Bancos canadenses entram na mira de alerta sobre IA
O regulador federal do sistema financeiro do Canadá alertou, em abril, grandes bancos e seguradoras do país sobre os riscos cibernéticos associados a modelos avançados de inteligência artificial, incluindo o Claude Mythos, da Anthropic. A orientação foi enviada a executivos responsáveis por tecnologia, segurança da informação e gestão de riscos, segundo informações exclusivas da Reuters.Continua após a publicidade
O aviso da Autoridade de Supervisão de Instituições Financeiras do Canadá (OSFI, na sigla em inglês) apontou que ferramentas de inteligência artificial de fronteira podem reduzir o tempo disponível para que empresas identifiquem falhas, adotem medidas de proteção e respondam a incidentes digitais.A comunicação ocorreu em meio ao avanço global das discussões sobre segurança envolvendo sistemas de IA altamente capazes. O órgão canadense afirmou que sua preocupação está na forma como as instituições administram os riscos dessas tecnologias, e não no uso de uma ferramenta específica.Regulador canadense amplia vigilância sobre impacto da inteligência artificial no setor financeiro
Claude é a IA da empresa Anthropic – Imagem: Mijansk786/ShutterstockDocumentos obtidos pela Reuters por meio de um pedido de acesso à informação indicam que a OSFI encaminhou o alerta em 29 de abril a representantes das principais instituições financeiras canadenses. Entre os destinatários estavam diretores de tecnologia, responsáveis por segurança cibernética e executivos ligados à área de riscos.A preocupação central do regulador é que modelos avançados de inteligência artificial possam modificar a dinâmica dos ataques digitais. Segundo a OSFI, sistemas desse tipo podem acelerar a descoberta e a exploração de vulnerabilidades, pressionando bancos e seguradoras a reagirem com maior velocidade.Em resposta aos questionamentos da Reuters, o órgão publicou posteriormente um boletim público sobre inteligência artificial generativa e sistemas considerados agentes, reforçando uma abordagem baseada na avaliação de riscos. A instituição afirmou que sua atuação busca garantir práticas adequadas de governança e controle.A OSFI informou que adota uma postura neutra em relação à tecnologia e concentra sua análise na maneira como as organizações reguladas utilizam e supervisionam essas soluções. A entidade destacou que instituições financeiras devem fortalecer processos de identificação, redução de impactos e resposta a ameaças.
A discussão sobre o tema também envolveu encontros entre representantes do setor bancário e autoridades. No início de abril, executivos de bancos canadenses participaram de reuniões com reguladores para tratar dos possíveis efeitos do Mythos, pouco depois de autoridades norte-americanas terem discutido riscos semelhantes com dirigentes de grandes bancos.
Outdoor da Anthropic – Imagem: PhotoGranary02/ShutterstockEntre as seis maiores instituições financeiras do Canadá, Royal Bank of Canada, TD Bank e BMO já haviam apresentado planos para ampliar aplicações de inteligência artificial, incluindo chatbots, ferramentas internas e redução da dependência de soluções terceirizadas. Bank of Nova Scotia, CIBC e National Bank também divulgaram iniciativas relacionadas à tecnologia.O governo canadense informou ter acesso ao Project Glasswing, sistema que permite a empresas utilizarem o Mythos, embora não tenha revelado quais bancos do país adotam a ferramenta. Algumas instituições evitaram comentar diretamente o assunto e encaminharam posicionamentos à Associação Canadense de Bancos.Continua após a publicidadeA entidade afirmou que os bancos investiram recursos significativos na proteção do sistema financeiro e seguem exigências da OSFI relacionadas ao gerenciamento de riscos cibernéticos e à comunicação de incidentes.
Linhas de um código-fonte – (Reprodução: Chris Ried/Unsplash)Para Bruce Ross, diretor de tecnologia do Royal Bank of Canada, o avanço de modelos como o Mythos representa uma mudança no cenário de ataques digitais. Em entrevista concedida a Reuters em junho, o executivo afirmou que as organizações precisam desenvolver mecanismos próprios de defesa baseados em inteligência artificial.A OSFI também destacou que sua responsabilidade inclui preservar a estabilidade do setor financeiro canadense e acompanhar riscos emergentes relacionados a novas tecnologias, interferência estrangeira e fatores geopolíticos.
Wagner Edwards
Wagner Edwards é Bacharel em Jornalismo e atua como Analista de SEO e de Conteúdo no Olhar Digital. Possui experiência, também, na redação, edição e produção de textos para notícias e reportagens.
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