18h. Incêndio em Vouzela com 350 operacionais
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Esta é a tarde política da Rádio Observador, jornal das 18h, com Luís Soares. O incêndio em Vouzela, no distrito de Viseu, é o que a esta hora mais meios mobiliza. São duas frentes de fogo, com uma delas, Luís Soares, a preocupar mais. Vamos lá.
É um incêndio que começou de madrugada e que tem, nesta altura, 350 operacionais, mais de uma centena de viaturas e cinco meios aéreos no combate às chamas. Junta-se a nós em direto o presidente da Câmara de Vouzela, Carlos Oliveira. Boa tarde, obrigado por se juntar a nós. Qual é o ponto de situação que nos pode fazer deste incêndio a esta hora?
Como disse, continuamos com duas frentes ativas, uma que nos gera mais preocupação, que está a progredir com grande intensidade, muito rápido, com projeções muito intensas e muito longas, o que obriga os meios no terreno a andarem a correr atrás do incêndio. Estamos a tentar debelar o mais possível, mas está a ser um dia muito difícil, com temperaturas muito elevadas, com vento muito forte, com muito combustível no território. Estamos a fazer os possíveis para sanar ou minorar o máximo possível o impacto no nosso território.
No que diz respeito a habitações em risco, como é que está essa situação, Carlos Oliveira?
De momento, não temos, mas não quer dizer que daqui a algum tempo possa estar. Ele está a progredir, como disse, de forma rápida, em direção a outras freguesias, nomeadamente a Alcofra e a Campia. Temos também a possibilidade daqui poder passar perto da zona industrial de Campia. Temos os meios posicionados, a trabalhar, empenhados, mas também já algo cansados, porque como disse, é desde as 03h, sensivelmente, que estamos a trabalhar intensamente nessa matéria.
A nível de meios, temos verificado nas últimas horas um reforço precisamente desses meios. Isso tem-se sentido também, de certa forma, no terreno, Carlos Oliveira?
Estamos a ter reforço de meios. Tiveram diversos meios aéreos durante o dia. Neste momento, ainda andam cinco meios aéreos no território. Têm também dificuldades de atuação, derivado à intensidade do fumo. Muito fumo, muita temperatura, mas estão a fazer os possíveis. Estamos cerca de 350 homens também no terreno. Vamos ver o que se consegue fazer. A temperatura não é expectável que baixe muito também durante o período noturno. Estamos com uma janela de oportunidade curta para podermos debelar aqui o incêndio.
Na conferência de imprensa desta tarde, na Proteção Civil, dava conta de que a expectativa seria de uma mudança de ventos que pudesse eventualmente ajudar também no combate a este incêndio ao início da noite. Há essa expectativa ainda nesta altura?
Nós desde manhã que temos tido vento muito intenso, apesar de ele ter diminuído a velocidade, manteve mais ou menos o mesmo rumo, o que facilita, de alguma forma, também a possibilidade do planeamento dos trabalhos, mas não sabemos como é que vai continuar. É expectável que ele continue sensivelmente na mesma direção. Esperamos que possa diminuir a sua intensidade e sua velocidade.
Carlos Oliveira, muito obrigado por ter estado em direto conosco. O presidente da Câmara de Vouzela a fazer aqui um ponto de situação do incêndio, que começou de madrugada e é o que mobiliza a esta hora mais meios no combate, neste que é um dia muito quente, um pouco por todo o país.
Estamos a viver um quadro meteorológico complexo. É o que podemos esperar, pelo menos durante a próxima semana, possivelmente até os próximos 10 dias. E Luís Soares, há aqui um problema adicional, é a temperatura à noite. As noites vão ser muito quentes, não haverá um arrefecimento à noite.
O que também prejudica o combate às chamas. Isso mesmo explicou o comandante operacional nacional da Proteção Civil. Mário Silvestre adianta que as próximas duas noites, em especial, não vai ser possível aproveitá-las como ajuda no combate aos incêndios.
A janela de oportunidade que tanta vez se fala e que durante a noite nos dá a capacidade de extinção mais fácil dos incêndios, ou seja, diminui a severidade dos incêndios, permitindo às forças no terreno poderem atuar de outra maneira e terem maior capacidade de extinção, do dia 2 para 3, ou seja, nesta noite e no dia 3 para 4, vai ser extremamente reduzida. As informações do IPMA dão-nos ventos significativos durante o período noturno e por volta das 23h, para termos noção, o índice meteorológico, Fire Weather Index, que nos dá, no fundo, a previsão de severidade ou o potencial desse incêndio, em algumas regiões do país, vai atingir o seu máximo às 23h.
Situação de combate aos incêndios complicada mesmo durante a noite. É o que espera a Proteção Civil. De resto, na conferência de imprensa esta tarde, Jorge Ponte, especialista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, descrevia um cenário meteorológico altamente complexo que vai manter-se por 10 dias.
Estamos a prever que esta onda de calor dure até 10 dias nas regiões do interior, sendo que nas regiões do litoral poderá terminar um pouco mais cedo. Na região do litoral norte, em princípio, a partir de dia 6 ou dia 7, segunda ou terça-feira, já deverá haver um alívio. Também na região de Lisboa já poderá haver uma diminuição da temperatura a partir de terça-feira, mas no fundo, é praticamente uma semana com temperaturas permanentemente elevadas, condições muito desfavoráveis ao combate aos incêndios, como já foi muito bem referido. Humidade relativa muito baixa, mesmo durante a noite e com vento forte, principalmente na próxima noite, nas terras altas do norte e centro, mas também atingindo as serras algarvias.
As previsões da meteorologia para os próximos dias. O governo declarou situação de alerta até segunda-feira, vai vigorar a partir da meia-noite, implica a proibição de acesso, circulação e permanência no interior de certos espaços e caminhos florestais, bem como a realização de queimadas e queimas e também de trabalho em espaços florestais com maquinaria.
Num outro plano da atualidade, a AD prepara-se para apresentar uma nova versão do decreto lei que cria a pena acessória de perda de nacionalidade.
Nesta nova proposta, a retirada de nacionalidade fica reservada apenas para crimes de grande impacto na sociedade ou na opinião pública. É já a terceira versão do diploma, anúncio feito em conferência de imprensa conjunta pelos deputados do PSD, António Rodrigues, e João Almeida, do CDS. Além dessa condição, António Rodrigues explica que em relação à versão anterior, declarada inconstitucional, é reduzido o leque de crimes que podem levar a essa retirada de nacionalidade.
Isso expressamente está previsto no diploma
Tal como estão, e o Tribunal Constitucional já tinha aceite, há os crimes contra o Estado e crimes de terrorismo, e nós acrescentamos o crime de homicídio qualificado e violação qualificada, mas na sua dimensão aterrorizante, o que significa aquilo que pode causar impacto público de tal forma que teria, da parte da opinião pública, uma repulsa igual, e a sociedade considera de tal gravidade igual aos restantes crimes que já tinham sido aceitos pelo Tribunal Constitucional. Tal como introduzimos também uma alínea relativamente à associação criminosa, mas também ela balizada.
António Rodrigues, num registo aqui da Agência Lusa, numa conferência de imprensa no Parlamento, para garantir a aprovação, PSD e CDS precisam do voto favorável do PS ou do Chega. Chega que já anunciou que queria confirmar o diploma sem alterações e há instantes mesmo, André Ventura anunciou que vai votar contra essas alterações apresentadas pelo PSD sobre a criação da pena acessória para a perda de nacionalidade, mas também na proposta de alteração do PSD à Lei das Burcas. E há uma nova novela, uma nova polêmica que todos os dias conhece um novo episódio. PSD e PS continuam a trocar acusações sobre as casas prontas que alegadamente estão por entregar. Ontem, José Luís Carneiro foi a Grândola mostrar algumas dessas casas. Hoje, a reação coube ao novo porta-voz do PSD, Sebastião Bugalho. Exatamente, que diz que o líder do PS enganou ou foi enganado. Ontem, José Luís Carneiro tinha acusado o governo de ter casas prontas a habitar, nomeadamente em Grândola, mas que não as entregava por estar à espera de um novo ciclo eleitoral. Na resposta hoje, Sebastião Bugalho, porta-voz do PSD, explicou que os alojamentos que o secretário-geral do PS visitou em Grândola nada têm que ver com construção para resposta habitacional. Diz que se trata de um conjunto de habitações para proteção temporária. E por isso mesmo, Sebastião Bugalho deixa uma questão ao líder do PS, se mantém a acusação ou se retira uma acusação que Sebastião Bugalho considera infundada. De resto, o governo admite que há habitações prontas a entregar vazias, mas rejeita responsabilidades. Na Secretaria de Estado da Ação Social de Inclusão, diz que as casas estão vazias por falta de IPSS com condições para as gerir. E há outras notícias a marcar a tarde desta quinta-feira. O Banco de Portugal decidiu mudar as regras para os créditos da casa e ao consumo. A taxa de esforço vai baixar, mas os mais jovens vão ter mais tempo para pagar o empréstimo. São novas regras que entram em vigor para os créditos feitos a partir de 1 de agosto. O Banco de Portugal altera as recomendações que os bancos estão a desrespeitar, mas que não têm propriamente força de lei. Quanto à taxa de esforço, passa a ser de 45%, em vez dos atuais 50%. Já o limite máximo para quem faz o empréstimo com até 35 anos alarga-se para os 40, dos atuais 37 anos. Estamos em contagem decrescente para o jogo da seleção portuguesa de futebol, mais logo frente à Croácia, dezesseis avos de final do Mundial de Futebol. Jogo em Toronto, no Canadá, onde são menos cinco horas do que em Portugal continental. Mas nesta altura, Miguel Cordeiro, enviado especial do Observador, agora em direto, já há portugueses que se concentram em jeito de preparação.
Começa, só está agendada para daqui sensivelmente uma hora, mas há portugueses que chegam muito cedo, vão ocupando um parque de merendas, aproveitando também para almoçar. Já há algumas geleiras, já há quem faça um pequeno piquenique. Já estão a ser também instaladas algumas colunas. Estamos no Stanley Park, estamos a cerca de 20 minutos a pé do estádio onde Portugal vai jogar com a Croácia e já há muitas cores de Portugal neste jardim. Já começa também a chegar a liderança da claque com os tambores e com os megafones. Eu tenho ao meu lado o Justin, filho de portugueses. Vieram cedo para a festa. O que é que esperam aqui desta tarde?
Esperam que é um dia bom, o sol está a bater muito forte hoje, o pessoal já a chegar cá pro parque e vamos andar lá pro estádio com a nossa gente, com a nossa raça, o nosso sangue, todos os portugueses lá juntos e é um dia espetacular.
Portugal vai jogar em casa hoje.
Vai jogar aqui em Toronto, é um dia mesmo especial que a seleção e o Ronaldo estão cá para jogar contra a Croácia e nós esperamos que eles vão ganhar e vamos ver o que é que acontece.
Justin conseguiu bilhete pra o jogo?
Não, não consegui.
Caríssimo, não é?
É mesmo caríssimo. Os preços estão mesmo bem altos, mas a gente vai ver o jogo pertinhos do estádio, num screen grande aqui, downtown, com toda a gente e com as bandeiras fora e todos a gritar e vamos ver o que é que acontece.
Quanto é que fica hoje?
O resultado?
Sim.
Vou dizer 3×1 para a nossa seleção.
Muito bem, fica aqui a expectativa de Justin, um adepto da seleção nacional. Estamos no Stanley Park, onde os portugueses começam a juntar para daqui a pouco uma grande festa. Começa daqui a uma hora. Vai ser festa durante duas horas, vai ser até às 21h, no horário de Portugal. E só depois, a partir daí, é que os adeptos portugueses vão começar uma marcha lenta até ao estádio. O jogo aqui começa às 19h, será à meia-noite em Portugal.
E o Miguel Cordeiro vai acompanhar todo este trajeto até ao estádio, onde vai decorrer o Portugal-Croácia à meia-noite, hora de Lisboa. Também ajuda que é feriado hoje no Canadá, por isso há mais tempo livre. É verdade. E olha, Ricardo, hoje Portugal joga no Canadá, mas no ano que vem é a vez do Canadá vir à Europa. Como assim? Não há europeu. Não há Mundial, não há Europeu, mas há Eurovisão, há Festival da Eurovisão. Portanto, depois da Austrália… É verdade. O Canadá junta-se à lista de países concorrentes ao grande troféu de música. É o primeiro novo país a entrar desde a Austrália, que entrou em 2015. A CBC Radio-Canada passou a ser membro de pleno direito da União Europeia de Radiodifusão e, por isso, a presidente e diretora-executiva da empresa diz que a estreia vai permitir projetar artistas do país num dos palcos internacionais da música. Também a organização do festival está muito encantada por receber o Canadá na família da Eurovisão. Diz que a entrada do país só mostra que o concurso, apesar das raízes europeias, continua aberto ao mundo. E deixa-me fazer aqui uma correção, porque eu também já estou com os jogos à meia-noite e às 02:00 já estou aqui todo trocado. O feriado no Canadá foi ontem. Foi ontem. E não hoje. Já recebi uma mensagem de Toronto.









