BE exige explicações sobre contaminação na Base das Lajes
▲Existe um conjunto alargado de metais superiores na população da Praia da Vitória
ANTÓNIO ARAÚJO/LUSA
O BE exigiu esta sexta-feira ao Governo da República e dos Açores explicações sobre a contaminação provocada pelos Estados Unidos na Base das Lajes, na ilha Terceira, criticando a atuação do Estado português ao longo do processo.
O Bloco adianta que o deputado na Assembleia da República, Fabian Figueiredo, enviou perguntas aos ministérios da Defesa, da Saúde e do Ensino Superior, enquanto o parlamentar na Assembleia dos Açores António Lima questionou o vice-presidente do Governo Regional (PSD, CDS-PP e PPM) e a Secretaria Regional da Saúde.O BE exige “esclarecimentos sobre o processo de mitigação da contaminação provocada pela utilização militar da Base das Lajes pelos Estados Unidos da América, sobre a recusa no acesso a dados de saúde relacionados com esta contaminação e também sobre uma denúncia de interferência numa investigação científica por motivos políticos”, lê-se na nota de imprensa.A posição surge após o Expresso noticiar esta sexta-feira que uma investigação detetou chumbo em esqueletos de humanos que viviam junto às zonas poluídas pela base militar das Lajes.
Esta investigação surgiu de um estudo sobre metais pesados que a agência Lusa já tinha revelado em março de 2025.O Bloco lembrou que os “trabalhos de mitigação da contaminação na Praia da Vitória estiveram interrompidos entre 2020 e 2021” e alertou para a necessidade de “perceber por que razão o Estado português aceitou” a suspensão daqueles trabalhos.“O Bloco acusa o Governo da República de ter sido rápido e generoso a ceder a utilização da Base das Lajes para uma guerra ilegal contra o Irão, mas de não ter sido capaz de ser exigente na responsabilização dos EUA pelos problemas ambientais e de saúde pública que provocou na Praia da Vitória”, critica.O partido reconheceu que dados de 2011 “não apontaram para uma prevalência de doenças oncológicas superior” na Praia da Vitória, mas defendeu que “Portugal deve exigir aos Estados Unidos a realização de uma avaliação atualizada e independente do risco da contaminação para a saúde humana e o financiamento integral das ações de mitigação”.
“O Bloco defende que a região e o Estado devem, de forma articulada, realizar um estudo epidemiológico sobre a incidência e prevalência de doenças oncológicas em determinadas zonas da Praia da Vitória”, indicou o partido.A 26 de março de 2025, a agência Lusa revelou que uma maior concentração de metais pesados foi detetada na população da Praia da Vitória, provavelmente devido à contaminação ambiental da Base das Lajes, segundo um estudo que analisou esqueletos humanos da ilha Terceira.“É, de facto, um estudo pioneiro. Ele testa pela primeira vez se existe ou não a hipótese de a população da Praia da Vitória ter sido exposta à contaminação e fá-lo através dos metais pesados”, afirmou na altura o investigador Félix Rodrigues, em declarações à Lusa.A investigação concluiu que existe um conjunto alargado de metais superiores na população da Praia da Vitória, como o arsénio, o antimónio, o cádmio, o crómio, o ouro, o molibdénio, o estrôncio, o estanho, o urânio e o zircónio, em comparação com Angra do Heroísmo (que dista 23 quilómetros da Base das Lajes).
O armazenamento e manuseamento de combustíveis e outros poluentes pela Força Aérea norte-americana na base das Lajes provocou no passado a contaminação de solos e aquíferos na Praia da Vitória, na Terceira.Identificada em 2005 pelos próprios norte-americanos, a contaminação foi confirmada, em 2009, pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), que monitoriza desde 2012 o processo de descontaminação.










