EUA consideram transferir bases do Golfo para Israel
Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Está no ar mais uma edição da Guerra Traduzida. Nos próximos minutos acompanhamos a situação no Irão através dos destaques dos jornais do Médio Oriente e também dos Estados Unidos, hoje com a curadoria do jornalista Carlos Pedro. Carlos, muito bem-vindo. Olhamos já para a imprensa norte-americana, em concreto para o Wall Street Journal, que avançou hoje que os Estados Unidos estão a ponderar deslocar bases marítimas para Israel.
Nomeadamente as bases marítimas construídas no Médio Oriente. É uma grande peça deste jornal norte-americano e que está em destaque no site do Wall Street Journal. Divulga imagens que revelam pela primeira vez a verdadeira extensão dos danos causados pelo Irão na base de apoio naval do Bahrein, a única na região. Teerão atacou em força esta base entre o final de fevereiro e o início deste mês, até o cessar das hostilidades. E apesar da Casa Branca não reconhecer publicamente a dimensão da destruição, as imagens mostram estragos no quartel-general do comando, em pelo menos meia dúzia de edifícios e ainda em dois terminais de comunicação via satélite. No total, em toda a região, foram atingidas pelo menos 20 instalações. Estima-se que terá causado 400 milhões de dólares de prejuízos. Isto numa altura em que Pete Hegseth procura obter um financiamento extra de 80 mil milhões de dólares para reforçar o orçamento de defesa dos Estados Unidos. Ainda assim, no campeonato dos danos causados, se assim se pode dizer, os norte-americanos destruíram mais alvos. Foram atingidos no Irão mais de 13.500 alvos, diz a imprensa norte-americana.
Ainda assim, os prejuízos para Washington são avultados e por isso, Carlos, está a ser equacionada a transferência destes centros de controle e comando. É por isso?
É isso mesmo. Conta o Wall Street Journal que as estruturas atacadas podem não ser reconstruídas, com os tais centros de comando a serem transferidos, por exemplo, para o subsolo. Outras capacidades militares poderão vir a ficar mais dispersas pela região, diz o jornal, que cita fontes das autoridades dos Estados Unidos. É preciso dizer que não foi tomada qualquer decisão a esse respeito até agora, mas há um lugar considerado preferido.
Será Israel?
Sim, sem surpresas, o maior aliado dos Estados Unidos na região, Tel Aviv, que de resto abrigou durante estas últimas semanas dezenas de aeronaves americanas, incluindo caças e aviões de reabastecimento. Esta notícia está também em destaque no Times of Israel. Washington pensa também em reduzir a presença em países como o Kuwait e a Arábia Saudita.
Vamos continuar esta guerra traduzida pelos jornais norte-americanos. A manchete desta manhã no New York Times aponta para a forma como um ataque iraniano no Estreito de Ormuz está a prejudicar os esforços para a reabertura completa do estreito.
Estará a prejudicar mesmo o tráfico marítimo, diz este conceituado jornal de Nova York. O ataque foi confirmado pelas autoridades dos dois países. Aconteceu ontem e foi dirigido contra um porta-contentores que passava pelo estreito de Ormuz. Ocorreu aliás, horas depois de o Irão ter alertado os navios de que a única rota de passagem por Ormuz seria pelas águas iranianas. Isto porque muitos navios vinham utilizando outro caminho pelo lado sul do canal, perto da costa de Omã. O ataque, conta o New York Times, levou à suspensão do plano da Organização Marítima Internacional, da ONU, para a evacuação de centenas de marinheiros que estavam à deriva em barcos no Golfo Pérsico. Este ataque interrompeu também o fluxo normal dos petroleiros.
E com isso, Carlos, disparam novamente os preços do petróleo.
Sim, ainda que momentaneamente, o petróleo Brent, referência global, subiu mais de 2%, passando a custar cerca de 75 dólares por barril. Ainda assim, é muito longe dos preços praticados no auge do conflito. Aí os preços nessa altura ultrapassavam a barreira dos 100 dólares por barril.
Entretanto, Carlos Pedro, o Irão acusa os Estados Unidos e o Conselho do Golfo de provocação e intervencionismo. O que está aqui em causa?
É uma acusação que parte do Ministério Iraniano dos Negócios Estrangeiros. Diz em comunicado que a presença militar dos Estados Unidos no Golfo é uma fonte de insegurança e divisão na região. Diz até que, na realidade, Washington não se preocupa com a segurança dos países do Golfo. Teerão defende ainda que deve ser Omã a governar o estreito de Ormuz, nos termos do acordo com os Estados Unidos. Os norte-americanos já vieram a público esclarecer que não querem que ninguém ou nenhum país assuma o controle nacional do estreito de Ormuz. Quanto a estas críticas do Irão, surgem depois de um outro comunicado conjunto entre os Estados Unidos e os países que participam neste conselho para a cooperação no Golfo. Pedem a estes países que se mantenha a união na região e apelam a um fim permanente das hostilidades com o objetivo partilhado de impedir o Irão de alguma vez desenvolver ou obter uma arma nuclear.
Vamos avançar, Carlos, até à Al Jazeera, onde está uma notícia com uma declaração oficial do líder do Hezbollah, que disse para que não se respeitem as ordens dos Estados Unidos e de Israel.
Sim, Naim Kassem é o secretário-geral deste grupo militar libanês apoiado pelo Irão, diz, e passo a citar: “O memorando de entendimento é uma declaração oficial da derrota dos Estados Unidos e de Israel”. Acontece no dia em que pelo menos uma pessoa morreu e outra ficou ferida no sul do Líbano. A Al Jazeera relata ainda que quatro militares israelitas ficaram feridos em confrontos. Dá conta também, por outro lado, de que as Forças de Defesa de Israel têm demolido e incendiado casas em Nabatieh, no sul do Líbano. O líder do Hezbollah avisa ainda que Israel deve deixar Beirute incondicionalmente.
Mantém-se a tensão entre Israel e o Líbano. É um conflito que tem colocado estas negociações de paz em risco. O ex-presidente libanês pede que acabem mesmo as negociações entre Tel Aviv e Beirute.
É o que defende Emile Lahoud. Diz o antigo líder do Líbano que Tel Aviv, Israel, não está realmente à procura de paz. Diz que está, sim, à procura de enfraquecer a resistência libanesa. Lahoud é ainda perentório ao dizer que o Irão conseguiu uma vitória estratégica, obrigando os Estados Unidos e Israel a aceitar uma nova realidade. A verdade é que as negociações vão continuar, apesar destas declarações, e vão continuar já hoje. A imprensa do Médio Oriente conta que os encontros deveriam ter terminado ontem à noite, mas vão continuar por mais um dia. Hoje, em Washington, será a quinta ronda de conversas entre as duas delegações.
E a guerra traduzida para acompanhar o conflito no Médio Oriente, em especial no Irão, volta na próxima semana. Esta edição foi do jornalista Carlos Pedro.










