Keito pode fazer as capas, mas Elanga é o modelo a seguir
▲O avançado do Newcastle marcou o segundo golo no Campeonato do Mundo
Getty Images
Os Campeonatos do Mundo são muito mais do que apenas futebol. Há histórias paralelas, heróis improváveis, estrelas caídas em desgraça, reviravoltas e hecatombes — e também temas que, à partida, andam longe dos relvados. E se Pedro Neto até teve de responder a uma pergunta sobre o facto de ter sido o eleito o jogador mais bonito do Mundial 2026, é impossível fugir à evidência de que também o Japão conta aparentemente com o seu próprio sex symbol.
Keito Nakamura, avançado de 25 anos do Stade Reims, é o único jogador japonês a atuar num segundo escalão. Mas isso não o impede de ser quem vende mais camisolas. Autêntica figura pop no Japão, com ar de modelo, tem mais de um milhão de seguidores no Instagram e tem atraído enormes grupos de fãs até à concentração da seleção nipónica em Nashville, no Tennessee. Aparece em capas de revista, é patrocinado por marcas de roupa e no ano passado foi o protagonista de uma sessão fotográfica em papel que esgotou todas as dezenas de edições.Como explica o site da FIFA, Nakamura é “mais BTS do que Samurai Blue”, numa comparação entre a banda sul-coreana que tem milhões de fãs em todo o mundo e a alcunha da seleção do Japão. Mas o avançado garante que, nos EUA ou em qualquer outro lugar, só quer jogar futebol. “Estar no Mundial tem um gosto especial, mas futebol é futebol, é indiferente o sítio onde o jogamos. Seja em Inglaterra ou no Brasil, o que me dá alegria é marcar contra as melhores equipas nos maiores palcos. Quando marquei aos Países Baixos não me senti diferente só por ter sido num Mundial”, explicou o avançado, que tem Ronaldinho como ídolo e abriu o marcador na jornada inicial contra os neerlandeses, numa entrevista.
Ora, na última jornada da fase de grupos do Mundial 2026, Keito Nakamura e companhia procuravam carimbar o já encaminhado apuramento para os 16 avos de final — e até sonhar com o primeiro lugar do Grupo F, já que tinham os mesmos quatro pontos que os Países Baixos. Em Dallas, defrontavam uma Suécia que roubava o segundo lugar se vencesse, mas também podia seguir em frente através da terceira posição, e onde Victor Lindelöf, Gustaf Lagerbielke e Viktor Gyökeres eram todos titulares.Numa primeira parte que terminou sem golos, Japão e Suécia foram mais cautelosos do que assertivos. Alexander Bernhardsson teve o primeiro lance de perigo, a rematar rasteiro de fora de área para Zion Suzuki encaixar (6′), e Daizen Maeda respondeu do outro lado com um cabeceamento por cima (23′). Os nipónicos conquistaram algum ascendente na ponta final, com Keito Nakamura a ter ainda um pontapé já na área que obrigou Jacob Zetterström a voar (45′), e Japão e Suécia foram mesmo para o intervalo ainda empatados sem golos — e já com duas baixas por lesão, com Isak Hien e Ko Itakura a saírem ambos com dificuldades físicas.
Maeda inaugurou o marcador após uma grande jogada do Japão ????????#sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #Japão #Suécia #betano pic.twitter.com/mzZn9YXITX
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Golaça de Elanga para o empate sueco ????#sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #Japão #Suécia #betano pic.twitter.com/FcOEB39ZMD
— sport tv (@sporttvportugal) June 26, 2026A segunda parte trouxe um Japão muito mais incisivo e uma Suécia muito mais passiva — e só foi necessário esperar pouco mais de dez minutos para que isso tivesse consequências. Ainda antes da hora de jogo, Ayase Ueda segurou a bola de costas para a baliza, deu em Ritsu Doan e o jogador do Eintracht Frankfurt rasgou a defesa contrária para descobrir Maeda, que já na área atirou rasteiro para abrir o marcador (56′).
Pouco depois, porém, a qualidade individual fez a diferença: Anthony Elanga recebeu na direita, puxou para dentro e atirou em jeito, praticamente no vértice da grande área, para empatar sem dar qualquer hipótese a Zion Suzuki (62′). Já nada mudou até ao fim, num jogo que estava ótimo e quebrou a partir da segunda pausa de hidratação, e Japão e Suécia empataram mesmo em Dallas, com os japoneses a garantirem o apuramento imediato para os 16 avos de final e os suecos, à partida, a resgatarem uma das vagas dos melhores terceiros classificados.
Num jogo onde não existiram propriamente grandes individualidades em evidência, Anthony Elanga acabou por ter a capacidade de brilhar enquanto o coletivo à sua volta não saía do cinzento. Depois de já ter marcado aos Países Baixos, o avançado do Newcastle que é formado no Manchester United tirou um autêntico coelho da cartola com o remate em jeito que empatou o jogo contra o Japão e mostrou que esta Suécia tem muito mais do que Gyökeres ou Isak. Elanga marcou três golos pelos magpies durante toda a temporada; no Mundial 2026, em três jogos, já leva dois.
Daizen Maeda passou pelo Marítimo em 2019/20, marcando quatro golos pelos madeirenses. Chegou ao Celtic em 2021/22, primeiro por empréstimo do Yokohama Marinos e depois a título definitivo, e os números que leva pelos escoceses são impressionantes: 79 golos em cinco temporadas, juntando ainda quase 40 assistências. Daizen Maeda é muito mais do que um avançado e voltou a mostrar isso mesmo em Dallas, finalizando uma jogada de ataque perfeita do Japão que abriu o marcador e ofereceu ao japonês o primeiro golo neste Mundial 2026.
Com este resultado, o Japão está apurado para os 16 avos de final do Mundial 2026 através do segundo lugar do Grupo F, atrás dos Países Baixos, e já sabe que vai defrontar o Brasil na próxima ronda. Os japoneses ultrapassam a fase de grupos pela terceira participação consecutiva, sendo que nunca conseguiram passar dos oitavos de final de um Campeonato do Mundo — foram aí eliminados em 2002, em 2010, em 2018 e em 2022.
A Suécia não queria ganhar ao Japão. Se é verdade que a derrota nunca seria um resultado bom, já que até podia significar o terceiro lugar do Grupo F na mesma, mas deixava mais tremida a inclusão no lote dos melhores terceiros classificados, os suecos pareceram claramente confortáveis com o empate e a qualificação praticamente certa para os 16 avos de final. Afinal, ganhar ao Japão e ficar na segunda posição do grupo era também marcar encontro com o Brasil já na próxima ronda — ainda que, tendo em conta a matemática atual, o próximo adversário possa muito bem ser França.









