CIÊNCIA

Astronauta Luca Parmitano: "Sinto que já estou na Lua"

Não foi por acaso que recebeu a alcunha “Luca Skywalker”. Era a segunda vez do astronauta italiano a sair da Estação Espacial Internacional e a experienciar a escuridão do Espaço. Em Terra, diziam-lhe que já estava 40 minutos adiantado em relação ao previsto para os trabalhos no exterior da estação. Mas foi nesta altura que começou a sentir as primeiras gotas de água no pescoço. “Não é suor”, alertou Luca Parmitano ao astronauta Chris Cassidy, que o acompanhava nesta caminhada espacial.
Primeiro, o astronauta ao serviço da Agência Espacial Europeia hesitou em reportar este incidente, sabendo que esta anormalidade iria terminar a operação mais cedo que o previsto. Afinal, a sua primeira saída para o Espaço tinha durado pouco mais de seis horas. Depressa percebeu, no entanto, que tinha tomado a decisão certa, porque as poucas gotas que sentiu no pescoço foram preenchendo o capacete que lhe permitia respirar e, numa questão de minutos, deixou de conseguir ver.“A esta altura, a parte superior do capacete já está cheia de água e nem sequer tenho a certeza se, na próxima vez que respirar, vou encher os pulmões com ar ou com líquido. Para piorar as coisas, percebo que perdi completamente a noção da direção em que me devo mover para regressar à câmara de descompressão. Não consigo ver nada”, descreveu depois. Apesar de ter parecido “uma eternidade”, o astronauta italiano conseguiu voltar à entrada da Estação Espacial Internacional em segurança e os restantes companheiros de expedição trouxeram-no para dentro, limpando o excesso de água que ainda se encontrava em torno da cabeça de Luca.A história deste astronauta é, desde 2013, “contada nos corredores da ESA como uma verdadeira lenda”, recordou o diretor-geral da agência no passado dia 9 de junho, quando Luca Parmitano foi anunciado como o piloto da missão Artemis III. Será o único europeu a bordo do programa que irá culminar com o regresso da humanidade à Lua. “É um relato que diz mais sobre o que é ser astronauta do que qualquer currículo alguma vez seria capaz”, acrescentou Josef Aschbacher.
Será ao lado do comandante Randy Bresnik e dos astronautas da NASA Frank Rubio e Andre Douglas que o astronauta italiano vai partir para a órbita terrestre com o objetivo de dar continuidade ao trabalho levado a cabo pela equipa da Artemis II: os quatro astronautas deram uma volta à Lua e chegaram onde nunca alguém havia chegado. Serão cerca de duas semanas de missão, após o lançamento previsto para 2027, onde a tripulação irá continuar a testar as capacidades da cápsula Orion — a “casa” dos astronautas que vão pisar a Lua em 2028 —, mas também fazer os primeiros exercícios com os módulos lunares desenhados pela SpaceX e pela Blue Origin, numa “operação de magnitude sem precedentes”, segundo o administrador da NASA Jared Isaacman. E quem vai pilotar a nave será o europeu.Ao Observador, Luca Parmitano recorda as suas duas passagens pela Estação Espacial Internacional (ISS) — além do icónico episódio de 2013 — onde passou 366 dias da sua vida. Já na sua última expedição, em 2019, foi como comandante que trabalhou ao lado de Christina Koch, uma das astronautas mais experientes do corpo de profissionais da NASA, que se tornou na primeira mulher a abandonar a órbita terrestre durante a Artemis II.Antes de ser chamado para esta missão, o astronauta italiano era o enviado da ESA para o Johnson Space Center, o famoso centro espacial da NASA em Houston, onde treinava os restantes astronautas europeus para caminhadas espaciais. Mas o treino para esta missão começou pouco tempo depois de conhecer o seu novo papel. Aliás, após ter desligado a chamada com o Observador, foi direto para o simulador da cápsula Orion que a agência espacial norte-americana construiu, para garantir que em 2027 tudo corre conforme planeado.Não vai alunar, mas admite que encontrou conforto no facto de já ter tido “experiências que muitos astronautas nunca chegarão a ter”. “Esta é mais uma missão incrivelmente valiosa para mim, onde posso contribuir para construir algo que vai continuar. Sem a Artemis III, não conseguimos avançar”, confessou o astronauta ao Observador.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Botão Voltar ao Topo

Adblock Detectado

Para continuar no site, por favor, desative o Adblock.