“Oxalá não seja já”: O desabafo de Ronaldo sobre o fim
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Este é o Diário do Mundial. A seleção portuguesa joga hoje nos oitavos de final. Portugal e Espanha é às 20h, é o tema em destaque na edição de hoje. Vamos falar com Miguel Cordeiro, o enviado do Observador ao Campeonato do Mundo. Olá, Miguel.
Olá, Maria João.
Vamos ter mais um duelo ibérico e nas últimas horas tivemos as conferências de imprensa das duas equipas. Já vamos aos treinadores, Miguel, mas temos que começar por Cristiano Ronaldo. Quase 25 minutos de respostas à imprensa, numa imagem muito serena do capitão da seleção nacional.
Foi mesmo muito serena. A palavra desta conferência é desfrutar. É talvez a palavra mais dita por Cristiano Ronaldo nesta conferência de imprensa, que marca o dia, que marca também o mundial. Surgiu Cristiano Ronaldo como um homem resolvido com ele mesmo, podemos dizer isto. É óbvio que recordamos todos nós conferências de imprensa de Cristiano Ronaldo com atitude desafiadora, com vontade de puxar os galões, com vontade de garantir que era capaz de desafiar tudo e todos. O que ouvimos neste domingo foi diferente. É óbvio que esse sentimento ainda lá está dentro de Cristiano Ronaldo, mas o que nós percebemos e o que nós ouvimos foi a voz de um homem que sabe que já não tem nada a provar. E Cristiano Ronaldo disse isto mesmo, que não é uma vitória no mundial que vai definir a carreira que teve. Ganhar ou perder não define aquilo que vai ser Cristiano Ronaldo no futuro e a forma como vai ser lembrado. O capitão da seleção portuguesa disse estas palavras. Ele falou também sobre o momento do adeus. Houve várias perguntas nesse sentido e Cristiano Ronaldo até foi dizendo: “Escusam de perguntar, não vou entrar por aí, não vou falar disso”. Mas depois, a certa altura, numa outra resposta, acabou por dizer que era o último mundial. Disse esta frase: “É desfrutar o máximo possível com este meu último mundial. Oxalá amanhã não seja o meu último jogo”. Fazendo referência já ao jogo que se joga hoje com a Espanha. Esta frase acabou por confirmar que este é o último mundial, já depois de Ronaldo ter dito aos jornalistas que não precisavam de estar sempre a perguntar sobre este assunto. Lá acabou por soltar esta frase. Cristiano Ronaldo mostrou também, caso ainda não fosse óbvio, que é uma pessoa que gosta da crítica. Disse que a comunicação social já o tentou matar por várias vezes, que é assim há 23 anos, mas ao mesmo tempo, nesta conferência de imprensa, agradeceu essas críticas. Agradeceu mais uma vez, não é a primeira vez que o faz, e agradeceu por terem um efeito motivador quando entra em campo, por querer dar resposta também a essas críticas. Já vamos a outros assuntos, mas ainda sobre Cristiano Ronaldo, ele falou também de algumas histórias que tem tido neste mundial, com hóspedes de hotéis onde está a seleção, com funcionários de hotéis, até com funcionários de limpeza. Contou uma história com uma funcionária argentina. Histórias que tem tido também com alguns adeptos. Falou do melhor mundial que já viveu e disse também que nunca se sentiu tão acarinhado, principalmente por causa daquilo que aconteceu em Toronto. Certamente ainda está com isso na cabeça. Sobre o jogo com a Espanha, deu favoritismo aos espanhóis. Disse que têm mais títulos, disse que têm mais experiência, disse que já venceram, mas ainda assim, apesar de tudo isso, apesar de dizer que a Espanha em todas as competições que entra é uma favorita, Cristiano Ronaldo disse que tem um feeling que Portugal vai passar.
Foi um dos momentos do mundial, esta conferência de Cristiano Ronaldo, mas Miguel, vamos também ao que disseram os treinadores.
Sim, começamos por Roberto Martínez. Mais uma vez, muito pouco específico. Acontece sempre. Análises sempre muito macro. Falou da Espanha como adversário difícil e experiente. Questionado sobre as escolhas e o sistema de Portugal, Martínez disse que todos os jogadores estão prontos e que é bom ter todos os jogadores prontos, e que é bom também ter uma seleção capaz de jogar de diferentes formas. Voltou a falar dos dois mundiais. Disse também que os jogos anteriores foram ótimos para preparar a equipa para este momento. Enfim, estamos a falar quase de uma fotocópia do que tem sido dito nas três conferências de imprensa de Roberto Martínez. Já sobre o fato de ser espanhol, e aqui temos algo diferente, sobre o fato de ser espanhol e estar agora num duelo com Espanha, Roberto Martínez quis mostrar o currículo. Disse que viveu 21 anos em Espanha, mas que nunca lá trabalhou, que viveu outros 20 anos no Reino Unido, sete na Bélgica e três e meio em Portugal, e que é agora em Portugal que se sente em casa e que tem feito por sentir também este carinho que os portugueses lhe têm dado e tenta sempre perceber também a importância que a seleção tem para os portugueses e, portanto, quis afastar de imediato esse assunto. Quanto ao selecionador espanhol, há aqui um caso interessante, que já vou referir no fim. Nada agradável, mas já lá vamos. Sobre o que disse. Elogiou Portugal como equipa, principalmente, elogiou Portugal como uma equipa e não como individualidades. Evitou falar de individualidades, mas acabou por ter de o fazer. Foi questionado sobre Cristiano Ronaldo, até porque Cristiano Ronaldo falou umas horas antes do selecionador espanhol, Luis de la Fuente. E ele disse que Cristiano Ronaldo é um exemplo. Luis de la Fuente disse que Cristiano Ronaldo é um exemplo, diz que sempre viu Cristiano Ronaldo como um exemplo, que é um jogador que todos os jovens devem seguir, que continua a ser perigoso, ainda com estes 41 anos. É um jogador capaz de ferir uma equipa a qualquer momento. Isto foi o que disse o selecionador espanhol. Depois elogiou Nuno Mendes e concordou com várias questões da imprensa espanhola sobre o duelo, que é muito esperado, um duelo entre Lamine Yamal e Nuno Mendes. Foi um dos duelos mais interessantes, por exemplo, da final da Liga das Nações do ano passado, em que Nuno Mendes até levou a melhor, porque acabou por levantar esse troféu e fazer uma excelente exibição. E mais uma vez vamos ter Lamine Yamal contra Nuno Mendes. Curiosidade que Lamine Yamal, antes deste campeonato do mundo, perguntaram quem era o jogador que queria mais defrontar neste mundial e ele respondeu precisamente Nuno Mendes. Nessa resposta, disse até que já está habituado, que quando não marca ou não consegue assistir, toda a gente diz que Nuno Mendes conseguiu arrumar Lamine Yamal Mas que se fizer uma assistência ou um gol, já vão dizer que foi Lamine Yamal superar Nuno Mendes. É um dos melhores duelos deste torneio e são dois dos melhores jogadores desta geração. Vai ser também um duelo muito interessante. Agora, a situação incômoda, o caso caricato na conferência de imprensa de Espanha. Estavam vários jornalistas portugueses, mais de uma dezena, tal como estavam muitos jornalistas espanhóis na conferência de imprensa de Portugal e tiveram a possibilidade de fazer perguntas a Cristiano Ronaldo e Roberto Martínez. Na conferência de imprensa do selecionador espanhol, nenhum jornalista português teve direito a fazer pergunta. E não foi por falta de tentativa. Como é que funciona uma conferência de imprensa? Os jornalistas sentam-se, levantam o braço e o assessor de imprensa de cada uma das equipes técnicas escolhe os jornalistas que podem fazer perguntas. Só isto aqui já levanta algumas questões, mas é assim que funciona, é assim também nos clubes. Mas dita a regra que há espaço para fazer as perguntas, há tempo para fazer as perguntas e que se dá espaço aos jornalistas da equipe da casa, neste caso, da seleção da casa, e também dos adversários, neste caso, de Portugal. Na seleção espanhola, o assessor de imprensa não deixou nenhum português colocar perguntas, apesar de muitos braços levantados. O Observador foi um deles, estivemos na conferência de imprensa, braço levantado durante muito tempo, por várias vezes, a acenar até, e não houve nenhuma hipótese. O mesmo com outros jornalistas portugueses que estavam na sala. É um caso caricato. Aconteceu com a seleção espanhola. Nenhum jornalista português teve a hipótese de fazer perguntas a Luis de la Fuente.
Portugal e Espanha jogam hoje em Dallas. Miguel, o que é que nos podes dizer sobre o estádio?
É um estádio gigantesco, tem capacidade habitualmente para cerca de 80 mil pessoas. No mundial tem um pouco menos também para garantir todas as questões de segurança, de comodidades, também de conforto. Setenta mil pessoas é a lotação deste estádio, 70 mil sortudos, podemos dizer assim, para ver este encontro. Muito calor sim, mas é do lado de fora, porque depois o estádio é coberto e climatizado, mas do lado de fora, sim, muito calor. O jogo vai ser às 14h. Atenção a quem for a este jogo. Nas horas antes, período de maior calor, evitar, procurar sombras, mas há poucas sombras. O estádio tem um enorme parque de estacionamento à volta e não são muitas as sombras. Portanto, ou entrar cedo ou procurar sombras onde for possível. Os acessos, muitos parques de estacionamento. Há que entrar no estádio com tempo. Os shuttles vão deixar ainda uma distância considerável. O parque de estacionamento não vai estar aberto para estacionamento, portanto as pessoas vão ter que deixar o carro longe e também chegar com tempo. Quanto aos adeptos, esperam-se adeptos de Portugal e Espanha, naturalmente, dos dois países, mas também muitos fanáticos pelas duas seleções. A população norte-americana e mexicana. Não há propriamente muitos adeptos portugueses ou espanhóis a conseguirem vir para Dallas para ver este jogo, e é o que temos sentido também nas ruas ao longo destes últimos dias.
Miguel, vamos agora aos jogos deste domingo. O grande destaque, claro, vai para a seleção do Brasil, que está fora do Campeonato do Mundo.
Rapidamente, estamos a chegar ao final do nosso tempo. Sim, os vikings voltaram a mostrar a força. Noruega segue em frente, Brasil impotente para lidar com a Noruega, num jogo em que esteve também muito calor em New Jersey. A Noruega teve mais bola, o Brasil teve mais ataques, teve mais remates, teve mais gols parados até, mas o que interessa sempre são os gols marcados. A Noruega marcou dois, o Brasil marcou apenas um. Haaland muito bem. Mais dois gols, sete gols em cinco jogos. O Brasil falhou uma grande penalidade na primeira parte e quando já estavam a perder por 2 x 0, Neymar marcou também de grande penalidade, ficou 2 x 1. Segue a Noruega, vai jogar contra a Inglaterra.
Os ingleses que venceram e eliminaram o México deste mundial.
Num jogo mítico, no Azteca, a mais de 2200 metros de altitude. Um jogo de loucos. Faltas, gols, grandes penalidades, cartões vermelhos, bancadas ao rubro. Um grande jogo do mundial. O México a entrar melhor, mas a sofrer dois gols. A Inglaterra marcou por Bellingham aos 36 e aos 38. Os mexicanos ainda reduziram no primeiro tempo com gol de Quiñones. Na segunda parte, expulsão para a Inglaterra. Ficou a jogar com 10 homens durante muito tempo. Cancá foi expulso, mas Harry Kane marcou logo a seguir, fez o terceiro. Os mexicanos ainda reduziram de grande penalidade por Raúl Jiménez, mas já não foi suficiente. O resultado de 3 x 2 ficou até ao fim. No calor e na altitude do México, foi a atitude inglesa que prevaleceu. E este dado: foi apenas a terceira vez na história que o México perdeu nesse estádio. Em 90 jogos, este foi o jogo 90, tem 70 vitórias, 17 empates e agora três derrotas.
Miguel, vamos fechar este Diário do Mundial com os jogos de hoje. Há o Portugal-Espanha, às 20h, claro, mas há mais um.
Há apenas mais um. Portugal-Espanha às 20h, no horário de Portugal, e depois Estados Unidos-Bélgica, à 1h. O vencedor do Estados Unidos-Bélgica vai defrontar o vencedor do Portugal-Espanha. Atenção que já caiu o Canadá nestes oitavos de final, já caiu o México e agora jogam os Estados Unidos. É a única equipe caseira, a única equipe das seleções que estão a organizar o Campeonato do Mundo que ainda está em prova. Vamos ver se resiste. É um duelo frente à Bélgica.
Está feito o Diário do Mundial. Hoje há jogo de Portugal frente à Espanha, às 20h, vai poder ouvir aqui na Rádio Observador. Quanto ao Diário do Mundial, está de regresso amanhã, sempre com Miguel Cordeiro.










