Plataforma com testemunhos sobre exames desmente ministro
ARMENIO BELO/LUSA
Depois de o ministro da Educação dizer e repetir esta quarta-feira em audição no Parlamento que a maioria dos problemas relatados com a correção dos exames nacionais não se confirma, os professores vieram agora desmentir Fernando Alexandre. Segundo a plataforma MetaPROF, onde os docentes têm partilhado publicamente os seus testemunhos, todas as publicações (e contactos associados) são devidamente verificadas e confirmadas e muitas vezes incluem prova documental.
É “inadmissível” que o ministro da Educação tente “inverter as responsabilidades”, critica a plataforma MetaPROF num esclarecimento publicado no seu site. Segundo esta plataforma — que se apresenta como um “espaço dedicado à divulgação de ações de luta, resistência e reivindicação, criado para e por professores” — pôr em causa a fonte que tornou públicas as falhas associadas à correção das provas “em vez de as resolver, é desviar o foco de quem devia estar a dar respostas”.Em causa estão relatos como respostas trocadas e cortadas, a existência de uma plataforma de correção indisponível ou até professores que já morreram e que foram convocados para classificação. “Nenhum testemunho é publicado sem moderação”, garantem os responsáveis pela plataforma.“Cada relato é revisto por professores do MetaPROF, pode incluir prova documental anexa (convocatórias, capturas de ecrã, comunicações oficiais), e o autor deixa sempre um contacto verificado, nunca publicado.”
A plataforma esclarece ainda que a informação é depois disponibilizada de forma anónima “precisamente para proteger quem denuncia”. “O metaprof.pt/exames2026 continua a ser o único espaço público onde os professores podem testemunhar sobre este processo, com segurança”, lê-se ainda no esclarecimento publicado.No fórum criado nesta plataforma têm chovido testemunhos desde que se registaram os primeiros atrasos e problemas com a correção dos exames (nomeadamente o atraso na distribuição das provas). Um dos últimos testemunhos, por exemplo, foi publicado pelas 12h07 e reportava: “Até às 12 horas do dia 01/07/2026 sem itens para classificar. Matemática A.”
Plataforma MetaPROF
A primeira vez que Fernando Alexandre falou sobre os problemas de correção dos exames nacionais, na segunda-feira, disse que muita da informação que estava a ser divulgada por sindicatos e movimentos e publicada em sites e redes sociais não se verificava. Esta quarta-feira, ouvido em audição regimental no Parlamento, voltou a frisar: “Pedimos sempre ao Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA) e ao Júri Nacional de Exames (JNE) que estejam atentos a todas as comunicações que são feitas, para verificar se são verdadeiras ou falsas. A maioria é falsa”, disse. Admitindo que por vezes há anomalias pontuais, ressalvou que “depois são corrigidas”.
Em cima da mesa, nesta audição, esteve também a convocatória dos professores classificadores, em concreto o facto de ter sido convocada uma professora que já morreu. O líder da pasta da Educação — à semelhança do que aconteceu na passada segunda-feira — voltou a responsabilizar os diretores, alertando que são eles os responsáveis por convocar os classificadores. “Se convocam erradamente, então é uma responsabilidade dos diretores”, disse.










