Marrocos só precisou de meio jogo para vencer um inteiro
▲Marrocos encontra nos quartos de final o vencedor do duelo entre Paraguai e França
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A única vez que se defrontaram a nível oficial tinha sido no Mundial-2022, no Qatar. Foi a sensação Marrocos a vencer essa partida. Agora, a seleção canadiana queria responder e não havia melhor contexto para fazê-lo do que no Campeonato do Mundo seguinte, mais próximo de casa, em Houston, no Texas. Ainda assim, Jesse Marsch, selecionador do Canadá, rejeitava a ideia de vingança. “Não há grande motivação para ninguém no nosso grupo dizer que perdemos o último Mundial para Marrocos e que agora precisamos de corrigir esse erro. Só queremos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para encontrar uma forma de conseguir o resultado”, garantiu. Para Marsch, tratava-se de uma tarefa que pedia pouca emoção e zero contornos pessoais. O técnico deixou ainda elogios aos marroquinos: “Preparar-nos para o Marrocos foi como um pesadelo horrível. É do tipo: não quero vê-los a jogar. São demasiado bons”. Por isso mesmo, o selecionador norte-americano afirmou que “toda a gente” ia dar o Canadá “como eliminado”, mas isso poderia significar uma brecha de oportunidade diante de Marrocos. O seu homólogo, no entanto, não facilitou, rejeitou o favoritismo e ainda retribuiu alguns elogios. Mohamed Ouahbi foi pragmático: “Será um jogo difícil, muito difícil. Se não estivermos ao nosso nível, vamos para casa. O que mais gosto no Canadá é a sua organização e a sua dinâmica. Sabem exatamente o que fazer com e sem bola, até nos lançamentos laterais. São uma equipa muito bem organizada”. O técnico também desvalorizou o desgaste físico acumulado depois dos 120 minutos frente aos Países Baixos: “Neste nível, tudo se resume ao lado mental. Quando o teu cérebro é capaz, podes ir longe”.
O NRG Stadium abria as portas a mais uma fase do Mundial: os oitavos de final. Quem a estreava eram as seleções canadiana e marroquina. Curiosamente, quando a seleção do Canadá conseguia recuperar a bola nos primeiros minutos, os assobios sobrepunham-se às palavras de apoio. Em Dia da Independência dos EUA, os adeptos norte-americanos em Houston sabiam de que lado não estavam: do seu 51.º estado, como Donald Trump já insistiu por diversas ocasiões. Os 10 primeiros minutos foram, no entanto, só de assobios: era o Canadá que ditava o que acontecia, como acontecia e onde acontecia. Os canadianos dominavam a posse de bola e, por muito pouco, não a transformaram numa vantagem madrugadora. Inicialmente de costas para a baliza, Tanitoluwa Oluwaseyi recebeu orientado para se isolar contra o guardião marroquino Yassine Bono, que aos 10′ protagonizou a primeira grande defesa do duelo, ao fazer uma mancha e travar, no resultado, o início canadiano a todo o gás, no relvado.Afinal, o jogo saía totalmente ao contrário do que ambos os técnicos tinham antevisto na véspera. Mais iniciativa canadiana e mais expetativa marroquina. Restava perceber se esse domínio canadiano era consentido. O sinal de que podia não ser consentido era a primeira linha de pressão dos marroquinos, que subiam na primeira fase de construção do Canadá. Mas a malha africana não conseguia cortar um fio condutor norte-americano que continuava a encontrar o caminho em frente. Do lado oposto, a história era outra: quando não perdia bola ainda atrás, Marrocos era obrigado a jogar direto para o ataque, de forma inconsequente. A uma primeira parte marroquina por baixo, ainda se juntava a perda de Saibari, que aos 22′ tinha caído no relvado e só voltou a levantar-se para sair do encontro. A partir dali, Marrocos passou a jogar sem o seu maior destaque na prova. Entre equilíbrios e desequilíbrios, destaques e baixas, ao intervalo o resultado ainda não tinha mexido e ia disfarçando o que aconteceu em campo nos primeiros 45 minutos.
INTERVALO ⏱️[ ???????? Canadá 0-0 Marrocos ????????]
???? Marroquinos claramente subjugados e surpreendidos na 1ª parte em Houston, com a perda de Saibari por lesão a complicar muito as ambições de “longo prazo” dos magrebinos
???? Desta feita destacamos as posses no statscard, pois foi uma… pic.twitter.com/I7oplJ0VR7
— GoalPoint (@_Goalpoint) July 4, 2026Maior ainda foi o disfarce (relativo ao primeiro tempo) no marcador quando Azzedine Ounahi atirou para a vantagem marroquina em Houston (50′), depois de um início de segundo tempo com claras melhorias dos africanos, mais eficazes. O médio do Girona apareceu solto à entrada da área, quando todos pensavam que Hakimi ia bater um pontapé livre para a área, em cruzamento. Sem grande oposição e com muito espaço, o número oito rematou rasteiro e bateu Crépeau. Marrocos conseguiu aguentar na primeira parte, para conseguir discutir uma segunda mais dividida, que abriu com esse golo. Os marroquinos não estavam melhores que os canadianos, nem melhores que o melhor momento do Canadá no jogo. Mas estavam claramente melhores do que uma das suas piores versões deste Mundial, que apareceu no primeiro tempo. Isso chegou para a vantagem e reforçava a ideia do pragmatismo com que vive a seleção marroquina: não precisa de muito para transformá-lo em algo. O nada, da primeira parte, transformou-se no suficiente, para Marrocos torná-lo em algo, no segundo tempo: a vantagem.
Jogada de laboratório ➡️ Golo de Marrocos ????????#sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #Canada #Marrocos #betano pic.twitter.com/UWsfqRy5P9
— sport tv (@sporttvportugal) July 4, 2026Era a vez de o Canadá responder, mas já não tinha pela frente a mesma face do seu opositor, que já conseguia sair do primeiro terço de terreno. Primeiro foi Johnathan David, que atirou por cima num pontapé livre a curta distância da baliza de Bono. Depois foi Buchanan, que obrigou o guarda-redes marroquino a esticar-se para defender um pontapé de longe. À medida que a segunda parte avançava, o jogo tornava-se cada vez mais parecido com o seu início, com o Canadá, sem grande alternativa, a avançar cada vez mais no terreno. Marrocos acabou por beneficiar da projeção canadiana: o Canadá perdeu a bola com muitas unidades no último terço e, em velocidade, os africanos arrancaram para o segundo golo (82′).
Ounahi a bisar e deixar Marrocos com um pé quartos ????#sporttvportugal #MUNDIALnaSPORTTV #MundialFIFA2026 #Canada #Marrocos #betano pic.twitter.com/ozeE3PB8Pp
— sport tv (@sporttvportugal) July 4, 2026O autor do golo voltou a ser Azzedine Ounahi, que respondeu afirmativamente a um passe de Brahim Díaz. Mais tarde, quando ainda menos havia para discutir, Rahimi, o jogador que substituiu Saibari, atirou para o 0-3 final. Outra vez sob a mesma fórmula: a seleção do Canadá, muito projetada no terreno, não conseguiu evitar que Marrocos aproveitasse todo o espaço na zona mais recuada dos canadianos.
Azzedine Ounahi foi a cara de uma seleção marroquina que se agarrou à igualdade a zeros no primeiro tempo e viu-a como uma janela para a vantagem a apenas um golo de distância. Quem apareceu para transformar em golo (e vantagem) a melhoria de Marrocos, foi o médio do Girona, que tranquilizou todos aqueles que poderiam cair na tentação de pensar que esta equipa está muito mais longe do golo quando Saibari, que saiu lesionado, não está em campo.
A falta de um último passe mais definido e de maior eficácia do Canadá no primeiro tempo, acabou por beneficiar a seleção marroquina, que aguentou o suficiente para equilibrar tudo no segundo tempo e, mais pragmática, marcar por três vezes na partida.
O resultado deste duelo dita a primeira eliminação de um dos anfitriões do Mundial-2026. O Canadá acaba de cair da prova, enquanto Marrocos segue para os quartos de final da competição, onde defronta o vencedor do duelo entre Paraguai e França.
A primeira parte desmentiu tudo o que se esperava para este jogo: o Canadá dominou, Marrocos observou. O próprio resultado ao intervalo tapou tudo o que aconteceu no primeiro tempo, que passou por tudo o que o Canadá fez no seu último terço de terreno. Fica na memória uma seleção canadiana bastante agressiva e ousada, mas uma seleção marroquina organizada e a saber sofrer.









