CIÊNCIA

63 canções portuguesas que marcaram a primeira metade do ano

Já tinha sido assim em anos anteriores, mas este ano ainda foi mais evidente: a primeira metade de 2026 foi um semestre particularmente prolífico para a música feita em Portugal. Foram editados dezenas de discos e incontáveis singles, o que dá conta da vitalidade do cenário musical nacional. Da pop, cada vez mais digital e de pendor eletrónico, ao rap, passando pelo indie e pelo rock, as diferentes músicas de expressão africana, os revivalismos dos sons tradicionais, há um amplo conjunto de novidades para escutar.
São veteranos e novatos, independentes ou ligados às grandes editoras, cantam em português de todos os sotaques (ou em inglês ou crioulo), são mais convencionais ou disruptivos, politizados ou escapistas — por vezes, concentram vários destas características, até porque as contradições e ambiguidades coexistem e as identidades artísticas são tudo menos lineares.Este é o retrato que traçamos quando olhamos com atenção para os últimos seis meses — de janeiro a junho de 2026 — e apresentamos em forma de playlist o mais impactante e relevante que foi feito em Portugal na primeira metade do ano.Slow J com Prodígio
Slow J tem-se vindo a aproximar das suas raízes angolanas e a maior expressão disso foi o single 4 de Fevereiro — nome do histórico aeroporto de Luanda, mas sobretudo uma data simbólica por ter sido, em 1961, o dia em que se iniciou a luta armada pela libertação nacional. Neste tema poderoso, dividido em três partes, o músico junta-se a Prodígio, rapper da Força Suprema, com uma forte presença em Angola, que lançou também nesta primeira metade do ano o álbum A Última Ceia do Bandido, para uma partilha entre “cá” e “lá”, entre quem deseja pisar todas as províncias “antes da última missa” e quem tem o coração dividido entre Sintra e Luanda. Uma identidade a meio caminho que procura construir pontes.Lon3r Johny com Plutonio
Lon3r Johny e Plutonio são uma dupla já mais do que testada que se voltou a reunir para o novo álbum do primeiro, 94, provavelmente o trabalho mais sério já editado por esta estrela do trap português, que tem vindo a ascender na cadeia musical. O novo disco é uma celebração do sucesso, uma retrospetiva sobre as conquistas, a manifestação de novas ambições, o auto-reconhecimento da influência, num imaginário em que o carro de alta cilindrada, a marca de luxo ou o relógio brilhante são símbolos de estatuto. O título 25 de Abril poderia indiciar uma faixa politizada, mas é apenas uma referência à ponte que une Lisboa e Almada. Sobre uma batida pulsante, com flows orelhudos, Lon3r Johny e Plutonio trocam versos e melodias e provam porque são uma das duplas mais populares da música nacional contemporânea.Rita Vian
A cantora portuguesa, que explora uma pop urbana autoral, de registo afadistado, com uma influência da poesia do rap, lançou em maio o segundo álbum, Liga Dura. Entre o alinhamento está este single produzido por Charlie Beats e pelos irmãos GOIAS, uma canção portentosa que retrata uma dissolução amorosa onde, como habitual, a artista tanto se destaca pela força da sua voz como pela qualidade dos versos.Holly Hood
10 anos depois do início, Holly Hood concluiu a trilogia d’O Dread Que Matou Golias com um terceiro capítulo, Opressionismo. Rapper do escárnio e maldizer, mestre da punchline e dos duplos sentidos, fez um trabalho marcado por uma certa tensão interior — a paranóia, as angústias, a culpa, os vícios, a raiva ou a obsessão — que se reflete em temas como o single Amazónia, no qual explora uma selva urbana onde é cada um por si. “Gratidão anda uma beca wack/Se é para ser faquir estou a tirá-las da back (…) Quando a coisa ficou preta não era gang, eram gangrena, estavam todos prontos para tirar o pé”, escuta-se no tema co-produzido por Here’s Johnny, Il-Brutto e Kaddy.Nininho Vaz Maia
Quem também lançou um novo disco foi Nininho Vaz Maia. Soy Louco, assim se chama, abre logo com uma canção com o seu nome próprio como título, Avelino. Produzida e co-escrita pelo próprio, ao lado da mulher Triana Marin e do rapper Azart, trata-se de um poderoso flamenco pop em que fala para si próprio, em que se auto-questiona, num registo introspetivo e emocional, intensificado pelo alcance da sua voz possante. A meio, o tema acelera a velocidade e torna-se mais eletrónico, numa produção elaborada que o torna num dos melhores singles do disco.PeculiarPeculiar tem-se afirmado como uma das vozes frescas da pop contemporânea nacional. Depois de no ano passado se ter estreado em disco com E No Sétimo Dia Deus Criou, agora prepara terreno para o álbum de estreia, previsto para o próximo ano, Os Camelos Também Sabem Nadar. O single Azeitona dá o mote: é uma pop soalheira e dançável que se aproxima das suas raízes algarvias e que faz a ponte com a ligação ancestral ao Norte de África.DJs Di Guetto
A editora Príncipe Discos, referência internacional do universo da batida — a música eletrónica produzida nos subúrbios de Lisboa a partir do kuduro angolano, do techno e de outras influências — celebrou os 15 anos de atividade com o lançamento do segundo volume da compilação dos DJs Di Guetto, supergrupo dos DJs Marfox, Nervoso, N.K., Pausas, Fofuxo e Jesse. São temas, sobretudo inéditos, compostos em 2007, numa fase seminal deste movimento, que agora foram recuperados, editados e tratados com a dignidade merecida. Banda em Chamas é uma das faixas reveladas, uma produção crua, desconcertante, aparentemente dissonante, ao mesmo tempo irresistível, que tem bem presente o ADN de uma música que já era bem mais do que kuduro mas que ainda não tinha propriamente um nome ou uma cara. Arqueologia sonora, um artefacto que ajuda a contar a história da música popular em Portugal nas últimas duas décadas. Primeiro estranha-se, depois dança-se.BanduaA dupla de Edgar Valente e Bernardo Addario (que também assina como Tempura the Purple Boy) prepara o segundo álbum, BANDUA II, do qual já revelou o single Flor do Rosário e uma versão de O Corpo é que Paga, de António Variações. O mais recente avanço é este Barquinho, uma canção que mantém o registo do duo — o folclore da Beira Baixa e a voz profunda de Edgar Valente, que parece carregar séculos de história, envoltos numa roupagem eletrónica pulsante. Trata-se de um tema sobre uma pequena embarcação que se recusa a navegar sozinha, numa reflexão sobre comunidade e sentido de pertença.Cara de EspelhoDois anos depois, um segundo disco, simplesmente intitulado B. Os Cara de Espelho — banda de Carlos Guerreiro, Luís J. Martins, Mitó, Nuno Prata, Pedro da Silva Martins e Sérgio Nascimento — expandem o seu universo artístico com um álbum que inclui o single Cara Podre. É um trabalho que continua a explorar uma produção sofisticada contemporânea, com os pés assentes na tradição musical portuguesa e letras que questionam o mundo que nos rodeia.Van Zee
É o grande single do EP que Van Zee lançou há menos de um mês. tá calor e a culpa é tua é um disco quente que se dedica sobretudo aos temas do amor e da paixão, na linguagem muito própria do artista madeirense, um serpentear fluido entre o português e o inglês, numa abordagem emocional, que também mostra como não tem receio de testar sonoridades diferentes, numa altura em que o mercado está saturado e com muita música parecida a ser editada. Cartas na Mesa carrega uma certa nostalgia, propulsionada pelo incrível videoclipe, dirigido por Ruben Mendes e Tomás Freitas, que retrata um universo dreamy de Bonnie e Clyde, dois parceiros no crime a levar intensamente a aventura que é a vida. Van Zee traz coisas novas para a mesa e deixa-nos um bálsamo que mostra que é possível ser original.Bluay com Buba EspinhoDuas facetas bem distintas da pop contemporânea feita em Portugal numa canção. Se Bluay, de raízes cabo-verdianas, é um dos cantores que têm explorado uma música melosa e calorosa ligada às suas origens africanas; Buba Espinho é um dos grandes responsáveis pela pop influenciada pelo cante alentejano. Juntos, cantam uma Cidade cheia de sons, comunidades e referências distintas — mas onde há espaço para todos.Bárbara TinocoFoi em maio que Bárbara Tinoco, uma das maiores estrelas pop do país, lançou de surpresa um novo álbum, Hormonal, construído enquanto estava grávida de Masha, filha com o guitarrista, compositor e produtor Feodor Bivol, que colaborou em vários dos temas do disco — a par do compositor e produtor Charlie Beats, outra das figuras essenciais por trás deste trabalho, a primeira vez que a música de Tinoco ganhou batida e deixou o registo completamente acústico. Isso é notório, por exemplo, em Cozinha, onde a artista escreveu uma letra na qual declara a sua paixão e confessa o seu desejo. Hormonal é um disco em que a artista relata a sua história de amor, que levou ao nascimento da sua filha, e este é um dos temas mais adultos do alinhamento.Rita Onofre
Entre a canção portuguesa, a energia rock e a música eletrónica, Rita Onofre construiu um segundo álbum intitulado BRUTA. Por oposição ao disco anterior, hipersensível, este trabalho explora uma abordagem mais visceral e menos contida. Criatura é um dos melhores (e mais escutados) temas do projeto.xtintoEm sonhos, é sabido, não se morre, de xtinto, é um sério candidato à lista dos melhores álbuns do ano de 2026. Entre o alinhamento equilibrado do disco, o mais maduro e refinado já orquestrado pelo artista de Ourém, autor de uma das mais talentosas canetas do Portugal contemporâneo, encontramos o single Dividir. É um tema que clama pela liberdade e pelos valores de Abril, que denuncia que “estão a ganhar força onde não vi verdade”, que faz a apologia da partilha e da comunidade, da importância dos amigos e dos entes queridos à nossa volta, num disco construído num contexto de dúvidas existenciais e angústias mentais.Karetus com Dona Rosa e Velha Gaiteira
Os Karetus, dupla de música eletrónica composta por Carlos Silva e André Reis, lançaram no primeiro semestre de 2026 o álbum em que estiveram a trabalhar ao longo dos últimos dois anos. Embora venham de um circuito popular, de remisturas acessíveis e por vezes até superficiais, atuando muitas vezes em contextos juvenis, fizeram certamente o maior esforço da sua carreira para concretizar este ambicioso disco de Modas. É a sua abordagem eletrónica a diferentes sons tradicionais portugueses, para os quais convocaram uma série de artistas e grupos especializados, misturando músicos tradicionais e da nova geração pop. É um alinhamento com Vitorino e IOLANDA, os Gaiteiros de Lisboa e Conan Osiris, Romeu Bairos e Júlio Pereira, Mike El Nite e os Galandum Galundaina, Ricardo Ribeiro e os Wet Bed Gang. Entrudo, com Dona Rosa e Velha Gaiteira, é o tema que mostra o caminho ao abrir o disco.Capitão FaustoOs Capitão Fausto lançaram no início do ano o primeiro single desde o álbum Subida Infinita (e na mesma altura tocaram na Meo Arena). Trata-se de Escolhas, uma música que fará parte de uma banda sonora que o grupo lisboeta irá revelar em breve, com uma letra de Tomás Wallenstein que reflete sobre as “escolhas” que fazemos no dia a dia e ao longo da vida, sejam escolhas que nem são bem escolhas, ou escolhas que não chegam a dar em nada… A vida é feita de escolhas e os Capitão Fausto escolheram dar-nos esta canção.Nenny
O aguardado álbum de estreia de Nenny chegou finalmente neste primeiro semestre de 2026. Ao longo dos últimos anos, a jovem rapper e cantora esteve a amadurecer, tanto ao nível artístico como pessoal, para agora se apresentar definitivamente em ID. Embora não estivesse previsto, o grande single do disco tornou-se, sem margem para dúvidas, a empoderadora Eu Quero Um Preto, uma canção aveludada de amor próprio e de carinho pela comunidade negra, com um refrão memorável e a voz doce de Marlene Tavares. O disco tem espaço para temas mais assertivos, de braggadocio e punchlines, para a versão mais rapper de Nenny, mas também apresenta uma abordagem sedosa em canções como esta.YangÉ um dos nomes mais consistentes dos últimos anos a percorrer um caminho entre o rap, o R&B moderno e as batidas de cariz afro. Na linha de artistas como Slow J, Yang já deu seguimento ao EP Astros e Afetos, editado em 2025, com uma série de singles onde se inclui o mais recente Fé. Voz adoçada e escrita fluida, com produção do colaborador habitual Nanu mas também de Diogo Seis, é mais um passo na caminhada morosa, mas ascendente, que o artista tem vindo a trilhar. Certo é que Yang possui o talento e a Fé certa para continuar.Luísa SobralLuísa Sobral aproxima-se da música tradicional portuguesa com o primeiro avanço do seu próximo álbum, Cartas de Desamor, o oitavo da carreira, com edição marcada para 9 de outubro. O adufe marca o pulsar, a sonoridade é luminosa e marca uma nova direção musical para a cantora e compositora portuguesa de renome. É uma celebração da alegria após um período conturbado, refletindo sobre a capacidade de recomeçar e de encontrar a luz depois das adversidades. De preferência, ouvir enquanto se vê o videoclipe. Os concertos de apresentação do disco estão já agendados para 11 e 19 de novembro, no Teatro Tivoli, em Lisboa, e na Casa da Música, no Porto.Pedro Mafama
Num exercício ambicioso, Pedro Mafama foi até à Quinta do Mocho, o principal epicentro da chamada batida de Lisboa, descobrir o que os novos talentos andavam a fazer. Um beat de Diiony G, mais tarde transformado pelos músicos à sua volta — Sónia Trópicos e Pedro Gerardo — e com o célebre sample mirandês de “Galandum Galundaina”, acabou por gerar uma colaboração com Petty, a cantora angolana, há anos longe da música, que se tornou célebre por protagonizar o primeiro single de sempre dos Buraka Som Sistema, Yah!. Entre a batida de Lisboa, o kuduro angolano, os samples tradicionais portugueses e a abordagem pop inventiva de Pedro Mafama, nasceu uma Gandaia muito própria.Marisa Liz com CamanéOutra das artistas a lançar um álbum neste primeiro semestre foi Marisa Liz, com Relatos de um Coração Confuso. Um dos singles é esta colaboração com o fadista Camané, um tema que celebra a empatia, a autenticidade e a abertura ao outro. Com equilíbrio para a expressividade das duas vozes, cruza uma instrumentação acústica com nuances de uma produção mais contemporânea.NenaDesde que apareceu com o êxito Portas do Sol em 2020 que Nena se tornou um caso sério na pop nacional. Um ano depois do segundo álbum, Um Brinde ao Agora, apresentou uma versão deluxe do disco onde se inclui a elegante Guardei-te Um Lugar, canção pop madura com produção de João Só.MAROA cantautora portuguesa lançou, no início do ano, um álbum chamado So Much Has Changed. Com uma instrumentação de banda, num registo mais soalheiro e alegre, é o disco que tem vindo a apresentar numa impressionante digressão internacional que também já passou pelo Coliseu dos Recreios, em Lisboa, e pelo Coliseu do Porto. Kiss Me é um dos singles deste trabalho, uma canção indie ou folk pop intimista, de arranjos subtis, que privilegiam a voz delicada de MARO e as cordas das guitarras.littleboy55kUma pequena explosão está a acontecer no underground. littleboy55k é um jovem artista angolano radicado em Portugal com uma abordagem refrescante ao kuduro, altamente influenciada pelo trap, com uma estética noisy e explosiva cheia de compressão, dissonante mas envolvente, com letras explícitas que tanto vão beber, lá está, ao universo do rap como do kuduro. Magala é um dos temas do álbum Kudurations, uma verdadeira pedrada no charco, que entretanto teve direito a uma versão alargada, Kudurations (Eskebra). O mais interessante é não ser um caso completamente isolado: littleboy55k é um dos vários artistas associados ao coletivo Junkie Money, que tem estado precisamente a explorar este #Novokuduro, como se chama outra das suas faixas. Há uma nova vaga musical a que estar atento.VSP ASTNome em franca ascensão no panorama nacional, lançou em fevereiro o segundo disco, Lobotomia Pop. Natural de Coimbra, VSP AST (ou seja, “vespa asiática”) apresenta um som híbrido entre o rap e o pop punk que evoca o final dos anos 90 e o início dos 2000. Produzido por Survival, o single Manicómio apresenta um retrato da pressão psicológica, dos conflitos internos e da sensação de viver um ambiente de caos, numa reflexão sobre saúde mental no mundo contemporâneo. O videoclipe, dirigido por Henrique Rocha e Gonçalo Ícaro, também é digno da lista dos melhores já realizados este ano.Carolina Deslandes e Rodrigo CorreiaCarolina Deslandes juntou-se ao guitarrista Rodrigo Correia, seu colaborador habitual, para o EP cantar as dores baixinho (vol. 1), editado em março. São meia-dúzia de canções gravadas ao vivo, sem qualquer edição ou correção técnica, que demonstram e reforçam o talento da artista enquanto intérprete e letrista. Maria, uma das faixas, conta a história de uma mulher a viver um sentimento em silêncio, por receio do julgamento, e acaba a conformar-se com uma vida mais convencional onde inevitavelmente se irá sentir deprimida.Bárbara BandeiraA cantora pop portuguesa tem vindo a apresentar um amplo projeto intitulado Lusa. Se o primeiro ato a ligou às suas raízes brasileiras, o segundo volume, editado este ano, mergulha a fundo nas referências portuguesas. Um dos principais singles é Mau Olhado, produzido por Ariel & Migz, com letra da própria Bárbara Bandeira e Ella Nor, uma canção pop urbana que encara a superstição como a inveja alheia que pode ou não abalar uma relação amorosa. Como tem sido habitual, a artista canta num registo confessional e íntimo, sem nunca perder a força empoderadora que a caracteriza.Alex D’AlvaDepois de uma década de trabalho na banda com o seu apelido, Alex D’Alva lançou um disco em nome próprio, Livre, onde explora uma pop alternativa e autoral, envolta em texturas eletrónicas e etéreas, certamente dançável em faixas como o single Mina (F.O.Q.Q.). A voz celeste e delicada do cantor irrompe pela composição adentro neste tema co-produzido com Choro.PirukaMesmo sem o impacto de outrora, Piruka mantém-se como um rapper bastante popular em Portugal e não tem abrandado na quantidade de música editada. Uma das mais recentes, das várias que já desvendou este ano, é Modo Voo, com um instrumental vibrante de Rusty, onde o rapper da Madorna aborda as suas vivências e se mostra indiferente perante os críticos.Capital da BulgáriaFoi em maio que a cantautora Capital da Bulgária nos presenteou com um novo EP, Almoço, onde se inclui Morrer na Praia, uma canção de sensibilidade pop, produção eletrónica subtil e aura indie. Como tem sido seu apanágio, também é na escrita — por vezes auto-irónica, muitas vezes algo imprevisível — que Sofia Reis se destaca.Vizinhos com ÁTOA e Atitude 67Seria impossível fazer esta lista sem destacar um dos maiores fenómenos pop do último ano, os Vizinhos, que se estrearam já em 2026 com o álbum Só Se Estraga Uma Casa. Inspirados pelo cante alentejano, são um dos grupos — a par dos Bandidos do Cante, dos Descendentes ou de outros artistas com maior pendor tradicional, como Buba Espinho e Luís Trigacheiro — que estão a protagonizar esta vaga. O single Na Próxima Vida junta-os aos companheiros (e conterrâneos) ÁTOA e aos brasileiros Atitude 67.Tayob J. com Rashid e Dino D’SantiagoProdutor e compositor discreto a operar há mais de uma década nos bastidores do hip hop e da música urbana portuguesa, Tayob J. — de raízes polaco-brasileiras e indianas via Moçambique — estreou-se finalmente com um álbum onde demonstra a sua versatilidade musical e para o qual reuniu um elenco de luxo. A Beleza do Erro inclui participações de Criolo, Djodje, IOLANDA, Xullaji, Bateu Matou, Selma Uamusse, Murta, Vitão ou Sir Scratch, entre outros, e um dos grandes singles é Na Vanguarda de Mim Mesmo, onde estabelece mais uma ligação transatlântica, unindo o brasileiro Rashid e o luso-cabo-verdiano Dino D’Santiago numa faixa elegante, de produção sofisticada, poética e emocional.Nelson Freitas com Nuno RibeiroUm dos mais reputados e influentes cantores e produtores da música lusófona, Nelson Freitas, anunciou que o álbum que lançou este ano seria o último. Legacy, assim se chama, deverá ficar na história como esse marco, pois o artista cabo-verdiano nascido e criado nos Países Baixos deseja apostar cada vez mais no formato de single. Um dos temas mais populares e impactantes deste novo trabalho é Não Deixa, com o cantor Nuno Ribeiro, autor de inúmeros hits, uma balada pop de balanço quente onde cantam sobre saudade e afastamento.ICAROÉ outra das vozes entusiasmantes que emergiram nos últimos anos na música portuguesa. Começou no trap, acabou por se lançar como autor de uma pop bem urbana, de múltiplas referências sonoras, muitas vezes com uma influência da ginga da música latina, mas que também vai beber ao revivalismo da portugalidade. ICARO é, acima de tudo, um ótimo escritor de canções — e a letra de Não Disseste Nada, inteligente e emocional, que cruza poesia da rua e dos livros, é mais uma prova disso mesmo. É o último tema que o cantor decidiu dedicar à musa de muitas das canções da sua discografia, agora já numa fase de desencontro e distanciamento, onde ainda assim persistem uma série de inquietações.Expresso TransatlânticoA banda composta por Rafael Matos e pelos irmãos Gaspar e Sebastião Varela lançou no início do ano o seu segundo álbum, Trópico Paranóia. Trata-se de um disco mais sombrio e agitado, diretamente moldado pela perceção do mundo dos seus autores, e Nikita Punk, com o seu groove elétrico em tensão constante, foi o single revelado em 2026 que prolonga a viagem do Expresso Transatlântico.IOLANDAA cantora portuguesa tem o Coliseu dos Recreios, em Lisboa, reservado para a noite de 7 de dezembro. Até lá, será lançado o seu álbum de estreia, que tem vindo a ser antecipado com uma série de singles. Um deles é Noite Inteira, uma canção sedutora com um instrumental envolvente que demonstra aquilo de que IOLANDA é feita: uma pop urbana sofisticada, letras inteligentes e uma voz poderosa de alcance invejável.Dengaz com AgirEsteve mais de 10 anos sem lançar um álbum. Há uma década, Dengaz era um fenómeno pop, a encabeçar os coliseus de Lisboa e do Porto, com uma base de fãs leal, à margem do movimento hip hop. Fazia rap e vinha desse universo artístico, mas também tinha fortes influências reggae, dancehall e mesmo pop, com uma abordagem mais melódica. Somavam-se as colaborações com Seu Jorge, Marcelo D2 ou António Zambujo. Depois abrandou o ritmo de lançamentos, até parar por completo. À sua volta, tudo mudou nos anos que se seguiram. O trap explodiu e quebrou as barreiras estéticas do rap em Portugal, democratizando o género; os seus agentes, na editora Bridgetown, subiram ao topo da indústria ao assumirem a liderança da Sony Music Portugal; os colegas e amigos mais próximos também mudaram as suas vidas: Richie Campbell inverteu por completo o seu som a partir de Lisboa, Plutonio, que abrira os concertos nos coliseus, tornou-se provavelmente no artista mais popular de Portugal. Dengaz tentou voltar mais cedo, mas acabou por fazer um disco que nunca chegou a sair. Eventualmente, descobriu o rumo que o levou até ao álbum de regresso, O Que Não Se Vê É Eterno. Ousou experimentar, testar receitas novas, convidar outras vozes para as suas canções — para em fevereiro apresentar um disco de 19 faixas. Uma delas é este reencontro com Agir (que também tem lançado diversos singles), Notas & Traumas.King Bigs x Mizzy MilesVerdadeiro fenómeno de popularidade, muito graças à sua persona excêntrica e às suas rimas desconcertantes, frequentemente cómicas, King Bigs uniu-se ao produtor Mizzy Miles para um tema que praticamente se instalou como hino do “Portugal Real” dos bairros de norte a sul do país: a cultura dos desportos de combate, do tuning, dos churrascos e dos tirantes ao pescoço, enfim, do lado B que raramente aparece retratado no espaço público. O Meu Portugal é, em simultâneo, uma música que celebra as ruas do país e reclama pertença, uma vez que de alguma forma tem inerente a mensagem que “somos todos portugueses”; mas também integra apontamentos de crítica social, oferecendo, ainda assim, um questionável refrão que evoca a memória do Casal Ventoso, das Torres do Aleixo e do escudo. Realizado por Mike AK e pelo próprio King Bigs, é também um dos grandes videoclipes do ano: à sua escala, a versão portuguesa daquilo que Guy Ritchie fez com Londres em Gentlemen.Dealema com BezegolA celebrar 30 anos de carreira, os Dealema fizeram o Coliseu do Porto na mesma semana em que lançaram o primeiro álbum como coletivo em 13 anos, 96 ao Infinito. Um dos singles do disco é esta O Teu Momento, com a emblemática voz rouca de Bezegol no refrão, um tema do filão mais solene e introspetivo do grupo histórico formado no eixo Vila Nova de Gaia-Porto. A comemoração do aniversário redondo chega ao Capitólio, em Lisboa, a 19 de dezembro.Espama Trincana x bapcatTem sido um dos maiores fenómenos dos últimos meses na música portuguesa. De identidade incógnita, sem revelar o rosto, Espama Trincana é um rapper açoriano, de sotaque e calão carregado, repleto de referências ao arquipélago, com um registo irónico,  que rima sobre marginalidade e amor pelos estupefacientes, numa ode à chungaria, um autêntico herdeiro de Sandro G e de todo o imaginário em torno de Rabo de Peixe — a vila, recentemente catapultada pela série homónima da Netflix. O disco orelhudo que lançou em 2025, Espamah Montana, a Mixtape, tornou-se um sucesso e tem-no feito percorrer os palcos de todas as queimas das fitas e festas académicas do país. De Bruno Nogueira a Carolina Deslandes, passando por Salvador Martinha, foram muitas as figuras públicas a deixarem-se contagiar pela febre e a partilharem a sua música nas redes sociais. Já este ano, participou na impactante série bapcave sessions, do produtor e compositor bapcat, de Coimbra, na qual se capta uma sessão de estúdio e o respetivo resultado musical, para um tema que expande o seu universo. Cheira-nos que Espama Trincana ainda agora começou.TILTReferência do underground do rap português, TILT estabeleceu-se como um rapper de culto ao longo dos últimos 15 anos. Tanto a solo como no coletivo ORTEUM, tem militado com um hip hop denso e confrontacional, que vai beber à era dourada dos anos 90 e ao indie rap nova-iorquino dos anos 2000, mas faltava-lhe um álbum em nome próprio para sedimentar o vasto currículo. Foi em abril que soltou esse ESPIRRO: uma das novas faixas é esta em que se assume como o Paciente Zero da obsessão doentia com a arte da rima. Sobre um beat soturno e minimal de Il-Brutto, degola liricamente qualquer adversário que ouse atravessar-se no seu caminho.MAQUINA.O terceiro e maior disco dos MAQUINA. — grupo sensação de Halison, João Cavalheiro e Mendy, que tem percorrido os festivais de norte a sul do país nos últimos anos — chega a 10 de julho. De Body Transmission já se conhecem alguns singles, entre os quais Pressure/Pleasure, uma energia incessante de clube com um baixo pulsante e riffs abrasivos de guitarra, uma permanente tensão sonora entre impulso, desejo e excessos que promete causar o caos na pista.Buraka Som SistemaÉ um dos principais acontecimentos musicais do ano. Uma década depois, os Buraka Som Sistema estão de volta aos palcos. Preparam-se para tocar no NOS Alive a 11 de julho e fazer uma série de datas internacionais. Depois, quem sabe? Certo é que o grupo de Branko, Conductor, Kalaf, RIOT e Blaya — que ao longo do tempo se tem desdobrado nos percursos a solo e em múltiplos outros projetos — reuniram-se em estúdio e de lá saiu este Puro Mambo, uma abordagem ao semba — género tradicional angolano, que incluiu contributos de diferentes colaboradores, de Pedro da Linha ao guitarrista Betinho Feijó — para incendiar as pistas de dança. O tema está integrado na compilação Enchufada: A Lisbon Club Story, editada em abril para assinalar os 20 anos da editora Enchufada, a casa de sempre dos Buraka Som Sistema.Bandidos do CanteFoi a grande vencedora do Festival da Canção deste ano e mais uma prova do sucesso que a pop made in Alentejo tem feito nos últimos tempos. Embora Rosa não tenha conseguido passar à final da Eurovisão, marcou o primeiro semestre do ano dentro das fronteiras nacionais e deu seguimento ao álbum de estreia editado pelo grupo em janeiro, Bairro das Flores.Pedro Ricardo com António ZambujoGuitarrista, compositor e produtor prodigioso, Pedro Ricardo tem trilhado um caminho ímpar entre diferentes géneros musicais, do jazz à eletrónica. Em abril lançou um novo disco, Oxalá Cante com Tempo, onde se inclui a delicada Sem Caminhar Eu Vou, uma colaboração magistral com António Zambujo, uma canção portuguesa de provocar arrepios.MARA luso-espanhola MAR estreou-se este ano com o álbum Cuíca, onde celebra as suas raízes em Monte Gordo. Cantora e produtora na fronteira entre o rap, o R&B e a pop urbana, com uma voz e uma escrita fluida, tanto tem temas mais vulneráveis como outros onde revela a sua faceta mais assertiva e auto-confiante. É nesta segunda categoria que encaixa a vibrante Sem Carta, na qual afirma que não precisa de validação ou permissão para seguir o seu destemido caminho.Sónia TrópicosÉ o single do EP BABY DRAMA, editado em março pela cantora e produtora Sónia Trópicos, que tem vindo a conceber um som eletrónico híbrido que, neste caso, mistura elementos da EDM e ambient com uma cadência próxima da kizomba. Trata-se de um imaginário etéreo e nostálgico que desemboca numa explosão sónica ao longo da faixa.RisleneSe Cesária Évora — diva dos pés descalços e figura maior da música cabo-verdiana e lusófona — reencarnasse em 2026, provavelmente iríamos escutar algo como a música de Rislene. Ao longo do seu disco de estreia, Poi Beat — produzido quase na íntegra pela dupla de Ariel & Migz e por Charlie Beats, o núcleo duro de Richie Campbell, que também participa no álbum — há sempre uma dor e um lamento inerentes. Rislene é uma jovem artista, cabo-verdiana radicada em Paris, mãe de voz rouca e vivida, que canta para purgar as adversidades em busca do sonho. Os paralelismos com Cesária Évora são evidentes, mas Rislene é uma artista do presente, com uma produção sofisticada e moderna, entre o hip hop e a eletrónica, com apontamentos de sons cabo-verdianos, uma cama perfeita para deitar o seu R&B em crioulo, que se deixa envolver pelo auto-tune, vai beber ao rap e tem espírito soul. Sodade — mais um piscar de olhos — encerra o disco e é um tema que retrata tudo isto na perfeição.NAPAÉ o primeiro avanço do terceiro álbum dos NAPA, previsto para o final de 2026. Canção luminosa e descontraída, indie pop de subtis laivos psicadélicos que possivelmente também vai beber à música brasileira, Sortudo celebra a amizade e os lugares de pertença que funcionam como “porto seguro”.ProfJamPrometido há meia-dúzia de anos, ProfJam dedicou-se finalmente a LSD, o álbum em que explora temas em torno do amor, da paixão e, inevitavelmente, da mágoa. Sozinho, o single e uma das mais populares do disco, é provavelmente a mais melancólica das faixas, mas também contém um caráter de resiliência e amor próprio, envolto num ambiente etéreo que se conjuga com a índole espiritual que tem marcado a vida e obra de Mário Cotrim nos últimos anos.Soraia RamosNome maior da pop lusófona, radicada em Portugal mas de raízes cabo-verdianas, Soraia Ramos apresentou este ano um novo single que é mais do que Suficiente para constar desta lista. Trata-se de um afro-pop, entre o R&B e a kizomba, com uma instrumentação quente que deixa espaço para a cantora assumir o protagonismo com uma letra que fala de desilusão no amor.PZ com Samuel ÚriaApós ter celebrado os 20 anos de carreira com dois concertos especiais em Lisboa e Porto, PZ tem vindo a assinalar 2026 com um projeto intitulado Álbum de Família. Cada canção, uma por mês, tem um convidado e na lista já figuram os Mão Morta, Joana Espadinha, Margarida Campelo, Retimbrar, Emmy Curl e Samuel Úria, com quem fez o primeiro tema de todos, a enérgica Todo o Santo Dia.Isak, Zigarro, Armando TelesO rap do Porto já não é o que era. Se durante anos a escola formada pelos Mind da Gap e sobretudo pelos Dealema teve discípulos atentos e fiéis que formaram uma comunidade coesa em torno da cidade — de Keso a Capicua, de Virtus a Deau — isso alterou-se completamente ao longo dos últimos anos. Uma nova vaga, já criada com o discurso e os sons do trap, surgiu da cidade. Os primeiros a despontar terão sido a dupla de Joint One e Yung Juse, que entretanto encontraram na Smorra Records uns legítimos herdeiros. O coletivo junta nomes como Isak, Zigarro, Armando Teles, Basílio Teles e o produtor Vítor — nenhum dos quais dá a cara — e tem um rap completamente distinto, diríamos até rebelde, face aos seus antecessores. Sem uma grande sofisticação musical, tornaram-se um fenómeno sobretudo pelas rimas — ora chocantes, ora satíricas, com uma natural dose de braggadocio pelo meio — onde falam de crime, do consumo de drogas e uma série de referências improváveis de cultura pop que até aqui eram raras no rap português, de reality shows a podcasts da geração Z. Os versos retratam ainda, indubitavelmente, uma vivência “guna” do Grande Porto que raramente chega à esfera pública. O grupo assinou entretanto contrato com a Warner e tem feito vários lançamentos entre os diferentes elementos. Trauma faz parte do EP Laços de Sangue.Rita Rocha com Diogo PiçarraRita Rocha, uma das vozes mais populares da nova música pop — na linha de Carolina Deslandes —, lançou este ano o seu primeiro álbum à séria, 8/80, um disco duplo. É de lá que conhecemos esta Um do Outro, uma colaboração com Diogo Piçarra, com composição e produção de Diogo Seis, uma balada pop romântica que rapidamente se tornou numa das músicas mais ouvidas da jovem artista de 19 anos.Margarida CampeloTrês anos após Supermarket Joy, Margarida Campelo irá lançar em setembro um novo disco. Já revelou, nesta primeira metade do ano, dois singles: Musa d’Improviso e a mais recente balada Um Só Final, que nos remete para os anos 80, tanto musical como visualmente, assumindo todos os clichês com carinho. O tema inclui um solo de saxofone, coros envolventes, sintetizadores que nos transportam automaticamente para essa era da música popular.Ana Lua CaianoÉ o primeiro single do segundo álbum da portuguesa. Uma Vida A Menos, com um excelente videoclipe realizado pela irmã Joana Caiano, é uma crítica particularmente direta — como quem incita uma revolução — à vida laboral contemporânea, e à falta de tempo livre e para o ócio, da sociedade capitalista moderna. Musicalmente, Ana Lua Caiano mantém o registo, numa canção com um piano cortante, os uivos das gaitas de foles, percussões eletrónicas possantes e experimentação no que toca à voz e aos coros. Aguardamos ansiosamente pelo disco.HerlanderNostálgico e futurista, Herlander revelou-se uma das melhores surpresas deste início de 2026 ao estrear-se com a mixtape Cárie. Será pop? R&B? Eletrónica? Música alternativa e exploratória? Provavelmente é tudo isto, sendo certamente algo pós-hip hop, tal como são notórias as nuances do kuduro e da kizomba num par de faixas. Sensível e vulnerável, doce mas também espirituoso, o cantor e compositor da Arrentela apresentou um disco verdadeiramente original onde é difícil escolher uma faixa entre todas as que se destacam. vai bem. é um dos singles, uma canção de pós-relação na qual se deseja “bem” à outra pessoa, onde se embalam as memórias passadas com carinho, com um coro aconchegante que oferece um refrão magnético.GlockenwiseTrês anos depois do marcante álbum Gótico Português, os Glockenwise regressaram com Vai Dar, o primeiro avanço de um novo disco. É uma lenta caminhada rock de seis minutos, um tema de introspeção e resiliência, com a densidade poética a que já habituaram o público. Lançaram entretanto um segundo single, Guerra do Caulino.Chico da TinaDesde que apareceu em cena nos últimos anos, Chico da Tina tem estado constantemente a mudar de cor tal e qual um camaleão musical; mais do que reinventar-se, tem estado a acrescentar camadas ao seu complexo imaginário. Agora, mais do que nunca, parece ter encontrado um lugar artístico ideal ao deixar para trás o modo rage de Minho Trapstar e ao abraçar mais diretamente a música popular portuguesa e brasileira. Uma das canções retiradas desta nova fase é Vícios, um tema orelhudo de amor, foleiro sem vergonhas, com uma malandrice que evoca o pimba, onde prova o calibre pop da sua música e a capacidade que tem para fazer pontes, ou quebrar barreiras, entre alta e baixa cultura, global e local, o que já estava presente desde a sua génese, ao mesclar a cultura minhota e a concertina com o trap de Atlanta e a prática do skate.Edmundo InácioFoi em março que o cantor Edmundo Inácio, que explora uma pop ligada às raízes tradicionais portuguesas, apresentou um segundo disco de originais, Vida de Cão, onde se inclui esta faixa homónima de interpretação vocal expressiva que aborda a dureza do quotidiano, a sensação de cansaço e a resistência perante as adversidades. Nuno Figueiredo, Quim Albergaria e Ivo Costa deram contributos essenciais para a canção.t. Policarpo com HaroldTem lançado música ao longo dos últimos três anos, mas Voltar a Casa é a melhor canção saída até agora do estúdio de t. policarpo. Trovador suburbano, melódico, recheado de harmonias interessantes mas com uma escrita apurada — na linha de Ivandro, por exemplo — uniu-se ao rapper Harold, escolha certeira para um tema de apelo pop que prova o potencial e explana bem as ambições de um percurso maior, assente nas raízes familiares e de classe social, de quem deseja “quebrar o padrão” e “não ser escravo de mais nenhum patrão”.Deejay TélioUm ano depois do álbum Reservado, e no momento em que se preparava para encabeçar um concerto no Campo Pequeno, em Lisboa, o cantor e compositor Deejay Télio, apresentou o EP +Reservado como um brinde extra para os fãs. É por lá que encontramos esta Voz da Multidão, uma canção com o ADN do artista, com o seu estilo inconfundível de batidas e a voz açucarada que reflete a trajetória de sucesso e ao mesmo tempo as vicissitudes que vêm com ele.Richie CampbellPela primeira vez, face às mudanças no mundo mas também à sua ascensão no mercado internacional, Richie Campbell resolveu enfrentar de frente o “elefante na sala”. Elephant In The Room, assim se chama o seu novo álbum e documentário que fez para o acompanhar, aborda diretamente como é que um português branco de Oeiras canta em patois jamaicano e faz um dancehall que vai beber ao R&B ou aos afrobeats da África Ocidental. Com uma identidade bem vincada, uma produção que eleva a fasquia do que se está a fazer em Portugal e uma voz e letras contagiantes, é um dos grandes lançamentos do ano. Um dos singles revelados em 2026 é a escaldante You, uma faixa sensual e hipnótica que promete abalar pistas de dança e festas caseiras. Richie Campbell prepara-se para apresentar o álbum com um concerto na MEO Arena, em Lisboa, marcado para 12 de dezembro.

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