Eustáquio esperou quatro meses para ser estrela em Hollywood
▲Eustáquio marcou pela primeira vez neste Mundial e foi decisivo na qualificação do Canadá para os oitavos de final, onde vai defrontar Países Baixos ou Marrocos
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Quando se viu a estreia da África do Sul na Cidade do México a acabar reduzida a nove unidades na derrota com o México e quando se percebeu aquilo que o Canadá podia fazer nesta prova entre o empate diante da Bósnia e a goleada ao Qatar, poucos poderiam imaginar que os dois conjuntos iriam cruzar como os segundos classificados dos grupos A e B – até porque, como existe sempre uma primeira vez na história, uma equipa anfitriã nunca tinha jogado um Mundial fora do seu país e teria agora de viajar até ao calor de Los Angeles para corrigir o desaire com a Suíça, na fase de grupos. Mais: olhando para todo o quadro dos encontros dos 16 avos de final da prova, este seria na teoria o jogo que menos “mediatismo” ou interesse conseguiria trazer, até em comparação com Brasil-Japão, Países Baixos-Marrocos, França-Suécia ou Portugal-Croácia. Queria isso dizer que estava talhado para ser mau? Longe disso. E era nessa “surpresa” que todos apostavam.
The Round of 32 is set. ????#FIFAWorldCup pic.twitter.com/viM72iNjw3
— FIFA World Cup (@FIFAWorldCup) June 28, 2026Do lado do Canadá, que conseguiu recuperar alguns elementos para o onze inicial à exceção da grande figura, Alphonso Davies (que começava de novo no banco), jogava-se por mais história, pelo prestígio e pela vontade de dar continuidade ao ambiente verdadeiramente entusiástico que a equipa conseguiu criar no país, numa fase inicial que teve apenas dois pontos negativos: a grave lesão de Koné e o desaire contra os helvéticos. “A nossa equipa tem coração, é um grupo que vai dar sempre tudo. Com a Suíça ainda pensei em apostar numa linha de cinco atrás ao intervalo para fechar o jogo. Devia tê-lo feito. Estou grato por toda a energia que os nossos adeptos nos têm passado mas agora temos de rumar a Los Angeles. Ainda assim, estamos onde mais queríamos, que era a fase a eliminar”, destacara Jesse Marsch, que voltava a colocar Eustáquio no onze inicial para segurar um meio-campo que, sem Koné, foi um calcanhar de Aquiles frente aos helvéticos.
Today’s starters, presented by @GE_Appliances
???? Moïse and DC at the back???? Tajon and Liam provide the width???? JD and Tani up top
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???? WATCH: Canada fans march to SoFi Stadium before the RO32 clash with South Africa ???????? pic.twitter.com/3l7NzB0wTi
— Sports on Predict (@predictdotsport) June 28, 2026Já a África do Sul, que reagiu da melhor forma à entrada em falso com o México com um empate diante da Rep. Checa e um triunfo frente à Coreia do Sul, queria não só continuar a fazer história depois da primeira passagem de sempre à fase a eliminar como aumentar o grande registo das equipas africanas na competição, com nove em dez equipas apuradas para os 32 melhores. “Para nós este Mundial já é um sucesso, chegámos à segunda fase. Mas isso não quer dizer que estejamos satsfeitos. Quando se chega a este patamar, quer-se um bocado mais. Respondemos a todos aqueles que nos diziam o que devíamos fazer e conseguimos alcançar este pequeno milagre”, salientara Hugo Broos, belga de 74 anos que teve de “partir pedra” desde que chegou ao país há cinco anos para poder construir uma base que sustentasse o sonho dos Bafana Bafana.
Bafana Bafana Starting XI vs Canada
⚽️ Bafana Bafana ???????? vs Canada ???????????? Sunday, 28 June 2026????️ Los Angeles Stadium???? Kick-off: 21:00pm SA Time ???? SABC 1/3 & SABC+#Fifaworldcup #BafanaPride #BafanaBafana pic.twitter.com/gm5EGPbjJc
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???? WATCH: South Africa fans also marched through Los Angeles ahead of their match against Canada ???????????? pic.twitter.com/fIwpmvKAsd
— Sports on Predict (@predictdotsport) June 28, 2026Não sendo um jogo cabeça de cartaz, era um jogo que tinha tudo o resto que os outros têm neste Mundial: muitos adeptos, neste caso com jerseys de várias seleções que não apenas aquelas que eram intervenientes, o árbitro João Pinheiro a dirigir a segunda partida na competição, Jessica Alba e outras estrelas nas bancadas ou não estivessemos nós em Hollywood. Faltava apenas saber quem era candidato ao papel principal.
Mokoena, grande novidade de Hugo Broos no onze inicial, teve o primeiro remate enquadrado da partida para defesa de Crépeau a dois tempos (5′) mas o Canadá não demorou a assumir mais as rédeas do encontro, sempre com grande vontade de jogar por todos os corredores em velocidade frente a uma África do Sul que não perdia uma no corpo a corpo. Jonathan David deixou um primeiro aviso na baliza contrária aparecendo ao primeiro poste para o desvio que passou perto do poste (16′), Cornelius teve uma chance de outo depois de um livre lateral marcado por Eustáquio mas o desvio de cabeça ficou nas mãos de Ronwen Williams (22′). Oluwaseyi ainda teria uma tentativa enquadrada mas com pouco ângulo que ficou nas mãos do guarda-redes sul-africano e o intervalo chegaria de forma natural sem golos com a ideia de que se houvesse prolongamento não iria espantar ninguém perante a dificuldade de criar perigo… até aos 44′: na sequência de um canto, Bombito viu um desvio de cabeça cortado na linha antes de Williams travar a recarga de Buchanan.
Grande oportunidade para o Canadá a fechar a 1ª parte ????#sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #ÁfricadoSul #Canadá pic.twitter.com/Kgy3OT6pcL
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Not much to report so far from the opening knockout-stage game at the 2026 World Cup.
Canada only had 45% possession in the first half, but had more than three times as many touches in their opponents’ box as South Africa in Los Angeles (17-5). pic.twitter.com/Iup0hTUF0T
— Opta Analyst (@OptaAnalyst) June 28, 2026O intervalo chegou com um lance polémico na área, com Richie Laryea a cair num lance com Maseko que João Pinheiro não assinalou, ficou à espera da decisão do VAR e mandou seguir (45′). Jesse Marsch estava à beira de um ataque de nervos, tendo mesmo de ser agarrado por Bombito antes de seguir para os balneários, antes de um reinício de partida que trouxe Mbatha ao jogo e uma maior segurança em posse e circulação dos sul-africanos, com Appollis a ter um remate de meia distância que saiui muito perto do poste apesar de haver um controlo apenas com os olhos de Crépeau (62′). Esse susto funcionou como despertador para o Canadá, que foi começando a procurar também a profundidade como aconteceu num lance em que Laryea ganhou em velocidade mas viu Williams evitar o golo com uma grande defesa (65′). Aquela ideia do prolongamento não podia estar mais certa, com a parte física a causar mossa nessa procura infrutífera dos golos, mas foi aí que apareceu Eustáquio, a ganhar uma segunda bola à entrada da área e a disparar para a vitória (90+2′).
Parecia que estava escrito nas estrelas que aquela saída do FC Porto em janeiro para o Los Angeles FC da MLS não era por acaso. Não era mesmo: depois dos dez jogos realizados pelo conjunto norte-americano, Eustáquio ganhou o ritmo que necessitava para chegar nas melhores condições ao Mundial e ser um dos capitães do anfitrião. Não foi titular no último encontro com a Suíça mas recarregou baterias para encher um meio-campo que deixou de contar com o indiscutível Koné. Foi isso que fez, com algo mais e que ficou para a história: marcou no segundo minuto de descontos o golo da vitória do Canadá.
Richie Laryea costuma aparecer nas fichas de jogo como lateral esquerdo mas é tudo menos isso. Na parte defensiva está lá sempre, no ataque também, seja em jogadas organizadas, seja em transições. O lateral que chegou a ter uma passagem pelo Nottingham Forest é um pulmão de toda a ala esquerda do Canadá, tendo uma oportunidade de ouro para poder escrever ainda mais o seu nome na ficha num lance em que ganhou em velocidade nas costas dos centrais contrários mas viu Williams evitar o golo.
Quem ganhasse iria fazer história, tendo em conta que ambos os conjuntos nunca tinham chegado a uma fase tão adiantada da prova, mas também sabia que, nos oitavos, iria ter uma tarefa bem mais complicada, tendo pela frente o vencedor do Países Baixos-Marrocos que se realiza na madrugada de segunda para terça-feira. É isso que espera a partir de agora o Canadá, que eliminou um das nove equipas africanas. Quem sair daqui arrisca depois cruzar com França ou Alemanha nos quartos.
Quando uma equipa anfitriã joga em casa, isso é sempre sinal de casa cheia. Seja qual for a cidade ou o estádio, não há como falhar. No entanto, e pela primeira vez na história, o Canadá, sendo um países organizadores, teve de ir jogar a Los Angeles por terminar a primeira fase na segunda posição, atrás da Suíça. Aí, ficou patente uma das “fragilidades” mas ao mesmo tempo uma das virtudes desta prova: o estádio estava quase lotado mas num ambiente mais relax, os bilhetes que entraram na revenda tiveram de descer de forma progressiva os seus preços mas foi possível ver camisolas de variadas seleções, com destaque particular para os mexicanos, o ambiente foi diferente daquele que se sentia no Canadá. Aos poucos, o soccer tem entrado no desporto norte-americano mas tudo é vivido de “outra maneira”.










