CIÊNCIA

Sabia que a mente influencia a eficácia de um tratamento?


Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
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Já lhe aconteceu tomar um medicamento e sentir-se melhor quase de imediato ou, pelo contrário, ler a lista de possíveis efeitos secundários e começar logo a sentir alguns deles? Será coincidência ou aquilo que esperamos de um tratamento pode mesmo influenciar a forma como o nosso corpo reage? Doutora Vanessa Mendes, bem-vinda.
Bom dia.
Isto tem uma explicação científica?
Tem, e é um fenómeno muito bem conhecido a nível médico. Efetivamente, quando uma pessoa melhora, porque acredita que está a receber um tratamento eficaz, mesmo que esse tratamento não tenha um princípio ativo, chamamos-lhe de efeito placebo. Por outro lado, quando a expectativa de que um tratamento vai causar efeitos negativos, leva também ao aparecimento ou agravamento de sintomas. E aqui estamos perante o efeito nocebo.
Nocebo, não conhecia.
Aqui o mais interessante é que ambos são reais, não significam que a doença seja imaginária, mas sim que o cérebro influencia a forma como o nosso organismo responde e como percebemos determinados sintomas.
Mas como é que isso acontece? É tudo uma questão de sugestão?
Não. Hoje sabemos que existem alterações reais no funcionamento do nosso cérebro. Estudos de neuroimagem mostram até que, no efeito placebo, há a libertação de substâncias como endorfinas e dopamina, que ajudam a reduzir a dor, a ansiedade e até a melhorar a sensação de bem-estar. Por outro lado, no efeito nocebo acontece-
É o oposto.
Exatamente, é isso mesmo. A expectativa negativa aumenta a resposta ao estresse e pode até intensificar sintomas como a dor, náuseas ou até aquela sensação de cansaço. Ou seja, a forma como o nosso cérebro interpreta uma situação que pode modificar a forma como o corpo sente.
Mas isto quer dizer que a nossa mente pode tratar as doenças?
Não, aqui não vamos confundir. Não. E esta é uma mensagem importante que devemos transmitir. O efeito placebo pode aliviar sintomas, mas não elimina a causa da doença. Por exemplo, pode diminuir a perceção da dor ou da ansiedade, mas não trata verdadeiramente, por exemplo, uma infeção, ou um cancro, ou uma doença cardiovascular. É por isso que nunca substitui tratamentos com eficácia comprovada. A medicina baseada na evidência continua a ser a base de qualquer tratamento.
Mas também por isso é que se diz que o otimismo é uma atitude positiva, ajuda muito na cura. Isso também ajuda a explicar por que a relação entre médico e doente é tão importante, não é, doutora?
Sem dúvida alguma. A forma como comunicamos influencia muito a confiança, a adesão ao tratamento e até a resposta terapêutica. Quando um paciente compreende o que tem e confia no tratamento, tende a aderir muito melhor e a sentir-se mais seguro. Por outro lado, uma comunicação que seja excessivamente alarmista, por exemplo, pode aumentar o medo e potenciar o efeito nocebo. Por isso, uma boa comunicação também faz parte do tratamento.
Resumindo, aquilo em que acreditamos pode mesmo influenciar a forma como nos sentimos, não é?
Pode. E hoje a ciência demonstra-nos isso de forma muito clara. A mente e o corpo estão permanentemente ligados e as expectativas podem influenciar a forma como sentimos a dor, o desconforto ou até alguns efeitos de um tratamento. Mas há uma ideia que nunca devemos esquecer: a confiança pode potenciar um tratamento, mas não o substitui. E a melhor medicina continua a ser aquela que junta conhecimento científico, uma boa relação médico-doente e um doente devidamente informado.
Sempre. Foi mais um Tratar da Saúde com a doutora Vanessa Mendes. Até amanhã.
Até amanhã. Bom dia.

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