Suiça bate recorde antigo com caras novas
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Muito bom dia. Está com a Rádio Observador. Agora o Minuto 90, eu sou Carlos Pedro. Estamos a acompanhar os minutos finais do Argélia-Suíça, dos 16 avos de final do Mundial de Futebol. Atento a este jogo está o jornalista João Lourenço. Bom dia, João.
Bom dia.
Vamos com 89 minutos, quase 90 minutos, João, 2 x 0 para a Suíça, gols de Embolo e Dan Ndoye. Isto correndo o risco de ainda engolir o sapo, João, está praticamente decidido ou não?
Em princípio, não vais engolir o sapo, até porque há certamente história naquilo que é esta formação helvética, porque, Carlos, é a primeira vez que a Suíça ganha uma partida nesta fase do mata-mata, neste caso, em fases propriamente da era moderna. Isto porque a única vez que a Suíça passou nesta fase a eliminar foi em 1938, mas não havia sequer fase grupos, e esta é uma informação dada por nosso colega da seção de esporte, Tiago Gama Alexandre, que também está a acompanhar esta partida no site do Observador, em observador.pt. Entretanto, Carlos, já foi dado o tempo adicional por Jair Falcón Pérez, o argentino de 37 anos que arbitra esta terceira partida na carreira, neste caso, neste Campeonato do Mundo, seis minutos de tempo adicional. Uma partida, Carlos, com pouca história, mas se ela ainda existir, é marcada por muitas falhas defensivas por parte da Argélia.
Foi o grande calcanhar de Aquiles dessa seleção neste Campeonato do Mundo.
Sem dúvida nenhuma, até porque leva 10 gols sofridos.
Muito gol.
Terminou a fase grupo já com a corda na garganta, apesar de ter terminado como um dos melhores terceiros classificados, com quatro pontos, numa altura em que pode haver esse ataque de terceiro gol, mas não, à falta de um homem da Suíça, de Aydar, o número 22, que comete uma infração já em zonas accidentadas no terreno. Ainda há um lugar para esse pontapé livre a favor desta formação africana, com nomes, Carlos, como Ryad Mahrez, Aouar, que passaram muito à margem daquilo que foram os principais destaques desta partida. Tanto Ryad Mahrez como Aouar já saíram do encontro, já foram para o banco de suplentes. Uma partida que neste momento é jogada em Vancouver, no Canadá. Ora, se na outra partida desta noite jogada em terras canadianas houve emoção até ao fim, pelo menos esta partida não terá esse, certamente. Os adeptos suíços, que também, à semelhança de nós, estão a madrugar, certamente terão uma noite, ou neste caso, o início do dia descansado, o início de sexta-feira mais descansado, porque a Suíça, ao que tudo indica, e a três minutos e meio do fim, confirma essa passagem aos oitavos de final.
E este jogo começou às 4h da manhã, hora de Lisboa. João, diz-me se valeu a pena ou não ficar acordado para ver este jogo.
Para ver um homem que se tem destacado ao longo da temporada ao serviço do Friburgo, mas acima de tudo, se tem destacado ao serviço da seleção helvética, muito por causa dos três gols que leva nesta prova.
E já estás aqui a dar pistas para a tua crônica.
Sem dúvida nenhuma, e até porque ele faz hoje uma assistência e faz um domínio completo do meio-campo. Estamos a falar de Zoran Manzambi, médio de 20 anos do Friburgo, ele que até ao início desta competição da FIFA levava três gols pela seleção da Suíça em 10 internacionalizações. Ora, três gols não marcou, mas acima de tudo, três gols já fez neste campeonato, somando aos três que já tinha, já leva seis, mas acima de tudo, faz uma bela assistência para o primeiro gol de Breel Embolo, que é uma das figuras desta seleção helvética e que, acima de tudo, é um jovem proveniente desses quadros do Friburgo. Recordar que esta equipa do Friburgo eliminou o Braga nas semifinais da Liga Europa e que certamente teve uma final frente ao Aston Villa, que não foi muito bem conseguida, bem pelo contrário, mas os olhos da Europa e do velho continente devem estar atentos a este médio ofensivo de apenas 20 anos, Zoran Manzambi. Sim, Carlos, posso dar spoiler, é a minha perna desta partida.
Foi o teu grande destaque para este jogo. Manzambi, 54 milhões de euros de valor de mercado. Vamos então continuar com esta crônica do jogo, João. Vamos ao joker. O que é que foi improvável neste jogo?
Para uma baliza estar a zeros, não é só uma boa exibição por parte de Gregor Kobel. Tem que haver uma defesa e uma defesa coesa. Eu vou te falar de um defesa, perdão, de um médio adaptado à defesa. Falo de Denis Zakaria, um médio adaptado a lateral direito de apenas, neste caso, de apenas não, de 29 anos. Não é apenas, já está certamente no pico da carreira e é no pico dessa carreira que demonstrou uma flexibilidade posicional e tática que valeu um lado direito por parte desta Suíça de uma eficácia brilhante. Denis Zakaria não só esteve muito bem no capítulo defensivo, com várias recuperações, sete recuperações, um livre, dois remates bloqueados, quatro intervenções, mas acima de tudo, foi um autêntico comboio no lado direito. Estamos a falar de um médio que já pisou vários terrenos nesta seleção helvética, tanto como a oito, como a seis E esta noite, madrugada, pisou os terrenos de lateral direito e teve, para te dares conta, Carlos, uma precisão de passe de 89% e quase uma totalidade de passes precisos. Ou seja, foi um médio que é box-to-box na sua gente, mas adaptado a lateral direito e com muita eficácia e mérito também para Murat Yakin, o selecionador suíço que já está nesta seleção helvética desde julho de 2021. Agora pode ser o golo da Suíça, não é? Um remate forte e há uma grande defesa por parte do guarda-redes da Argélia, Lucas Zidane, que certamente não fez valor ao apelido, até porque o pai certamente não é fácil e acima de tudo a posição também não coincide. Pois bem, não fez valor ao apelido do pai, mas viu agora a Suíça confirmar a presença nos oitavos final. Termina a partida em Vancouver, no BC Place. Antes de irmos à sentença e à mentira, dar conta, Carlos, que o adversário dos oitavos final da Suíça vai nascer do embate entre a Colômbia e o Gana, que se vai jogar amanhã às 2h30 da noite.
E é um jogo para também acompanhar aqui na Rádio Observador. Manzambi como pérola, Denis Zakaria como joker. Vamos à sentença.
Vamos à sentença e é naturalmente a Suíça. A Suíça que entrou muito forte na primeira parte, certamente não teve medo de uma seleção da Argélia que conseguiu fazer pelo menos tremer as pernas desta seleção helvética depois dessa conquista de um dos terceiros melhores lugares. A Suíça que tem Colômbia ou Gana pela frente, vai ter que se aplicar, mas acima de tudo a sentença brilha pelo lugar na história. É a primeira vez que a Suíça ganha um jogo numa fase eliminar da competição da FIFA. Mérito para os suíços e grande festa em terrenos helvéticos.
Momento histórico para o futebol na Suíça. Vamos fechar, João, com a mentira. O que é que devia ter acontecido, mas não aconteceu neste jogo?
A minha mentira é acima de tudo e muito sinteticamente, é onde é que está a defesa da Argélia. Não apareceram, certamente devem estar com o horário de Lisboa, porque ficaram a dormir durante todo o Campeonato do Mundo, durante principalmente os 90 minutos desta partida. Dez gols sofridos para quem pode ter algumas ambições neste Campeonato do Mundo. É quase como um favor que fazem às equipes adversárias. Muito má Argélia em termos defensivos. Podia ter dado em termos ofensivos, até porque eu sou um grande fã de Riyad Mahrez, foi uma grande atleta dos quadros na altura do City e também do Leicester. Não esteve em jogo, não esteve sequer em campo e certamente eu terminei a minha análise com o Zidane. Não fez sequer jus ao apelido, até porque eu vou utilizar um termo muito na gíria do futebol. Foi uma autêntica sexta rota durante este Campeonato do Mundo.
Onde está a defesa da Argélia? Uma pergunta para se fazer a Vladimir Petković, o selecionador.
Que em princípio deve estar de malas e bagagem de saída desta seleção.
Exatamente. E que nasceu na Suíça, mas que é o selecionador desta seleção argelina. Portanto, pérola para Manzambi, joker para Denis Zakaria. A sentença para a passagem histórica ou para a vitória histórica da Suíça e a mentira fica com a defesa da seleção argelina. Fica aqui a crônica do jogo Argélia-Suíça dos 16 avos final deste mundial, a crônica do jornalista João Lourenço. Muito obrigado, João.
E resto bom dia.
Resto bom dia também para ti. E fechamos este Minuto 90 na Rádio Observador.









