Mais de 32 Mil Consumidores de Drogas Procuraram Ajuda nas Unidades Sanitárias em 2025
Moçambique registou um aumento preocupante de casos ligados ao consumo de drogas ilícitas, com 32.281 pacientes atendidos nas unidades sanitárias em 2025 por perturbações mentais e comportamentais associadas ao uso de substâncias. Os dados representam um crescimento de 38% em comparação com o ano anterior, sinalizando o agravamento silencioso de um fenómeno que está a pressionar o sistema de saúde e a segurança pública.
A informação consta do Relatório Anual sobre a Evolução do Tráfico e Consumo de Drogas Ilícitas em Moçambique, divulgado esta semana pelo Governo e apresentado pelo porta-voz do Executivo, Inocêncio Impissa, durante um briefing à imprensa realizado após o término da sessão ordinária do Conselho de Ministros.
Segundo o documento, o aumento de pacientes com sintomas graves relacionados ao consumo de drogas revela não apenas o crescimento do consumo, mas também uma expansão do impacto social, sobretudo em jovens e comunidades vulneráveis, onde o fenómeno tende a surgir associado ao desemprego, criminalidade e fragilidade familiar.
No mesmo período, as autoridades moçambicanas apreenderam 4,4 toneladas de drogas diversas, numa operação contínua de combate ao tráfico e circulação de substâncias ilícitas. O Governo considera que o volume apreendido demonstra a dimensão das redes criminosas e a persistência de rotas de tráfico que atravessam o país.
No plano judicial, o relatório revela que foram detidos 617 indivíduos suspeitos de envolvimento no tráfico e consumo de drogas, dos quais 604 são moçambicanos e 13 estrangeiros. Em 2024, tinham sido registadas 603 detenções, o que mostra um aumento ligeiro, mas consistente, na acção repressiva do Estado.
Apesar do reforço das operações, especialistas alertam que as detenções e apreensões podem representar apenas uma parte do problema, uma vez que o tráfico se adapta rapidamente e muitas substâncias continuam a circular, especialmente em zonas costeiras e corredores comerciais estratégicos.
No campo da prevenção, o Governo informou que foram realizadas cerca de 60 mil palestras em todo o país sobre os riscos do consumo de drogas, abrangendo mais de 2,7 milhões de pessoas, um aumento de quase 50% em relação ao ano anterior. As autoridades defendem que a prevenção comunitária continua a ser uma arma central para travar o avanço do consumo, sobretudo entre adolescentes e jovens em idade escolar.
O relatório, segundo Inocêncio Impissa, deverá ser submetido à Assembleia da República para apreciação, podendo abrir espaço para novos debates legislativos e reforço de políticas públicas ligadas à saúde mental, reabilitação e combate ao narcotráfico.
O cenário apresentado pelo Governo levanta um alerta sério: o consumo de drogas já não é apenas um caso policial, mas um problema de saúde pública que está a crescer e a deixar marcas profundas no tecido social do país. (POR : Joaquim e Silvia José )
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