CIÊNCIA

Kristin. ICNF prevê concluir limpeza da Mata de Leiria

O Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF) prevê concluir na quarta-feira os procedimentos para retirar a madeira partida ou tombada devido à depressão Kristin na zona da Mata Nacional de Leiria confinante com espaço urbano.
“Se, como esperamos, eles [lotes] forem vendidos amanhã [quarta-feira], nós concluímos a primeira fase da Mata Nacional de Leiria com sucesso”, que é conseguir alienar “toda a madeira partida ou tombada que está em áreas de interface rural-urbano” e confina com habitações, parques de campismo ou a própria cidade da Marinha Grande, afirmou o diretor regional do Centro do ICNF, Paulo Farinha Luís.Segundo Paulo Farinha Luís, “este era o primeiro grande objetivo”, disponibilizar lotes que “fossem os primeiros a ser alienados e fossem também os primeiros a ser extraídos”, porque “representam mais risco para pessoas e bens”, numa alusão aos incêndios florestais.A Mata Nacional de Leiria, também conhecida por Pinhal de Leiria ou Pinhal do Rei, ocupa dois terços do concelho da Marinha Grande e tem 11.021 hectares.
Nos incêndios de outubro de 2017, 86% da sua área ardeu e o que sobreviveu àqueles fogos, 1.200 hectares, sobretudo árvores adultas, a depressão Kristin, há cerca de cinco meses, partiu ou tombou.No final de abril, princípio de maio, o ICNF realizou uma hasta pública com 29 lotes (de diferentes áreas, sendo 23 da Mata Nacional de Leiria) de madeira tombada ou partida para extração, tendo sido adjudicada a retirada do material lenhoso de cinco.Questionado pela agência Lusa se cinco lotes não é um número diminuto, o também vogal do Conselho Diretivo do ICNF explicou que “foi sempre opção não colocar no mercado mais cedo e a preços mais vantajosos a madeira do Estado, permitindo que os particulares pudessem eles próprios fazer também as suas vendas sem que o mercado ficasse afetado com a madeira do Estado”.“Sendo muita a madeira do Estado, a madeira que é dos particulares era muito mais e, portanto, o risco [de incêndio] por aí era maior, e o objetivo era que essa madeira pudesse sair o mais rápido possível, até porque os particulares têm mais dificuldade em negociar ou arranjar quem retire a madeira”, admitiu o diretor regional.
Seguiram-se dois procedimentos, negociação direta com pessoa determinada, neste caso por convite às empresas que manifestaram interesse na hasta pública.No primeiro procedimento, com 22 lotes da Mata de Leiria, foi adjudicada a retirada de material lenhoso de sete, sendo que o segundo procedimento, a finalizar agora, tem três lotes do Pinhal de Leiria.Paulo Farinha Luís estimou em 23 mil metros cúbicos o material lenhoso retirado e a retirar desta mata na zona do interface rural-urbano com estas três iniciativas.Após esta fase estar concluída, o ICNF vai avançar para uma nova hasta pública, que vai incluir a venda da madeira partida ou tombada do interior da Mata Nacional de Leiria, propriedade do Estado e gerida pelo ICNF.
“É aquela que, obviamente, traz risco de incêndio, mas que, provavelmente, o risco para pessoas e bens é menor ou, diria mesmo, muito menor, porque está em zonas afastadas”, referiu, garantindo que esta tarefa não será dificultada pelas acessibilidades.Este responsável esclareceu que “a acessibilidade é boa em todos os sítios, na medida em que a primeira tarefa e o primeiro passo” após a depressão Kristin foi “a limpeza e a desobstrução da rede viária”.“Tudo aquilo que é o acesso à exploração florestal, nós já temos concluído”, assegurou.Neste trabalho de retirar das matas a madeira que o mau tempo destruiu, o diretor regional do Centro apontou que a maior dificuldade prende-se com fatores que não dependem do instituto público.
“O primeiro grande fator externo que foge ao nosso controlo (…) é a capacidade instalada de operadores que possam, num tempo tão curto, conseguir retirar a madeira das zonas impactadas. Foi uma área muito grande e num curto espaço de tempo houve muita madeira para retirar. E as próprias empresas privadas, todas, mesmo afetando os seus meios a toda esta área da região Centro, são poucas para aquilo que nós queremos”, reconheceu.

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