Droga: 25 anos após descriminalização, pesadelo voltou?
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É hora de conhecermos o tema do Contracorrente desta terça-feira. Se quiser entrar em direto logo a seguir ao jornal das 10:00, só tem de ligar para nós 91 002 41 85. Mas já sabe que também pode deixar a sua mensagem nas redes sociais, no nosso site, ou então enviar-nos a sua mensagem de voz através do WhatsApp 91 002 41 85. Carla. Parece o regresso a um passado que se imaginava ultrapassado. Toxicodependentes a consumir a céu aberto no centro de cidades como Lisboa ou Porto, residentes a queixarem-se da insegurança e do que é ter de conviver com o consumo de droga assim que abrem a porta. 25 anos depois de ter descriminalizado o consumo de drogas, eis que Portugal volta a este assunto, Helena, e é esse o tema do Contracorrente de hoje. Bom dia, Helena Matos.
Bom dia. Confesso a minha surpresa, quando partimos para este tema, eu não tinha a noção, por um lado, do mal-estar social que o consumo nas ruas está a causar. Nós temos mesmo hoje uma manifestação que se prende com uma rejeição da instalação de um centro, não para toxicodependentes, mas para sem-abrigo e, portanto, as pessoas associam as coisas e ficam muitíssimo preocupadas. Já tivemos manifestações na semana passada. Temos aqui a entrada em cena de novos protagonistas e nestes novos protagonistas estão as populações que de alguma forma têm tido de conviver, ou tiveram de conviver, ou com populações que consomem, ou com centros de tratamentos, que nós vulgarmente designamos como salas de chuto, ou com equipamentos que podem ficar associados a esse tipo de consumidores. Este é um dos lados. Nós vamos lendo aqueles títulos no jornal: mais substâncias psicotrópicas, todos os dias são descobertas novas substâncias psicotrópicas, mas a dimensão dessa realidade é algo que deixa ficar surpreendido alguém que não lida com o assunto. Há também aqui este lado. Nós vínhamos há 25 anos, o nosso grande problema era a heroína, era tudo isso. Esse é o mundo que ainda existe, mas que já não é o de hoje. Nós não podemos olhar para o mundo de hoje com os olhos de há 25 anos e muitas dessas expectativas que tínhamos há 25 anos cumpriram, mas em relação a essa realidade. Temos também aqui algo que muitas vezes há 25 anos imaginámos, quisemos, desejámos que se resolvesse, que era a realidade do tráfico. E neste momento, essa realidade do tráfico também ganhou novos contornos e continua a ter um efeito profundamente negativo, corrosivo das zonas onde se instala, da sociedade, das instituições, até porque o tráfico marítimo é muito importante a tentar, de alguma forma, entrar nas estruturas de controle. Há a permanência da velha realidade e uma nova realidade. É claro que 25 anos depois temos também este dado que é muito impressionante, este dado, este facto, que é bem visível, basta caminhar no centro de Lisboa, no centro do Porto, e aqui estou a referir-me às duas grandes cidades em Portugal, embora não sejam elas exclusivas, onde é possível ver os efeitos, as consequências destes consumos, nomeadamente destas novas substâncias, em ruas de Lisboa. Eu mesma passei há pouco tempo no centro de Lisboa e aquilo que eu imaginava à distância que era um amontoado de sacos ou de qualquer outra coisa, percebi quando me aproximei que eram pessoas. Há aqui tudo isto, ou seja, é um assunto que nos dói sempre quando falamos, para o qual tivemos enormes expectativas há 25 anos. Houve um facto positivo, que foi passar estes consumos unicamente da área da justiça para a área da saúde. Nós tínhamos as prisões com uma percentagem muito significativa de pessoas que estavam detidas por terem sido consumidores. Agora tudo isso está muito mais na área da saúde, mas a droga continua cá, ganhou novas dimensões, continua a estar muito associada ao álcool. Vamos encontrá-la em coisas tão vagas quanto os controlos de alcoolemia nas estradas e a corroer muitas vezes, a estar presente nas grandes contestações nas cidades, às decisões dos presidentes de câmara. Temos mesmo de falar sobre este assunto, embora às vezes seja como voltar a uma dor que esperávamos que tivesse passado.
E não passou. Até já, Helena Matos. Vamos falar melhor depois das 10:00.
Até já.










