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Google aponta que IA amplia trabalho humano e não substitui empregos

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A inteligência artificial tem sido incorporada ao cotidiano profissional principalmente como um recurso de colaboração, e não como uma tecnologia destinada a eliminar postos de trabalho, segundo esta pesquisa divulgada pelo Google nesta quinta-feira (23). O levantamento analisou milhões de interações anonimizadas realizadas por usuários com ferramentas de IA da empresa.Continua após a publicidadeO estudo foi elaborado por pesquisadores do Google, incluindo economistas da companhia, e avaliou como trabalhadores nos Estados Unidos e em outras regiões utilizam sistemas de inteligência artificial em suas atividades. A conclusão apresentada é que a tecnologia, até agora, tem ajudado profissionais a executar tarefas em vez de assumir integralmente suas funções.A pesquisa surge em meio ao aumento das preocupações sobre os efeitos da IA no mercado de trabalho, especialmente após empresas atribuírem parte de suas reduções de equipes ao avanço dessas ferramentas. Para os pesquisadores, porém, o cenário atual aponta mais para uma relação de cooperação entre humanos e máquinas do que para uma substituição generalizada.Pesquisa mostra uso da IA em diferentes profissões e destaca colaboração entre humanos e máquinas
Sistema de IA trabalhando (Imagem: Alessandro Di Lorenzo/Olhar Digital/DALL-E)O levantamento do Google identificou que a inteligência artificial já está presente em diversas áreas profissionais, incluindo ocupações que não dependem exclusivamente de formação universitária. Embora trabalhadores de funções mais bem remuneradas utilizem a tecnologia com maior frequência, a adoção também ocorre entre profissionais de áreas técnicas e atividades manuais.De acordo com os pesquisadores, eletricistas e mecânicos, por exemplo, recorrem à IA como uma ferramenta prática para solucionar problemas. Esses trabalhadores utilizam recursos como envio de imagens e vídeos para obter auxílio em diagnósticos, uma aplicação que, segundo o estudo, aparece com frequência relevante entre profissionais de ofícios técnicos.A pesquisa classificou o uso atual da inteligência artificial como “superficial” na maior parte das ocupações. Isso significa que os trabalhadores aplicam a tecnologia apenas em uma parcela limitada de suas tarefas, sem transferir completamente suas responsabilidades para sistemas automatizados.

O economista do Google Scott Strand afirmou que a utilização de inteligência artificial não representa necessariamente a automatização completa de uma profissão. “Só porque você está usando IA não significa que ela vai automatizar seu trabalho“, disse Scott Strand, economista do Google, em declaração apresentada no estudo sobre os impactos da tecnologia no emprego.Segundo os pesquisadores, a diferença entre automação e colaboração é fundamental para entender os possíveis efeitos da inteligência artificial. Enquanto sistemas automatizados podem substituir determinadas funções, ferramentas colaborativas tendem a ampliar a capacidade dos trabalhadores que já possuem conhecimento especializado.O estudo compara essa dinâmica a equipamentos utilizados para melhorar a precisão de profissionais. Nesse cenário, a IA se aproximaria mais de um instrumento de apoio, como um nível a laser utilizado por um topógrafo, do que de uma máquina criada para eliminar a necessidade de trabalhadores.Continua após a publicidadeA análise também destaca que profissionais usam inteligência artificial principalmente em atividades cognitivas que exigem avaliação humana. Nessas situações, respostas padronizadas não seriam suficientes, pois cada tarefa pode apresentar características diferentes e depender de julgamento individual.Impactos futuros ainda são incertos
Google – Imagem: RYO Alexandre/ShutterstockApesar dos resultados indicarem um papel de apoio da IA no presente, os pesquisadores afirmam que esse cenário pode mudar conforme a tecnologia evolui. Ferramentas mais avançadas podem ampliar sua capacidade de executar atividades atualmente realizadas por pessoas.Outro ponto levantado pelo estudo é o possível efeito sobre trabalhadores iniciantes. A pesquisa não respondeu se profissionais experientes, ao se tornarem mais produtivos com inteligência artificial, poderiam reduzir oportunidades de entrada para novos trabalhadores.Continua após a publicidadeFabien Curto Millet, economista-chefe do Google, afirmou que o levantamento representa apenas o início de uma linha de pesquisa da empresa sobre a relação entre inteligência artificial e trabalho. “É o começo de uma linha completa de pesquisa nossa“, afirmou Fabien Curto Millet, economista-chefe do Google, ao comentar a continuidade dos estudos sobre o uso da IA.Além do ambiente profissional, a pesquisa identificou aplicações domésticas da inteligência artificial. Usuários têm recorrido às ferramentas para acelerar tarefas como organização de documentos governamentais, elaboração de orçamentos familiares e auxílio em reparos residenciais.Segundo os pesquisadores, esses ganhos de eficiência no ambiente doméstico dificilmente aparecem em indicadores econômicos tradicionais, como o Produto Interno Bruto. Ainda assim, representam uma mudança na forma como pessoas utilizam a tecnologia para resolver atividades do dia a dia.

Wagner Edwards

Wagner Edwards é Bacharel em Jornalismo e atua como Analista de SEO e de Conteúdo no Olhar Digital. Possui experiência, também, na redação, edição e produção de textos para notícias e reportagens.

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