Cometa descoberto em 1873 terá melhor passagem em décadas; saiba como observar
Um cometa com cerca de dez quilômetros de diâmetro — aproximadamente o mesmo tamanho do asteroide associado à extinção dos dinossauros — está prestes a fazer sua aproximação mais favorável da Terra em décadas. O cometa 10P/Tempel 2, descoberto há 153 anos, poderá ser visto com binóculos ou um telescópio pequeno já a partir deste mês.Continua após a publicidadeNo dia 3 de agosto de 2026, durante a aproximação máxima, o cometa estará a 0,4144 unidades astronômicas (AU) da Terra — o equivalente a cerca de 62 milhões de quilômetros. Uma AU corresponde à distância média entre a Terra e o Sol.Da descoberta ao cálculo preciso da órbita
Em 4 de julho de 1873, o astrônomo alemão Wilhelm Tempel avistou um objeto tênue se movendo em direção ao sudeste, na constelação de Peixes. Ele voltou a observá-lo na noite seguinte e continuou acompanhando o objeto até 20 de outubro, quando desapareceu do campo de visão;
Os cálculos iniciais, baseados na trajetória, indicavam um período orbital de 5 ou 5,5 anos. Em 19 de julho de 1878, Tempel observou o retorno do cometa, permitindo uma estimativa mais precisa: 5,16 anos. Hoje sabe-se que o período orbital real é de 5,37 anos. A órbita do 10P vai de pouco dentro da órbita de Júpiter até pouco dentro da órbita de Marte;
O período curto torna o 10P um alvo frequente de observação, mas nem toda passagem oferece boas condições de visibilidade;
“Enquanto os avanços telescópicos permitem observá-lo em cada aparição, o período de aproximadamente 5,5 anos resulta em aparições que alternam entre geometrias de observação favoráveis e desfavoráveis”, explica um artigo científico sobre o objeto.
Imagem do cometa PanSTARRS (C/2025 R3); “primo” 10P estará visível entre julho e agosto – Imagem: SOHO – Editada por IA/GeminiLeia mais:O mesmo artigo detalha que o cometa esteve bem posicionado em 1978, 1988 e 1999, mas mal posicionado em 1983, 1994 e 2004, quando atingiu o periélio do lado oposto ao Sol em relação à Terra. A passagem de 2026 se enquadra entre as favoráveis.À medida que o cometa se aproxima do Sol e aquece, ele sublima gelo e gás, alterando sua composição. Pesquisadores que acompanharam o 10P ao longo do tempo identificaram que sua rotação desacelerou de forma significativa, resultado atribuído ao outgassing assimétrico — processo pelo qual o cometa libera material de forma irregular enquanto aquece e esfria ao longo da órbita.
O período orbital de cinco anos e a proximidade relativa do 10P tornaram-no alvo de conceitos de missão espacial que nunca saíram do papel. Entre eles está uma proposta de reaproveitamento da sonda Mariner 3, da NASA. Até o momento, nenhuma missão foi lançada para observar o cometa de perto.Como e quando observarDesde o início deste mês, o cometa deverá ser visível na constelação de Capricórnio para quem tiver binóculos ou um telescópio pequeno. As melhores condições de observação devem ocorrer próximo ao periélio — a aproximação máxima ao Sol —, quando o brilho deve atingir magnitude 7, com o objeto transitando perto da constelação de Piscis Austrinus.O cometa será visível para observadores nos dois hemisférios, mas aparecerá bem mais alto no céu para quem estiver no hemisfério sul.
Rodrigo Mozelli
Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.
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