CIÊNCIA

Serra de Montemuro, pulmão verde e santuário natural 


Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Há um pequeno pulmão verde no distrito de Viseu, mais precisamente em Castro Daire: é a serra do Montemuro. E é no Centro de Interpretação e Informação de Montemuro e Paiva, onde me encontro acompanhada do técnico deste centro, Telmo Ferreira. Muito bom dia.
Muito bom dia.
E numa sala dedicada, precisamente, à serra de Montemuro, dá para ter, por exemplo, a experiência de como é que são as folhas das várias árvores que estão presentes nesta serra.
É verdade. Nós temos aqui exposto, como é possível observar, as diferentes folhas das espécies que temos na nossa serra. Estamos a falar da nossa flora. A espécie que é predominante, nós podemos ver ali, é o carvalho, é o Quercus pyrenaica. Embora, para além do carvalho, podemos também identificar o medronheiro, o loureiro, o sobreiro, o castanheiro. E é muito curioso, nós quando recebemos neste espaço crianças, elas conseguem fazer conosco este jogo da identificação e é também uma forma de elas começarem a conhecer um bocadinho do recurso que nós temos, que é a serra, que é um recurso muito importante, tal como o rio Paiva, a nível ambiental e a nível turístico.
Isto também porque aqui nesta sala dedicada, tem expostas as árvores num efeito 3D, para perceberem como é que são, para poderem tocar, e também aqui penduradas as folhas, para poderem fazer esse jogo de compreensão e adivinha a que árvore, a que planta corresponde.
Exatamente. Para além desta identificação que eles podem fazer, nós temos também as campainhas, porque quando as crianças vêm cá, não só as crianças, mas também os outros grupos que nós recebemos, podem tocar em cada campainha diferente e cada uma soa de maneira, o seu tom, o seu som é diferente. Todas, são todas diferentes, porque são os sons que nós ouvimos na serra.
Por quê? Com o que está relacionado as campainhas e a serra de Montemuro?
Com o gado, com a atividade da pastorícia, também a criação de gado bovino, a nossa raça auroquesa, como podemos ver aqui a imagem.
Porque a paisagem não aparece como está sozinha, há mãos por detrás a fazerem esse trabalho.
Há mãos. E nós temos até aqui uma espécie de homenagem às mãos que trabalham, ou seja, que ainda trabalham, mas também que muito trabalharam na serra, desde os agricultores aos pastores, porque era uma vida que não era fácil. O rigor dos invernos na serra é muito difícil de ultrapassar e as pessoas utilizavam todos os recursos que tinham disponíveis para conseguir prosperar e para conseguirem sobreviver nestes climas.
E que também permitiram, hoje, termos a serra que temos, a serra do Montemuro.
Que temos, sim. A serra está muito ligada à nossa identidade, à nossa história, às nossas raízes. Como por exemplo, existem várias manifestações culturais que acontecem na serra, desde a luta de bois, desde as feiras tradicionais. Temos também uma ligação muito grande da serra com a nossa gastronomia, com pratos desde o arroz de feijão com salpicão, desde o cabritinho assado à Montemuro. Temos também uma ligação muito grande com a história e com a religião do nosso povo, das nossas gentes. Nós ainda vivemos muito esta ruralidade, ainda absorvemos muito daquilo que é a ruralidade que está muito ligada à serra. E a serra é isto, é esta ligação muito grande às tradições também, à identidade e às raízes. E uma das tradições que se foi enraizando durante muitos anos na população é a que está ligada à pastorícia, a nossa transumância.
E a nível ambiental, a serra do Montemuro também é muito importante para Portugal.
Muito importante. Está também classificada no âmbito da Rede Natura 2000. Já falamos das espécies de flora que existem. Podemos também falar das espécies da fauna. Nós ainda temos o lobo ibérico na nossa serra. Não é exclusivo. Ele vagueia entre a serra do Montemuro e a serra da Freita e a serra da Arada, mas é uma espécie que também existe no Montemuro. Temos também a víbora-cornuda, que é uma espécie que se encontra ameaçada, que se encontra em vias de extinção. E temos um pequeno habitat de uma borboleta, que é a borboleta-azul-das-turfeiras, que é muito rara, é uma borboleta muito rara. Existe também na serra do Marão, mas nós também temos no Montemuro.
Além de toda a importância ambiental que tem a serra do Montemuro, é também um refúgio para estas espécies que, como referiu, algumas delas em via de extinção e que permite, de certa maneira, também tornar Portugal mais verde, para isso sendo preciso preservá-lo. E para saber como, para conhecer a história que permitiu ter a serra que existe hoje, há esta sala aqui dedicada no Centro de Interpretação e Informação de Montemuro e Paiva. Telmo Ferreira, muito obrigada.
Muito obrigado.

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