Putin pondera nova mobilização para a guerra na Ucrânia
▲Putin estará consciente de que é preciso reforçar as tropas, incluindo com civis
VYACHESLAV PROKOFYEV/SPUTNIK/KREMLIN / POOL/EPA
Com dificuldades na reposição de tropas nas suas fileiras, Vladimir Putin pondera fazer a primeira mobilização militar desde 2022. A decisão, que toca num dossiê político sensível e pode gerar insatisfação junto da opinião pública, poderá ser tomada a seguir às eleições parlamentares russas, em setembro.
Vários meios independentes russos noticiam o dilema com que a administração russa se depara: à medida de que o “fluxo de soldados seca”, com notícias que registam mais de 30 mil mortes por mês e poucos avanços na linha da frente, Putin estará consciente de que é preciso reforçar as tropas, incluindo com civis.Segundo o jornal independente Verstka, o número de novos recrutamentos para lutar na Ucrânia desceu mais de um terço nesta primavera, comparando com o período homólogo no ano passado. O Verstka e o Vazhnyye Istorii falaram, como nota o Telegraph, com oito fontes dentro da administração russa e do aparelho de recrutamento militar, chegando à conclusão de que esta é a primeira vez que o governo volta a ponderar uma nova mobilização desde 2022.Como recorda o jornal britânico, essa decisão motivou, em setembro desse ano, um êxodo de cerca de 700 mil russos — o equivalente a todas as forças militares russas na Ucrânia. Isto significou sobretudo uma saída do país dos mais jovens e com formação superior, assim como de cerca de 11,5% das poupanças nos bancos russos.
Prisioneiros de guerra colombianos denunciam rede de recrutamento russo para combater na UcrâniaSegundo estas informações, Putin estará relutante em relação à ideia de voltar a fazer uma mobilização, tendo apostado até agora em pagamentos bónus a voluntários e a recrutamento de pessoas como prisioneiros e trabalhadores migrantes — mas essas estratégias não estão a ser suficientes para reforçar o exército, pelo que poderá mesmo ter de recorrer à solução mais radical.“As coisas não estão a correr inteiramente como planeado”, admite uma fonte próxima do Kremlin ao Verstka. “Não é claro o que é que a mobilização mudaria no essencial, além de mobilizar protestos e gerar um colapso económico”.
Soldados russos na linha da frente disseram ao mesmo jornal que a qualidade dos recrutas tem piorado drasticamente e que muitos são “incapazes de lutar”, incluindo prisioneiros que estão com problemas de saúde e pessoas sem abrigo. “Falta-nos tudo: homens, drones, bombas. Estamos a lutar pelos mesmos trezentos metros quadrados desde janeiro — um constante pingue-pongue de artilharia, muitos mortos e feridos”.Como o Verstka escreve, em janeiro houve um aumento nos recrutamentos, quando muitos dos homens que entravam acreditavam que a guerra estaria para acabar em breve e os bónus financeiros aumentavam. Mas, com a incerteza a aumentar, aumentam também os problemas na linha da frente.










