TECNOLOGIA

Japão lança sonda que tentará trazer pedaços de uma lua de Marte

O Japão lançou, nesta segunda-feira (19), às 16h41 (horário de Brasília), uma missão espacial que pretende trazer à Terra amostras de uma das luas de Marte. A sonda MMX (Exploração das Luas de Marte, na sigla em inglês) decolou a bordo de um foguete H3 do Centro Espacial de Tanegashima, no Japão, e iniciou jornada de aproximadamente cinco anos para investigar Fobos e Deimos, os dois satélites naturais do planeta vermelho.Liderada pela Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA), a missão tentará realizar um feito inédito: pousar em Fobos, coletar material de sua superfície e transportá-lo de volta à Terra. O objetivo é obter pelo menos dez gramas de amostras, que deverão chegar ao planeta em 2031.A iniciativa também envolve a NASA e agências espaciais europeias, além de instituições e empresas que contribuíram com equipamentos científicos e tecnologias para a missão.

Como será a exploração das luas de Marte?
A previsão é que a MMX chegue à região de Marte em agosto de 2027. Depois disso, a espaçonave entrará em trajetória próxima de Fobos para observar a lua, mapear sua superfície e identificar locais adequados para a coleta de amostras;

Fobos tem cerca de 22 quilômetros de diâmetro e formato irregular. Apesar de ser uma das duas luas de Marte, o corpo celeste ainda é pouco conhecido: nenhuma missão conseguiu pousar nele e trazer material de volta à Terra;

A MMX transporta o rover Idefix, desenvolvido em colaboração entre França e Alemanha. O pequeno veículo deverá ser enviado à superfície de Fobos no fim de 2028 ou no início de 2029 para investigar o terreno e ajudar a avaliar as condições locais;

Após o reconhecimento, a própria espaçonave tentará pousar duas vezes para coletar amostras. O material será armazenado em cápsula de retorno, que deverá viajar de volta à Terra após a conclusão das operações no sistema marciano;

Antes de iniciar o retorno, a missão também fará observações de Deimos, a menor e mais distante das duas luas de Marte. O plano prevê a partida da região marciana em novembro de 2030, com a chegada da cápsula à Terra em 2031. O pouso está previsto para ocorrer na Austrália.

Sonda MMX decolou em foguete H3 do Centro Espacial de Tanegashima – Imagem: Reprofução/YouTube/JAXA
Leia mais:Amostras podem revelar a origem das luasUm dos principais objetivos científicos da MMX é esclarecer como Fobos e Deimos se formaram. Existem duas hipóteses principais para explicar a origem das luas de Marte.A primeira sugere que os satélites surgiram a partir de material lançado ao espaço após grande impacto contra o planeta. Nesse cenário, os fragmentos teriam se agrupado até formar as duas luas.A segunda hipótese propõe que Fobos e Deimos sejam asteroides que passaram perto de Marte e foram capturados pela gravidade do planeta.A análise das amostras poderá ajudar a distinguir essas possibilidades. Caso tenham se originado de um impacto, os materiais podem apresentar vestígios de Marte misturados aos restos do objeto que atingiu o planeta. Se forem asteroides capturados, poderão preservar características químicas de outras regiões do Sistema Solar.Os resultados também podem ampliar o conhecimento sobre a evolução geológica de Marte e a formação dos planetas rochosos. Além disso, a missão pretende investigar se Fobos poderia funcionar como uma espécie de estação espacial natural para futuras viagens tripuladas ao planeta vermelho.Missão também prepara o caminho para futuras viagens a MarteA MMX faz parte de esforço internacional para compreender melhor o ambiente marciano e desenvolver tecnologias necessárias à exploração espacial de longa duração.A JAXA pretende aproveitar a experiência adquirida em missões anteriores de coleta de amostras de asteroides para executar a operação em Fobos. A NASA também contribui com instrumentos científicos, equipamentos de coleta e suporte de comunicação para a espaçonave.Se for bem-sucedida, a missão permitirá estudar em laboratórios terrestres materiais recolhidos diretamente de uma lua de Marte. A análise detalhada poderá responder a questões que observações feitas à distância ainda não conseguiram esclarecer.A cápsula com as amostras tem retorno previsto para 2031, quando os cientistas poderão começar a investigar o material coletado durante a jornada.

Rodrigo Mozelli

Rodrigo Mozelli é jornalista formado pela Universidade Metodista de São Paulo (UMESP) e, atualmente, é redator do Olhar Digital.

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