De Ventura aos génios do MAL
É uma das grandes escritoras portuguesas, já ganhou quase todos os prémios literários do nosso país, e quem a ler esta semana percebe bem porquê. A crónica de Djaimilia Pereira de Almeida, à volta de relações familiares e do significado da família, vale bem uma leitura atenta.
Vale a pena ler também o modo como Paulo Ferreira decidiu assinalar o importante discurso do Presidente de Cuba na Assembleia do seu país: recolheu uma série de citações do discurso que, como o próprio Paulo diz, “parece uma manifesto liberal”.
A semana foi também marcada pelo assinalar de duas ameaças, embora uma delas mais séria do que a outra. João Marques de Almeida escreveu sobre a ameaça do islamismo radical na Europa; já José Diogo Quintela escreveu sobre o mais modesto MAL, o estranho movimento terrorista de “extrema-direita” que, segundo os anúncios dos últimos dias, tinha uma infindável lista de alvos, mas não chegou a atacar nenhum.
Helena Garrido escreveu sobre o “melhor que se pode esperar” do Fundo Soberano, anunciado por Montenegro no Congresso do PSD. Não fiquemos optimistas, contudo; segundo ela, o melhor que se pode esperar do fundo é que não aconteça.
Entretanto, uma entrevista de JD Vance em que este fala sobre as diferenças entre o Papa e o Presidente dos Estados Unidos foi pretexto para que o padre João Basto escrevesse um texto bem interessante. Como parece aceitar a distinção que Vance faz entre a voz do Papa, que tem obrigação de ser uma voz moral, e a de um chefe de governo, que tem de aplicar princípios morais para que estes produzam o melhor resultado, perguntámos-lhe se o facto de não ter uma “obrigação prática” diante dos casos concretos não torna a posição do papa irrelevante para a política.
O padre João Basto respondeu que “Uma voz moral estabelece princípios, orienta o discernimento, convida à reflexão. Mas há contextos em que a verdade, sem perder objetividade, só se manifesta de modo fragmentário. Assumir que, por isso, o Papa é um treinador de bancada, automaticamente desqualificado por não estar em campo, parece-me epistemologicamente questionável. É tão lícita a perspetiva do jogador como a do adepto: têm visões e responsabilidades diferentes, até lugares distintos no estádio, mas em comum algo maior: o jogo. O jogador que prescinde da bancada perde verticalidade; o adepto que prescinde do jogador capitula no idealismo. Ao adepto, o jogador recorda que há «faltas ou substituições estratégicas»; ao jogador, o adepto recorda que não se joga por dinheiro. Não existe só o «mal menor»: existe também o «bem maior». Nenhum é escravo do outro, e precisam de autonomia, até para discordar. O que desqualifica cada voz não é propriamente o seu lugar, mas a recusa em admitir os limites do seu ponto de vista. A relação entre religião e política devia-se procurar, creio, neste prisma”.
O chumbo da lei laboral fez correr muita tinta no Observador. José Manuel Fernandes, Rui Ramos, Alexandre Borges, André Azevedo Alves, Mafalda Pratas: todos escreveram sobre o assunto, que faz obviamente de André Ventura a figura mais escrutinada da semana.









