Maior mistério sobre o nosso Sol pode ter sido revelado
Pequenos grãos de poeira podem estar envolvidos em um dos fenômenos mais intrigantes do Sol: a coroa solar, camada externa da estrela, é milhões de graus mais quente que sua própria superfície.Continua após a publicidadeSegundo o Space.com, dados da Parker Solar Probe, da NASA, indicam que essas partículas podem interferir no transporte de energia próximo ao Sol e ajudar a explicar esse aquecimento fora do comum.
A atmosfera do Sol é milhões de graus mais quente que sua superfície. Cientistas buscam explicar esse fenômeno. – Imagem: Lukasz Pawel Szczepanski – ShutterstockSonda da NASA encontra sinais inesperados perto do SolA diferença de temperatura entre a superfície solar e a coroa intriga cientistas há décadas. Agora, pesquisadores da Universidade do Alabama em Huntsville apontam que a poeira, antes vista como pouco relevante nesse ambiente, pode ter participação nesse processo.A Parker Solar Probe chegou mais perto do Sol do que qualquer outra espaçonave e registrou sinais que podem estar relacionados ao impacto de partículas de poeira carregadas eletricamente contra a nave.O pesquisador principal Syed Ayaz explica que estudos anteriores analisavam principalmente elétrons, íons, campos magnéticos e ondas de plasma para entender como a energia se movimenta na atmosfera solar.
Durante décadas, os pesquisadores concentraram-se principalmente em como elétrons, íons, campos magnéticos e ondas de plasma transportam e dissipam energia na atmosfera solar. Nosso trabalho acrescenta um novo ingrediente a esse cenário: grãos de poeira.
Syed Ayaz, pesquisador principal, em nota.
A coroa solar só aparece durante eclipses, quando o brilho da superfície do Sol é bloqueado. – Imagem: NASA/Keegan BarberPoeira pode alterar o comportamento das ondas solaresA Parker Solar Probe não possui um detector específico de poeira porque, até então, esses grãos não eram considerados importantes para o funcionamento da coroa solar. A hipótese predominante era que o calor intenso destruiria essas partículas rapidamente.
Mesmo assim, os instrumentos FIELDS, responsáveis por medir campos eletromagnéticos e emissões de rádio, registraram sinais diferentes do esperado. Para a equipe, esses dados podem ser explicados por colisões entre partículas de poeira em alta velocidade e a sonda.Carregados eletricamente, esses grãos podem interagir com o campo magnético do vento solar e influenciar as ondas de Alfvén, que ajudam a transportar energia pelo plasma.Os pesquisadores analisam dois caminhos possíveis:
a massa da poeira pode dar mais inércia ao plasma e permitir que a energia alcance regiões mais profundas da coroa;
a carga elétrica das partículas pode aumentar a interação entre plasma, ondas magnéticas e campos eletromagnéticos;
a distribuição dessa energia pode determinar onde o aquecimento ocorre com maior intensidade.
“Se a massa da poeira for o fator dominante, a energia da onda [de Alfvén] poderá propagar-se mais profundamente na coroa solar”, afirmou Ayaz. “Se os efeitos da carga da poeira prevalecerem, a energia poderá ser liberada mais localmente, na forma de aquecimento de partículas.”Continua após a publicidade
Instrumentos da Parker Solar Probe captaram sinais que podem estar ligados a colisões com partículas de poeira. – Imagem: Solar Orbiter: ESA/ATG medialab; Parker Solar Probe: NASA/Johns Hopkins APLPróximas missões podem investigar partículas próximas ao SolCaso a influência da poeira seja confirmada, futuras missões solares poderão incluir equipamentos específicos para estudar essas partículas e entender melhor seu papel no ambiente próximo à estrela.“A questão mais ampla é fascinante”, disse Ayaz. “A poeira está apenas atravessando o ambiente próximo ao Sol ou está ajudando a moldar a forma como a energia eletromagnética se transforma em calor e no movimento do vento solar?”O estudo foi publicado em 1º de julho na revista The Astrophysical Journal. A pesquisa amplia o debate sobre os mecanismos que mantêm a coroa solar em temperaturas tão elevadas.
Valdir Antonelli
Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.
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