TECNOLOGIA

Gigante da física entra em pausa para desvendar novos mistérios; entenda

Recentemente, o Centro Europeu para Pesquisa Nuclear (CERN) interrompeu as operações do Grande Colisor de Hádrons (LHC) para uma atualização planejada que deve durar cerca de quatro anos. A expectativa é que o equipamento volte a funcionar em 2030 com uma capacidade muito superior de geração de colisões entre partículas.Continua após a publicidadeA modernização transformará o acelerador na versão High-Luminosity Large Hadron Collider (HiLumi LHC), projeto concebido para aumentar significativamente o volume de dados obtidos nos experimentos. A iniciativa busca ampliar as possibilidades de investigação sobre a estrutura fundamental do Universo.Desde a descoberta do bóson de Higgs até estudos relacionados à matéria escura, à antimatéria e às primeiras fases do cosmos, os pesquisadores esperam que a nova etapa permita análises mais detalhadas e aumente a chance de observar fenômenos extremamente raros.O LHC é o maior acelerador de partículas já construído e permite que cientistas reproduzam, em escala microscópica, condições semelhantes às que existiam instantes após o Big Bang. Com a atualização, os pesquisadores esperam ampliar significativamente a quantidade de dados obtidos nos experimentos, aumentando as chances de responder a questões ainda abertas sobre a composição e a evolução do Universo.Atualização prepara nova fase para o maior acelerador de partículas
Reformas no Grande Colisor de Hádrons – (Crédito da imagem: Samuel Joseph Hertzog, CERN)O desligamento marca o início da terceira grande interrupção programada das atividades do LHC desde que o acelerador entrou em operação. O período, identificado como Long Shutdown 3 (LS3), será dedicado à instalação de novos equipamentos e à substituição de componentes essenciais para elevar o desempenho da estrutura.Segundo o projeto, a luminosidade do acelerador será multiplicada por dez em relação ao desenho original. Na prática, isso permitirá uma quantidade muito maior de colisões entre partículas, aumentando de forma expressiva o volume de informações disponíveis para análises científicas.O responsável pelo projeto HiLumi LHC, Markus Zerlauth, afirmou que o desligamento representa o início de uma nova etapa para a instalação. “Este é um momento muito importante. A partir de agora, entraremos em uma nova fase“, explicou em declaração à Agence France-Presse.

O Grande Colisor de Hádrons realiza experimentos com prótons desde 2009 e se tornou um dos principais instrumentos da física de partículas. Entre seus resultados mais conhecidos está a participação decisiva na confirmação do bóson de Higgs, anunciada em 2012, descoberta que contribuiu para explicar como partículas fundamentais adquirem massa.
Ilustração da produção de anti-hiperhélio-4 no Grande Colisor de Hádrons (LHC). Crédito: Janik Ditzel/ALICEEsta não é a primeira vez que o equipamento passa por uma paralisação de longa duração. Entre 2013 e 2015 foram reforçadas conexões entre ímãs supercondutores e foi ampliada a energia dos feixes de prótons. Posteriormente, entre 2018 e 2022, outra etapa concentrou-se em substituições de equipamentos, melhorias técnicas e manutenção preventiva.Conforme o CERN, a nova configuração permitirá produzir um número muito maior de eventos científicos relevantes. A previsão é de que o HiLumi LHC gere aproximadamente 380 milhões de bósons de Higgs ao longo de sua vida útil, quantidade muito superior ao total registrado até agora.Continua após a publicidadeEsse crescimento na produção de dados poderá ajudar pesquisadores a investigar limitações do Modelo Padrão da física, que ainda não contempla explicações para componentes como a matéria escura e a energia escura, consideradas predominantes no Universo.O diretor-geral do CERN, Mark Thomson, destacou que a atualização amplia as possibilidades de exploração científica. “É realmente uma oportunidade para explorar o Universo de uma maneira que ainda não fizemos“, disse em entrevista à revista New Scientist.A dimensão das obras também exige uma ampla mobilização de profissionais. O coordenador do Long Shutdown 3, Jean-Philippe Tock, explicou que quilômetros de equipamentos serão substituídos e que milhares de engenheiros, físicos, técnicos e profissionais de apoio participarão dos trabalhos. Mesmo sem novos experimentos durante o período de modernização, os pesquisadores continuarão estudando os dados acumulados nas campanhas anteriores. Paralelamente, tecnologias desenvolvidas para o acelerador seguem encontrando aplicações em áreas como equipamentos médicos, sensores e técnicas de restauração de obras de arte.

Wagner Edwards

Wagner Edwards é Bacharel em Jornalismo e atua como Analista de SEO e de Conteúdo no Olhar Digital. Possui experiência, também, na redação, edição e produção de textos para notícias e reportagens.

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