Para Wissa nenhuma batalha é dada por perdida
▲O avançado marcou dois dos três golos dos africanos
FIFA via Getty Images
Era o jogo que não interessava a ninguém, ao mesmo tempo que era o jogo que interessava a toda a gente. Em Atlanta, RD Congo e Uzbequistão entravam em campo com a certeza de que os africanos ainda poderiam chegar aos 16 avos de final e os uzbeques tinham apenas uma espécie de quimera que permitia seguir em frente — mas nada disso esvaziava o interesse de um jogo que, à partida, ninguém viu em Portugal.
“Eu creio que é importante, estamos a trabalhar há três meses. Ganhar um jogo de Copa do Mundo é algo maravilhoso. Será uma satisfação para meus jogadores, deixaram sua família para trás no Uzbequistão. Tentar ganhar esse jogo para meus jogadores. Crescer como equipe é fundamental. Vamos ter a Copa da Ásia. O nível é alto, mas não como aqui no Mundial. Perdemos para Uruguai, Holanda, Canadá e Portugal. Sempre com coragem e bons oportunidades. O de amanhã pode ser importante para nós para crescer mais”, disse Fabio Cannavaro, treinador do Uzbequistão.“Vamos agora jogar pela qualificação no último dia. O último jogo foi difícil para nós, enfrentámos uma equipa de alta qualidade que provou ser superior. Apesar disso, os nossos jogadores lutaram até ao fim na tentativa de garantir um resusltado positivo, algo que não transformado em golos. Jogar contra Portugal e contra a Colômbia permite que conquistemos experiências valiosas ao mais alto nível. Agora vamos recuperar e focar-nos no nosso próximo desafio. Um empate não será suficiente, temos de arriscar e ir pela vitória”, atirou Sébastien Desabre, selecionador do Uzbequistão.
crazy goal from Shomurodov ???????? pic.twitter.com/BMTZJrcFsZ
— Abu Bakr (@nafderlin) June 28, 2026Assim, em Atlanta, pouco ou nada aconteceu na primeira parte: os uzbeques abriram o marcador ainda nos dez minutos iniciais, com Shomurodov a assinar um grande golo com direito a chapéu (10′), e os congoleses só responderam por Nathanael Mbuku, que atirou de fora de área para marcar, mas viu o golo anulado com uma falta no início do lance (17′). Ao intervalo, o Uzbequistão estava a vencer a RD Congo no Mercedes-Benz Stadium.
Já na segunda parte, os uzbeques empataram através de uma grande penalidade, com Yoane Wissa a converter (68′), e carimbaram mesmo a reviravolta por Fiston Mayele, que aproveitou um remate prensado para finalizar na recarga (78′) antes de Yoane Wissa fechar as contas já os descontos (90+1′). No fim, a RD Congo venceu o Uzbequistão em Atlanta e garantiu o apuramento para os 16 avos de final, enquanto que os uzbeques terminaram no último lugar do grupo K e estão eliminados.
De forma natural e obrigatória, Yoane Wissa. O jogador do Newcastle manteve a ideia de que está muitos níveis acima da qualidade coletiva da RD Congo e bisou contra o Uzbequistão, chegando aos três golos no Mundial 2026 e demarcando-se enquanto melhor jogador dos africanos. E se é verdade que um dos golos deste sábado aconteceu através de uma grande penalidade, o outro poderia perfeitamente ser aparecido num qualquer fim de semana de Premier League.
Mesmo sem conseguir evitar a eliminação do Uzbequistão, Eldor Shomurodov provou que é um jogador perfeitamente diferenciado dos restantes. Aos 30 anos, com uma passagem honesta pela Roma e utilização no Spezia e no Cagliari antes de aterrar atualmente no Basaksehir da Turquia, o avançado uzbeque conseguiu aproveitar o Campeonato do Mundo para marcar um golo e tornar-se a verdadeira referência ofensiva do país.
Com este resultado, a RD Congo ficou no terceiro lugar do Grupo K e ultrapassou a fase de grupos de um Campeonato do Mundo pela primeira vez na história, marcando encontro com Inglaterra já nos 16 avos de final. Apesar da derrota com a Colômbia, os africanos mostraram tanto com Portugal como com o Uzbequistão que são uma equipa com capacidade para chegar longe das fases a eliminar.
O Uzbequistão não é equipa de Campeonato do Mundo. Apesar da prestação autenticamente sobrevivente contra a RD Congo, os uzbeques viveram sempre à boleia da qualidade de Khusanov e Shomurodov e nunca conseguiram demonstrar o porquê de estar no Mundial 2026, sendo uma das equipas a esvaziar o alargamento da competição para 48 seleções.










