TECNOLOGIA

ONU alerta para riscos do uso de IA na violência contra mulheres

Tudo sobre Inteligência Artificial

O Comitê da ONU para a Eliminação da Discriminação contra as Mulheres (Cedaw) pediu que os países adotem medidas para combater estereótipos de gênero. A entidade alerta que tecnologias como a inteligência artificial (IA) podem ampliar a violência digital e reproduzir preconceitos que afetam a vida das mulheres.Continua após a publicidadeEm uma nova diretriz, o comitê defende mudanças nas leis, nas plataformas digitais e nas práticas institucionais para enfrentar a discriminação em diferentes áreas da sociedade.
A ONU defende que plataformas digitais criem canais diretos e ágeis para a remoção de conteúdos discriminatórios. – Imagem: sebra/Shutterstock
IA pode ampliar a violência digitalO Cedaw demonstrou preocupação com o uso de ferramentas de IA generativa e de sistemas autônomos, conhecidos como agentes de IA, para facilitar agressões na internet.Entre os riscos estão a criação de imagens e vídeos sexualizados sem consentimento, fraudes de identidade, extorsão sexual e ataques contra mulheres em cargos de liderança. Os chamados deepfakes são imagens, vídeos ou áudios manipulados ou gerados com inteligência artificial.Para enfrentar esses abusos, o comitê recomenda medidas que ampliem a transparência e a responsabilidade das empresas e dos governos. Entre as propostas estão:
Estabelecer mecanismos de responsabilização pelo uso abusivo de sistemas de IA.

Garantir supervisão independente sobre essas tecnologias.

Assegurar revisão humana de decisões automatizadas.

Criar procedimentos para denunciar e remover conteúdos discriminatórios nas plataformas digitais.
Preconceitos também afetam a Justiça e a saúdeOs estereótipos de gênero também podem influenciar o funcionamento das instituições. Na Justiça, por exemplo, preconceitos podem interferir na avaliação do testemunho das mulheres e nas decisões dos tribunais, contribuindo para erros judiciais.O Cedaw defende a revisão de leis e práticas que tratam a violência como um assunto privado ou familiar, responsabilizam as vítimas pelas agressões sofridas ou justificam a violência masculina. A entidade também propõe mecanismos para responsabilizar juízes, procuradores e agentes de segurança que perpetuem práticas discriminatórias, além da revisão de decisões marcadas por preconceitos.

Na saúde, esses estereótipos podem afetar diagnósticos e decisões relacionadas à saúde reprodutiva. Por isso, o comitê defende o consentimento informado antes de procedimentos médicos, medidas contra a violência obstétrica e a descriminalização do aborto.
Estereótipos de gênero podem influenciar a avaliação de testemunhos e decisões nos tribunais.– Imagem: cottonbro studio/Pexels
Divisão do trabalho de cuidado também preocupaA desigualdade aparece ainda na distribuição das responsabilidades familiares. A ideia de que as mulheres devem assumir a maior parte dos cuidados com filhos e familiares contribui para disparidades econômicas.Para enfrentar esse problema, o Cedaw propõe uma divisão mais equilibrada do trabalho não remunerado e políticas de licença parental. Conflitos, catástrofes climáticas e crises humanitárias podem agravar a sobrecarga de cuidados e contribuir para a normalização da violência de gênero.Continua após a publicidadeA diretriz sustenta que o combate à discriminação exige mais do que medidas pontuais. Os países precisam enfrentar também as atitudes, os sistemas e as estruturas sociais que perpetuam os estereótipos.

Valdir Antonelli

Valdir Antonelli é jornalista com especialização em marketing digital e consumo.

Ver todos os artigos →


Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Botão Voltar ao Topo

Adblock Detectado

Para continuar no site, por favor, desative o Adblock.