O objetivo] É circunscrever este grande incêndio”.“O país está preparado. […] Estamos em situação de alerta”, assumiu, acrescentando que a coordenação entre as entidades envolvidas está “muito alinhada” e que o combate inicial aos incêndios tem sido bem-sucedido, permitindo extinguir rapidamente a maioria das ocorrências.No terreno, e perto do local onde esteve Luís Neves há poucas semanas, o incêndio fez dois feridos graves, um com queimaduras de segundo e terceiro grau e outro com traumatismo craniano, disse à Lusa Fonte da Proteção Civil.“Um homem de 55 anos ficou com queimaduras graves” quando tentava combater o fogo e um outro, de “34 anos, sofreu um traumatismo craniano grave” ao cair de uma carrinha particular que transportava água para combater o incêndio, indicou à Lusa o comandante Pedro Araújo da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC).Os dois feridos tiveram de ser retirados por helicópteros do INEM para unidades hospitalares próximas.

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