CIÊNCIA

Hantavírus serve para agenda de vacinação de crianças?

Com o surto de hantavírus, surgiram nas redes sociais várias publicações que garantem que o diretor-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) disse que o surto daquele vírus está a ser usado para promover uma agenda de vacinação massiva de crianças — uma teoria que replica o que se passara durante a pandemia de Covid-19. “O Diretor da Organização Mundial da Saúde admite que o surto de Hantavírus está agora sendo usado para promover uma agenda massiva de vacinação para crianças. Ele está exigindo que os governos ao redor do mundo lhe deem mais dinheiro para expandir sua agenda de vacinação, para que ele possa ‘proteger as crianças’”, pode ler-se numa das publicações.

A acompanhar a descrição anterior está um vídeo de um discurso do etíope Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor-geral da OMS desde 2017, legendado com a descrição da publicação. O discurso a que se refere a imagem foi proferido no dia 15 de maio e está disponível na página do YouTube da OMS, sendo que também se encontra transcrito no site da organização.Nesse dia, o diretor-geral da OMS falou sobre o surto de ébola que afetava o continente africano (particularmente a República Democrática do Congo) e, de seguida, sobre a resposta ao surto de hantavírus, que gerou uma onda de preocupação um pouco por todo o mundo.
O hantavírus, conhecido pela ciência desde a década de 70 do século XX, saltou para o topo da atualidade no início de maio, quando foram detetados casos de infeção no navio de cruzeiro MV Hondius, que fazia a ligação entre a Argentina e Cabo Verde, e levava mais de uma centena de passageiros numa viagem de turismo de natureza. Três pessoas morreram na sequência de infeção por hantavírus, uma infeção rara, que se transmite a humanos a partir de roedores.“A resposta ao surto de hantavírus é um exemplo recente e claro do que pode ser alcançado quando o mundo se une para enfrentar a ameaça das doenças”, disse Tedros Adhanom Ghebreyesus, agradecendo à população da ilha de Tenerife, onde atracou o navio MV Hondius. “Em tempos de grande divisão, tensão e incerteza, devemos responder juntos aos desafios comuns que a comunidade global enfrenta, movidos por um espírito de cooperação”, assinalou o responsável, referindo que 120 pessoas estavam, à data, a receber cuidados médicos ou em quarentena nos seus países de origem.Na parte final do discurso, o diretor-geral da OMS abordou o tema da vacinação, mas nunca se referiu ao hantavírus. “Não podemos subestimar a importância das vacinas na proteção da saúde”, realçou Tedros Ghebreyesus, falando sobre o impacto positivo da vacinação contra a malária na diminuição das mortes infantis no continente africano. O responsável lamentou, todavia, a falta de financiamento para reforçar a resposta nesta área. “As limitações em termos de financiamento continuam a dificultar a capacidade de muitos países de expandir e atingir as metas nacionais de imunização. Para proteger as crianças e salvar vidas, é necessária igualdade de acesso, juntamente com financiamento crescente e contínuo para os programas de imunização”, referiu.Embora seja verdade que Tedros Adhanom Ghebreyesus apelou ao reforço do financiamento para a vacinação infantil contra a malária, em nenhum momento do discurso afirmou que o surto de hantavírus está a ser utilizado para promover uma “agenda massiva” de vacinação infantil.
De resto, não existe qualquer vacina aprovada contra o hantavírus.ConclusãoÉ falso que o diretor-geral da OMS tenha afirmado que o surto de hantavírus foi utilizado para promover uma “agenda massiva” de vacinação infantil. No discurso usado por várias publicações, proferido a 15 de maio, Tedros Adhanom Ghebreyesus apelou ao reforço do financiamento destinado à vacinação contra a malária.Assim, de acordo com o sistema de classificação do Observador, este conteúdo é:ERRADO
No sistema de classificação do Facebook, este conteúdo é:
FALSO: As principais alegações do conteúdo são factualmente imprecisas. Geralmente, esta opção corresponde às classificações “falso” ou “maioritariamente falso” nos sites de verificadores de factos.
NOTA: este conteúdo foi selecionado pelo Observador no âmbito de uma parceria de fact checking com o Facebook.

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