CIÊNCIA

Fronteiras fechadas: Putin prepara nova mobilização forçada?


Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Este é o Gabinete de Guerra das manhãs 360 esta quinta-feira com análise do historiador Bruno Cardoso Reis. Olá, Bruno, bem-vindo.
Olá, bom dia. Obrigado.
Bruno, a Rússia suspendeu todo o tráfico ferroviário com a Finlândia, a Estónia e a Letónia. Este fecho repentino sem explicações oficiais surge poucos dias depois de ser revelado que Putin está preocupado com a falta de soldados na linha da frente e que pondera avançar com uma nova mobilização forçada, algo que não acontece desde 2022. O fecho destas fronteiras é uma medida preventiva para impedir que os cidadãos em idade militar fujam em massa do país, como já aconteceu?
É uma possibilidade. Realmente especula-se que depois de haver eleições parlamentares em outubro ou em setembro, que realmente no mês seguinte, passado uns dias, umas semanas, que Putin poderia realmente decretar uma mobilização geral ou uma mobilização parcial. Acho que é uma especulação que faz algum sentido, porque realmente temos dados que apontam no sentido que as baixas russas têm agravado, ou seja, a Rússia está a ter dezenas de milhares de baixas entre mortes e feridos graves por mês. Os números que se fala são mais de 35 mil por mês, mas tudo o que seja mais de 35 mil tem este problema que é esse é mais ou menos o número que a Rússia estava a conseguir recrutar com estes mecanismos voluntários de perdão de dívida, grandes bónus financeiros. E, portanto, a indicação que temos é que cada vez são menos também as pessoas disponíveis, digamos, a deixar-se tentar por esses incentivos financeiros. E, portanto, realmente, isso coloca um problema que é a Rússia precisa realmente ter soldados para continuar a combater, até porque também não tem conseguido responder com eficácia ou com a mesma rapidez que os ucranianos, através desta questão dos drones. No fundo, procurando substituir soldados na linha da frente, mais vulneráveis, obviamente, por, no fundo, se quisermos, soldados robóticos, embora comandados à distância e só parcialmente autónomos em alguns casos.
Entretanto, Putin admitiu que a Rússia enfrenta problemas devido aos ataques sistemáticos da Ucrânia contra as refinarias de petróleo. O impacto económico da invasão vai ser ainda mais visível para os cidadãos comuns, os russos. Que impacto é que tudo isto pode ter no terreno, sendo que Kiev voltou a ser atacada esta noite?
O impacto é exatamente esse. Ou seja, há muita especulação sobre como é que uma Rússia mais enfraquecida e em mais dificuldades pode reagir. E eu acho que é realmente preciso ter aí em atenção que isso pode significar uma Rússia mais perigosa, em certo sentido, ou seja, um risco de escalada. Não há nenhum sinal de que o regime de Putin estejam dispostos a, no fundo, aceitar que estão aqui em perda, que esta guerra não fez sentido. Portanto, isso seria potencialmente fatal, até politicamente, para a sobrevivência de Putin e do regime. Agora, o problema é qual é o tipo de escalada. A mim, o que me parece mais provável, e o que se tem confirmado até agora, é que essa escalada realmente acontece, mas acontece contra os ucranianos, em primeiro lugar, e também na forma de guerra híbrida contra os aliados europeus da Ucrânia, especialmente aqueles mais próximos da Ucrânia e da Rússia. Ou seja, basicamente, mais ataques indiscriminados, mais ataques aéreos contra a população civil, contra infraestruturas duplo uso na Ucrânia. É algo que temos visto também desde o início da guerra. E depois este tipo de ações de sabotagem, ciberataques, etc, também em países ocidentais. Também há poucos dias, por exemplo, tivemos notícias de uma explosão no Mónaco que visou empresário ucraniano. Portanto, esse parece-me ser, digamos, que tem sido a forma habitual da Rússia, de facto, responder a esse tipo de pressão, e como referiste, de facto, a Rússia está com grandes dificuldades, sobretudo na questão dos combustíveis. Portanto, um país que é historicamente um grande exportador de hidrocarbonetos e de produtos refinados, etc. Neste momento está a ter de racionar em muitos sítios, realmente, os combustíveis. Já vimos múltiplas imagens na Rússia de filas para as bombas de gasolina, etc. E inclusive põe a hipótese também de ter de importar esses materiais. Obviamente, tudo isso tem consequências também grandes em termos de impopularidade do regime, do conflito e também da disponibilidade de dinheiro para prosseguir o esforço de guerra e disponibilidade de combustível também para alimentar a máquina de guerra.
Em relação ao Irão, Teerão diz que não vai permitir em nenhuma circunstância a inspeção das instalações nucleares que foram bombardeadas, mas permitiu o acesso da Agência Internacional de Energia Atómica a duas instalações nucleares no país, apenas duas. Bruno, esta restrição destrói por completo a narrativa de Donald Trump e de J.D. Vance, que garantiam que Teerão tinha aceitado inspeções de alto nível e a armas de grande porte.
Aqui voltamos a este problema de base que ainda vimos agora em relação à questão de ia haver negociações ou não. É que é difícil confiar em qualquer dos dois lados. Ou seja, Donald Trump, já sabemos que se pode confiar pouco no que ele diz, porque realmente ele tem este estilo completamente hiperbólico, ao ponto de os próprios aliados de Donald Trump, muitas vezes a defesa que fazem de Donald Trump é dizer: “Bem, não o levem muito a sério. Isto não é bem para levar à letra”. Mas isso é um problema quando se trata de coisas como estas. E depois o regime iraniano também não tem propriamente um grande histórico de, digamos, de uma boa relação com a verdade. Muitas vezes, por exemplo, no passado já disse que tinha destruído bases americanas, matado um número enorme de soldados americanos, sem que depois isso tenha nenhuma relação também com os factos. Aqui há uma questão que temos sempre de ir vendo, que é o que é que na prática vai acontecendo. Para já, o que nós vemos é que não há nenhum sinal, nem de que haja um acordo, nem de perto nem de longe, e também não vemos nenhum sinal de que haja realmente algum tipo de presença no terreno da Agência Internacional de Energia Atómica. Portanto, para já, aquilo que o Irão diz parece corresponder aos factos no terreno. Se isso continuará a ser assim, isso teremos de ir vendo.
Bruno Cardoso Reis, muito obrigada pela tua análise. Bom final de semana, Bruno.
Bom dia. Obrigado.
Obrigada. Bom dia.

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