Habemus Martínez? A revolução que mudou Portugal
Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Diário do Mundial. Já está! Portugal segue em frente no Campeonato do Mundo. Vitória por 2 x 1 frente à Croácia. Vamos falar com o enviado do Observador, Miguel Cordeiro. Festa em Toronto.
E que festa! É mesmo. Portugal segue em frente, milhares de pessoas estão a celebrar na rua. A festa, na verdade, se fez antes do jogo, uma marcha lenta monumental. Às 18h do início do jogo, já se estavam a concentrar pessoas no Stanley Park. Foi lá que estivemos durante toda a tarde. A marcha lenta arrancou três horas do início da partida e estavam quase 10 mil pessoas a caminhar em direção ao estádio. Quase ninguém tinha bilhete. Eu diria que 20% dessas pessoas tinham bilhete. Depois houve, naturalmente, festa no estádio, principalmente com o gol nos últimos minutos. E eu peço a toda a gente que nos ouve, que vão procurar as imagens e que vão ver as imagens que já estão a ser divulgadas do momento da chegada ao hotel da seleção. É impressionante. O mar de gente que está em frente ao Hotel Delta no momento em que chega o autocarro. Cristiano Ronaldo foi à janela agradecer o carinho, houve outros jogadores a fazer o mesmo. É uma loucura. Estamos a falar de uma cidade que tem uma das maiores comunidades portuguesas em todo o mundo e estas pessoas estão a vibrar imenso com o que aconteceu, mas já estavam a vibrar antes do jogo. É impressionante o carinho que estão a dar também à seleção.
Miguel, vamos falar do jogo. Portugal teve de sofrer para bater a Croácia.
Sim, não foi mesmo um jogo fácil. Nós já sabíamos disso, já tínhamos falado disso. O selecionador e Vitinha antes do jogo também falaram precisamente dessa dificuldade. Qual foi o plano do Roberto Martínez? Percebeu-se isso no momento em que anunciou o 11, a apostar principalmente no jogo exterior. Rafael Leão entrou para o lugar de João Félix, mais gente para as alas. Do outro lado, Pedro Neto continua na titularidade. Só que isso começou muito bem. Rafael Leão até tem as primeiras oportunidades do jogo ou ele a criar as primeiras oportunidades do jogo em tentativas de assistências para a grande área. Mas o Roberto Martínez não estava satisfeito porque o jogo estava essencialmente a acontecer do lado esquerdo e Roberto Martínez sabia que havia homens para atacar o espaço nos corredores dos dois lados. E, portanto, foi tentando corrigir várias vezes o posicionamento dos centrais, dos médios e apontando várias vezes para o lado direito, onde estava Pedro Neto, muitas vezes à espera da bola. Isso acabou por não acontecer. Portugal até acaba a primeira parte a mastigar um pouco o jogo no miolo, claramente algo que Roberto Martínez não queria. A Croácia cresce e a segunda parte começa mesmo muito mal. A Croácia entra completamente por cima e chega ao gol logo aos oito minutos da segunda parte e é, podemos dizer, um balde de água fria para Portugal.
Miguel marca e depois volta logo a meter a bola no fundo da baliza de Diogo Costa.
Sim, e eu acho que esse momento desse segundo gol, que na verdade depois acaba por não contar, é o momento da faísca, é o momento em que, de repente, nós vemos Roberto Martínez acordar. É óbvio que já tinha acordado um pouco ao colocar Leão e a tentar apostar nesse jogo pelas laterais, que depois acabou por fazer sentido e percebeu-se porque é que o fez. Mas a equipa não estava a conseguir executar esse plano e a equipa não estava a dar resposta. E Roberto Martínez, assim que Portugal sofre esse segundo gol, que foi anulado, estava fora de jogo, vai diretamente à zona onde estão os jogadores a aquecer, pede que todos voltem para o banco de suplentes, pede a três para tirarem o colete e ainda manda Nelson Semedo aquecer. Portanto, Bernardo Silva, Gonçalo Ramos, Francisco Conceição tiram o colete, três numa sentada, e Nelson Semedo também entrou nesse momento, ou seja, aqueceu apenas dois minutos. Portanto, Roberto Martínez meteu quatro homens e logo dois minutos depois há o lance da grande penalidade para Portugal, com Cristiano Ronaldo a bater e a marcar gol, e Portugal volta a empatar ainda antes da pausa para hidratação. Depois, o que acontece? Já com o jogo empatado, a Croácia volta a estar por cima, mas não da mesma forma. O que começa a acontecer é que Portugal tem pouca gente no meio-campo. João Neves está muitas vezes sozinho a fazer trabalho defensivo. Estava com a companhia de Bernardo Silva, que não trabalha tanto como Vitinha na defesa ou a recuperar bolas. E João Neves apareceu muitas vezes sozinho. Roberto Martínez apareceu pensativo a olhar para o que estava a acontecer e teve que mexer, portanto, tinha poucas soluções. Ele, na verdade, até chama dois jogadores, chama Rúben Neves e Diogo Dalot, e foi o próprio Diogo Dalot dizer que só podia fazer mais uma substituição. E ele aí pede desculpa e diz: “Desculpa, mas quem vai entrar é o Rúben Neves”. E quando nós começamos a pensar: “Ok, vai entrar Rúben Neves, quem é que pode sair?” Rafael Leão estava um pouco cansado. Poderia sair até um dos médios, poderia sair até João Neves e Portugal manter os dois avançados. O que aconteceu foi que quem saiu foi Cristiano Ronaldo. E aí caiu um tabu. Cristiano Ronaldo pode mesmo sair da equipa. Cristiano Ronaldo saiu da equipa. E por quê? Porque Roberto Martínez queria voltar ao plano inicial, apostar nas laterais, insistir no jogo exterior e bombear bolas para a grande área, onde sabia que iria estar sempre um homem. Foi assim que acabou por surgir o gol. Rafael Leão com espaço no corredor, puxa para dentro, cruza, Gonçalo Ramos cabeceia e Portugal marca o segundo. Foi uma festa autêntica no estádio. O estádio foi completamente abaixo. Depois do momento de festa, o Roberto Martínez só estava preocupado, principalmente com a concentração dos jogadores. O árbitro deu 10 minutos de desconto. O gol de Portugal também foi nos descontos e aos 90 mais 12 a Croácia marcou, mas estava fora de jogo. Portanto, depois de tudo isso, houve naturalmente festa. Portugal garantiu o apuramento e já está nos oitavos.
Miguel, no final do jogo houve também um momento importante e motivo de homenagem a Diogo Jota.
Muito importante. Sim, os jogadores estavam no centro do relvado a agradecer aos adeptos, quando o Cristiano Ronaldo recebe de um membro da equipa técnica uma camisola de Diogo Jota e veste essa camisola com o número 21. Dirigem-se depois para mais perto da bancada que tinha mais adeptos portugueses, aplaudem, gritam o nome de Diogo Jota às bancadas também. E Portugal, nesse momento, percebe-se também a importância que teve Diogo Jota nesta caminhada, ou que tem tido também durante todas as caminhadas da seleção nacional. E foi um momento bonito, que vai marcar certamente este jogo e vai marcar também o Mundial de Portugal.
E o que disse Roberto Martínez depois da partida?
Falou no jogo difícil. Disse que é uma pena das duas equipes, só uma poder seguir em frente, neste caso seguiu Portugal. Falou de cabelo. Curiosamente, Roberto Martínez falou de cabelo. A frase foi: “Eu já perdi todo o meu cabelo, como podem ver, mas acho que valeu a pena, porque tenho mais racionalidade e calma”. Foi o que disse Roberto Martínez. Fazer a análise também do jogo, tentar fazê-la de forma racional. Depois falou da Espanha, já pensou na Espanha. Disse que é um adversário difícil e que Portugal vai continuar a fazer um Europeu dentro do Mundial.
Então Miguel, vamos aproveitar essa deixa pra falar da Espanha, porque venceu de forma confortável.
Venceu a Áustria, conseguiu essa vitória confortável para garantir o apuramento já para a próxima fase. E de fato, a Espanha é uma das candidatas à conquista deste título, tal como Portugal. A Espanha sai para o intervalo a vencer por 1 x 0, mas a primeira parte nem foi brilhante da Espanha, mas a segunda parte já mostrou uma seleção espanhola a carregar, a cilindrar, a marcar três, poderiam ter sido mais. Não vai ser um adversário nada fácil e Portugal vai ter de trabalhar, mais uma vez, para lidar com a Espanha. Agora, não é um adversário impossível. E basta recordar que há um ano ganhamos a Liga das Nações precisamente frente à Espanha. E recordar também que não é preciso ganhar. Basta empatar, levar o jogo para pênaltis e depois vencer nas grandes penalidades. Portanto, há muitas possibilidades. Podemos pensar que é difícil ganhar à Espanha. Eu recordo que não é obrigatório ganhar, é preciso, sim, passar.
E Miguel, para fechar, vamos aos jogos de hoje.
Sim, rapidamente. Temos três jogos. O principal, aquele que vamos estar todos atentos, é o Argentina x Cabo Verde. Temos Lionel Messi, temos Cabo Verde, temos o sonho dos cabo-verdianos a brilhar neste mundial. As equipes africanas têm estado bem, mas nesta fase já não têm corrido tão bem como correram na fase grupos, é natural. Vamos ver o que é que pode fazer Cabo Verde. Este era o jogo que Vozinha queria ter no mundial. Vai mesmo tê-lo, vai jogar contra Messi. A Argentina está muito bem. O jogo é às 11 da noite, na hora de Portugal continental. Antes, há um Austrália x Egito, às 19h, horário de Portugal continental, e há também um Colômbia x Gana às 2h30 da manhã, portanto, já será dentro da madrugada.
Está feito o diário do mundial, sempre com Miguel Cordeiro, que está a acompanhar este mundial de futebol. Miguel, até amanhã.
Até amanhã.








