SITAVA acusa ANA de desrespeitar negociação salarial
▲SITAVA admitiu greve se o impasse no acordo de empresa continuar
MIGUEL A. LOPES/LUSA
O SITAVA acusou esta sexta-feira a ANA/VINCI de tentar contornar a negociação coletiva, após uma atualização salarial por ato de gestão, e admitiu greve se o impasse no acordo de empresa continuar.
Em comunicado, o Sindicato dos Trabalhadores da Aviação e Aeroportos (SITAVA) afirma que a atualização salarial “é justa”, mas considera “inaceitável” o método seguido pela concessionária dos aeroportos nacionais.“A ANA Aeroportos anunciou ontem [quinta-feira] em comunicado que decidiu implementar, por ato de gestão, uma atualização salarial para os seus trabalhadores”, refere o SITAVA, sustentando que os trabalhadores “merecem esta atualização e muito mais”.Contactado pela Lusa para esclarecer o valor em causa, fonte oficial do SITAVA disse desconhecer o montante do aumento salarial decidido pela empresa.Questionada sobre a possibilidade de greve, a mesma fonte oficial adiantou que, nesta fase, não. “Mas se o impasse na negociação do acordo de empresa (AE) se mantiver, tudo pode acontecer”, afirmou.
Para o sindicato, o anúncio revela “o profundo desprezo da ANA/VINCI pelos trabalhadores, pelos sindicatos e pelo próprio processo negocial”.No mesmo comunicado, o SITAVA afirma ter enviado à empresa propostas de atualização salarial no início do ano e diz que, perante a “total ausência de resposta”, decidiu desencadear um processo na Direção-Geral do Emprego e das Relações de Trabalho (DGERT).Segundo a estrutura sindical, a empresa “em vez de assumir as responsabilidades a que estava obrigada, fugiu ao processo, atrasou tudo o que pôde, apresentou justificações que enganaram o Governo e tentou transformar uma obrigação negocial num mero ritual burocrático”.“Agora, depois de meses de recusa à negociação, a ANA/VINCI aparece com um ato de gestão como se estivesse a fazer um favor aos trabalhadores. Não está“, acusa o sindicato.
O SITAVA considera que a empresa está a tentar “esvaziar o papel dos sindicatos”, “contornar a negociação coletiva” e “a impor unilateralmente aquilo que deveria resultar de um acordo digno, transparente e equilibrado”.No comunicado, o sindicato acusa ainda a ANA/VINCI de seguir uma estratégia de “atrasar processos”, “desrespeitar interlocutores” e “ignorar a lei quando convém”.O SITAVA diz que continuará a denunciar a postura da empresa e a defender que a negociação coletiva “não é um obstáculo”, mas “um pilar fundamental das relações laborais num Estado democrático”.A ANA — Aeroportos de Portugal gere os aeroportos de Lisboa, Porto, Faro, Madeira, Porto Santo, Ponta Delgada, Santa Maria, Horta e Flores, bem como o Terminal Civil de Beja.
A concessionária passou a integrar a VINCI Airports em 2013, na sequência do processo de privatização.









